'Hackeando o sistema': como duas publicitárias transformaram R$ 1 mil em uma agência com faturamento milionário

Seis anos após deixarem o ambiente corporativo e investirem R$ 1 mil no próprio projeto, as publicitárias Dayane Oliveira, 32 anos, e Letícia Sotero, 31, levam a Asminas de Salvador (BA) a São Paulo (SP). A chegada à Vila Mariana, bairro localizado na Zona Sul da capital paulista, marca uma nova fase da agência de estratégia digital e marketing de influência, que registrou faturamento de R$ 1 milhão apenas no primeiro trimestre de 2026.
Neste movimento de expansão, as sócias inauguram a Odara House, unidade que funciona como uma produtora de conteúdo nativo digital para integrar as demandas entre o Sudeste e o Nordeste. A abertura do espaço é um passo estratégico para aproximar a inteligência criativa baiana dos grandes anunciantes.
Segundo Dayane Oliveira, que está chefiando a operação, a expansão "permite o contato direto com os centros de decisão, destacando a importância de criar conexão com diversos territórios dos diversos 'Brasis'". Enquanto a Bahia permanece como base criativa, a nova unidade busca absorver as oportunidades que acontecem de forma acelerada no eixo Sul-Sudeste.
"É um grande desafio, porque a gente sabe também que o nordestino chegar no sudeste não é tão fácil, não é tão confortável, mas como a gente fez já esse preparo de seis anos, trabalhando com esses atores, facilitou para que fossemos bem recebidas", afirma Oliveira.
O desembarque na capital paulista já rendeu novos contratos e trabalhos, segundo as sócias. A agência assina a estratégia criativa nacional da marca Sofy Absorventes Íntimos, de origem japonesa. No portfólio, a Asminas já acumula cases com gigantes como Unilever, Amazon, Leroy Merlin e Bayer. Além disso, a agência gere a carreira do ator e humorista João Pimenta, que integrou o elenco do Porta dos Fundos até fevereiro de 2024 e viu seu perfil saltar de 100 mil para 1 milhão de seguidores sob a gestão das publicitárias.
A Asminas nasceu de um incômodo compartilhado entre as sócias, que se conheceram por meio de um amigo em comum quando ainda atuavam no mercado corporativo. "A gente se vê nos nossos empregos não tão reconhecidas e muito menos representadas", relembra Letícia Sotero.
A decisão de empreender surgiu da percepção de que ambas eram "boas demais" para não serem contempladas com promoções e espaços de liderança. Em meio à pandemia, no ano de 2020, decidiram somar expertises para criar um negócio que gerasse impacto econômico e representatividade. O investimento inicial foi R$ 1 mil, com a divisão de R$ 500 para cada uma.
"Aqueles R$ 1 mil 'startaram' o nosso negócio. Hoje, faturamos um número bacana, mas não era a realidade nem que a gente imaginava quando iniciamos o projeto", revela Sotero. Ela relata que a validação do modelo veio com seis meses de operação. Isso porque a agência já atendia nomes como a multinacional Unilever.
'Hackeando o sistema e ampliando vozes'
A agência se define como um negócio negro, feminino e nordestino. Atualmente, a equipe fixa conta com oito funcionários entre Bahia e São Paulo, podendo chegar a 20 conforme a demanda. A operação é 100% negra e majoritariamente feminina, incluindo mães solo e mulheres trans.
"Estamos hackeando o sistema. É entender como esses operadores que não trazem esse propósito racial, principalmente de gênero, trabalham, como a gente consegue utilizar o caos a nosso favor", afirma Sotero.
Para as fundadoras, a estratégia é usar a "tecnologia ancestral" para sobreviver e prosperar em um mercado competitivo. Além da agência Asminas e da Odara House, as sócias mantêm um ecossistema de projetos autorais, como o "Escutas Asminas", voltado ao diálogo entre mulheres, a "Maratona de Conteúdo" e o "Portal Quarta Pink".
Segundo Oliveira, o reconhecimento técnico da Asminas foi consolidado em 2024 com o Prêmio Jatobá de Inovação em PR pelo case "Ppk sem Tabu", realizado para a Bayer. "A premiação serviu como um selo de qualidade que reforçou a capacidade da agência de assinar projetos de alta complexidade e impacto cultural", afirma.
O objetivo agora é a consolidação nacional sem perder a essência baiana. "Nosso grande sonho é ser um grande conglomerado de comunicação, como a gente vê grandes grupos hoje, principalmente norte-americanos, geridos por pessoas negras", projeta. As sócias ainda planejam expandir para frentes como o audiovisual e a educação, com o desejo de criar uma escola de comunicação para criadores de conteúdo.
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