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Belo Horizonte,30/05/2026

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Seis lições de ‘Meu Nome é Agneta’ para olhar a vida com mais leveza

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Seis lições de ‘Meu Nome é Agneta’ para olhar a vida com mais leveza

Como anda a sua libido pela vida? Em “Meu Nome é Agneta”, acompanhamos uma mulher comum que passou boa parte da vida tentando caber no que esperavam dela. Dedicou-se a um trabalho que já não havia sentido e a uma família que parecia não enxergá-la. Fez tudo “certo”, cuidou de todos, mas, em algum momento, deixou de olhar para si.


Ao se aproximar dos 50 anos, ela é demitida e parece perder a confiança de que encontrará um novo emprego. Mas é a partir de uma vaga de au pair na França que a esperança começa a reaparecer. “É, uma vida inteira de trabalho invisível vira um currículo bastante longo”, desabafa a personagem, que passou anos limpando, cozinhando, lavando roupas e sustentando uma rotina doméstica historicamente atribuída às mulheres.


Em Provença, já em território francês, ela conhece Einar, um idoso gay e excêntrico que precisou romper com a ideia de família tradicional para viver a própria sexualidade. Entre os dois, nasce uma amizade que abre espaço para perguntas antigas, desejos adormecidos e para a possibilidade de imaginar a vida além do caminho que, por tanto tempo, pareceu ser o único.


A Vida Simples reuniu seis lições de “Meu Nome é Agneta” que ajudam a olhar para os dias com mais encanto e, se preciso, recalcular a rota:


Nunca é tarde para se descobrir


Agneta parece ter construído uma identidade de fora para dentro, baseada quase sempre em cumprir funções, seja de esposa, mãe ou “mulher direita”. É como se o mundo tivesse decidido quem ela deveria ser antes que pudesse se perguntar quem realmente é.


Em uma conversa, Einar pede para que ela conte sua história. Com o espanto de quem não ouve essa pergunta há muito tempo, a personagem percebe não saber muito sobre si mesma, apenas sobre a vida que construiu em torno das necessidades dos outros.


Assim como tantas mulheres que vivem essa realidade, Agneta, aos 49 anos, nos lembra que nunca é tarde para iniciar uma jornada de autodescoberta, reconhecer os próprios desejos e abrir espaço, nos dias comuns, para fazer algo que também dê prazer.


Pare de viver para cumprir expectativas



“Por que deveria ligar pro que os outros pensam? As pessoas só se importam com elas mesmas. Tente e verá como eles não ligam. Faça algo que nunca ousou fazer. Veja onde seu corpo te leva se você parar de ligar.”



A frase, dita por Einar para Agneta, lembra que cada pessoa é protagonista da própria vida, mas, nas histórias dos outros, quase sempre aparece como coadjuvante ou figurante. Mesmo assim, tantas vontades ficam presas ao corpo por medo do julgamento. A vida passa, e com ela também passam oportunidades de criar belas memórias. O trecho faz um convite simples: perceber que talvez você não seja tão importante assim para os outros, e isso pode ser libertador.


Com as pessoas certas, você brilha diferente


Ainda em casa na Suécia, a protagonista se acostuma a ver as próprias paixões, como a culinária, os vinhos e as paisagens francesas, reprimidas pelo companheiro. É somente escondida no quarto que seus desejos se permitem a aparecer: pode comer o que deseja, beber vinho e admirar as paisagens francesas pela tela do computador. “Magnus acha que eu não tenho motivação. Só que eu tenho. Mas é o tipo errado de motivação”, conversa consigo mesma a protagonista em seu refúgio, ainda influenciada pelo olhar do marido.


Isso porque identidade e autoestima também se constroem nas relações. Na psicologia, essa ideia aparece no conceito de “self refletido”, que ajuda a entender como passamos a nos enxergar a partir dos olhares, respostas e reações que recebemos dos outros. Como espelhos, essas interações podem devolver imagens mais duras ou mais generosas sobre quem somos.


Já em Provença, as pessoas ao redor fazem Agneta se sentir bonita e confiante. Elas demonstram interesse por sua história, por aquilo que a faz feliz e a olham sem julgamento. Tudo isso ajuda a personagem a se descobrir, ganhar espontaneidade e se enxergar com mais gentileza.


Se olhe atenção e gentileza


Em uma das cenas, a protagonista fica em frente ao espelho, olha para o próprio corpo e fala com carinho sobre cada parte dele. A cena causa identificação porque toca em algo que muitas mulheres vivem: a forma crítica como foram ensinadas a olhar para si mesmas e, muitas vezes, o impulso de desviar do próprio reflexo para não encarar o corpo com atenção.


Por isso, o trecho faz um convite para olhar para cada parte de si com mais presença e gentileza. Em vez de procurar defeitos, talvez seja possível dizer “essa gordurinha também faz parte de mim”, “esses braços me sustentam”, “essas pernas me levam para lugares e conquistas que ainda vou conhecer”. Afinal, o corpo é a primeira casa que habitamos, por meio dele vivemos, amamos e realizamos nossos sonhos.


Ainda dá tempo de reconstruir laços


Durante o longa-metragem, é possível conhecer mais sobre Einar, que quando jovem precisou romper com a esposa para viver com o homem por quem se apaixonou. Depois de contar sobre a relação, a ex decide impedir a convivência entre o pai e o filho pequeno.


No entanto, Einar não deixa de alimentar esse amor durante muito tempo. Guarda o quarto do filho decorado para o dia de um possível reencontro e, toda sexta-feira, veste o terno mais bonito para esperá-lo no bar. Com medo, decide não fazer contato, mas segue aguardando ansiosamente uma visita.


Quando o encontro acontece, depois de uma parte dele acreditar que esse momento talvez nunca se tornasse realidade, o rapaz, que precisava do colo de alguém, encontra um pai que sempre desejou ter sua presença por perto. A história lembra que, muitas vezes, o laço entre duas pessoas que gostariam de estar próximas, mas nunca tiveram coragem de dar o primeiro passo, pode depender apenas de um gesto para acontecer.


Dance, imagine e se divirta



“Se alguém te convidar para dançar, você nunca deve recusar”



Quando Magnus, marido de Agneta, entra em cena, todo o cenário parece ficar mais cinza. Ele é um personagem tomado pela rigidez, pelo controle e por uma dureza diante do cotidiano. Tudo precisa caber dentro do esperado, do milimetricamente correto, do que não causa vergonha. Ao lado dele, qualquer gesto de espontaneidade parece virar motivo de constrangimento.


Enquanto isso, Einar e, posteriormente, Agneta nos ensinam que colorir os dias e olhar para cada um deles com encanto pode ser um caminho para viver com mais presença e leveza, apesar dos desafios. Seja ao dançar para amenizar a tristeza, fazer brincadeiras que trazem risadas ao cotidiano, cantar ou até fechar os olhos para imaginar uma história.


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