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Belo Horizonte,30/05/2026

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Jeans na alta-costura: por que o denim chegou aos lugares mais improváveis da moda

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Jeans na alta-costura: por que o denim chegou aos lugares mais improváveis da moda


Britney Spears e Justin Timberlake usando o icônico conjunto jeans – Foto: Getty Images


O jeans voltou a aparecer em espaços onde, até pouco tempo atrás, sua presença ainda causava estranhamento. Não porque a moda tenha descoberto agora a importância do denim, mas porque a peça segue oferecendo uma combinação difícil de fabricar: familiaridade, memória popular e capacidade de mudar de sentido conforme o contexto.


Na alta-costura, essa troca de cadeiras chama atenção. O jeans, ou aquilo que parece jeans, passa a ocupar um espaço historicamente associado à construção manual, aos tecidos nobres e à roupa feita para parecer distante da rotina. Quando surge nesse ambiente, a peça não precisa ser tratada como provocação. O interesse está no contraste entre uma imagem conhecida e o trabalho necessário para recriá-la.


A peça também aparece no desfile da Maison francesa Chanel – Foto: Divulgação


Na Chanel de Matthieu Blazy, por exemplo, a ideia aparece menos como casualidade e mais como construção de imagem. A combinação de regata branca e calça jeans, uma das fórmulas mais reconhecíveis do vestir contemporâneo, foi refeita dentro da lógica da alta-costura. A imagem era simples, mas a construção, não. Esse tipo de operação já vinha aparecendo também na Bottega Veneta, onde uma calça que parecia jeans era feita de couro. O ponto não era apenas enganar o olhar, mas mostrar como o luxo hoje se interessa por peças comuns quando consegue reconstruí-las com outra técnica, outro material e outro preço. O jeans funciona bem nessa brincadeira porque nunca foi uma peça neutra. Antes de virar item de moda, esteve ligado ao trabalho e à ideia de resistência do tecido. Depois, passou pelo cinema, pela juventude, pela música, pelas ruas e por diferentes tentativas de transformá-lo em símbolo de atitude. Cada época encontrou um jeito de usar o denim para falar de corpo, classe, desejo e também pertencimento.


Nos anos 1970, esse movimento ganhou força quando o jeans passou a circular com naturalidade dentro de uma moda urbana, menos presa à formalidade. Foi nesse momento que ele deixou de ser visto apenas como peça funcional e entrou de vez no vocabulário do estilo. Não perdeu sua origem, mas ganhou outra camada de leitura. Como reportamos aqui ano passado, a discussão recente envolvendo Sydney Sweeney em uma campanha da American Eagle mostra como essa carga continua ativa. O trocadilho entre jeans e genes ampliou a leitura da imagem para além da roupa, abrindo debate sobre publicidade, beleza e os significados que uma campanha pode acionar mesmo quando tenta parecer apenas leve.


Como uma boa peça coringa, o jeans mantém uma forma familiar mesmo quando muda de material, preço e função. Na alta-costura, ele não aparece para provar que uma peça comum virou luxo. Entra porque permite testar técnica, imagem e contexto a partir de algo que já faz parte do repertório coletivo. O denim continua funcionando para a moda porque todo mundo reconhece a peça, mas cada aparição dá um novo significado para seu sentido.



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