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Belo Horizonte,23/04/2026

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Song Qi amadurece sua proposta e encontra seu melhor momento

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Song Qi amadurece sua proposta e encontra seu melhor momento

No Song Qi, a nova carta assinada por Ricardo Takahashi, o Japorês, se apoia menos na ideia de novidade e mais na construção de linguagem. Há um percurso por trás de cada escolha, que passa por anos de balcão, viagens e um repertório que se organizou sem pressa. O resultado aparece como continuidade, com um senso de medida que privilegia permanência em vez de impacto imediato.


Japorês, que ajudou a consolidar uma geração mais inquieta da coquetelaria paulistana, sempre trabalhou com a ideia de deslocamento. Não por acaso, seu nome artístico carrega essa mistura de referências. Filho de um ambiente urbano onde culturas se cruzam o tempo todo, ele construiu uma assinatura que flerta com ingredientes pouco usuais e aproxima universos que raramente se encontram no copo. No Song Qi, esse impulso ganha outro tipo de filtro. Inserido em uma casa nascida no Principado de Mônaco, frequentada por um público acostumado a códigos internacionais de luxo, ele ajusta o discurso como quem traduz sem perder sotaque.


Song QI / UNLIKELY NEGRONI / Foto: Neuton Araujo

A própria história do restaurante ajuda a entender esse movimento. O Song Qi nasceu em Monte Carlo como um endereço que cruza culinária asiática contemporânea com uma leitura europeia de serviço e ambiente. A unidade paulistana, primeira fora de Mônaco, chega como parte de um projeto global que mira cidades como Nova York, Londres e Dubai. Nos Jardins, a casa se posiciona como ponto de convergência entre culturas, onde a cozinha asiática passa por uma lente cosmopolita e o bar acompanha essa mesma lógica.


É nesse cenário que a carta se desenha. O Smoked Martini parte de um clássico que, historicamente, sempre foi território de precisão absoluta. Aqui, o gesto é sutil, mas revelador. O uso do saquê como elemento de ligação conversa com a origem asiática da casa e com a própria trajetória do bartender, enquanto a salmoura defumada acrescenta uma camada aromática que lembra técnicas de cozinha mais do que fórmulas de bar. O resultado é contido, quase silencioso, mas com profundidade.


Song QI / WILD HONEY OU DRUNK SHITAKE / Foto: Neuton Araujo

O Unlikely Negroni segue por outro caminho, e talvez por isso seja um dos momentos mais curiosos da carta. O Negroni, criado em Florença no início do século passado, sempre foi um exercício de equilíbrio entre amargor, álcool e dulçor. Ao incorporar eucalipto e fernet, Japorês tensiona essa estrutura clássica sem descaracterizá-la. Há algo de provocativo na combinação, mas também uma precisão que impede o conjunto de se perder. Entre as provas, é um dos que mais marcam, ao lado do próprio Smoked Martini. O primeiro pela ousadia controlada, o segundo pela elegância quase contida. Ambos a R$ 39.


Outros drinques ajudam a completar esse desenho. O Tropical Negroni brinca com a ideia de transportar o clássico italiano para um imaginário mais expansivo, onde banana e coco aparecem como memória de viagem, sem cair na obviedade. Já o Emerald Breeze incorpora o matcha em uma construção leve, refletindo um interesse crescente da coquetelaria global por ingredientes de origem japonesa, que exigem precisão para não dominar o conjunto.


Song QI / 1992 EXPRESS / Foto: Neuton Araujo

Quando a carta entra no território dos whiskies, o tom muda. Fica mais introspectivo, quase narrativo. Carente de um punch mais incisivo, o 1992 Express aproxima café extraído a frio da densidade do destilado, evocando uma estética que remete a bares mais antigos, enquanto o Drunk Shitake leva a lógica da cozinha para o copo, trazendo o cogumelo como eixo de sabor em um movimento que dialoga com técnicas de infusão cada vez mais presentes na coquetelaria contemporânea. O Wild Honey encerra esse percurso com suavidade, usando o mel como elemento de ligação.


Esse trânsito entre bar e cozinha não é coincidência. No Song Qi, as duas frentes se observam o tempo inteiro. Pratos como o wrap de wagyu, o chicken satay e a costela de porco defumada ao chá de jasmim acompanham o raciocínio da carta, enquanto o fried rice com wagyu e o pad thai reforçam essa construção em camadas, onde textura e contraste ganham protagonismo.


@songqi.sp


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