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Belo Horizonte,23/04/2026

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Spirit of Brazil, um encontro engarrafado entre dois tempos

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Spirit of Brazil, um encontro engarrafado entre dois tempos

O Spirit of Brazil aparece mais como gesto do que como produto, revelado em 14 de abril de 2026 com a delicadeza de quem entende que certos encontros pedem tempo. Em vez de uma única expressão, o projeto se desdobra em três, cada uma carregando seu próprio sotaque, mas compartilhando uma mesma intenção, a de aproximar dois mundos que sempre dialogaram à distância.


A escolha da data revela o tom da iniciativa. É o dia que marca o primeiro jogo de futebol disputado no Brasil por Charles Miller, personagem que, de certa forma, inaugura esse trânsito simbólico entre Escócia e Brasil. O lançamento no Hampden Park, dentro do Museu do Futebol Escocês, não tenta ser apenas cenário. Ele funciona como extensão da narrativa, como se cada gole carregasse também um pouco dessa história cruzada. E há um detalhe que não passa despercebido, toda a renda do evento foi destinada à IPA Brasil e à IPA Escócia, ampliando o alcance do projeto para além da mesa.


Spirit of Brazil / Foto: divulgação

No copo, o discurso ganha corpo. A 8 Doors Distillery assume a curadoria de um single malt lançado sob o selo Seven Sons, um barril único destilado em 1998. A escolha não parece casual. É o mesmo ano em que Brasil e Escócia se encontraram em campo na Copa do Mundo, como se o whisky guardasse, em silêncio, um eco daquele momento. Selecionado por John Ramsay, o líquido não se apoia apenas na técnica, mas na ideia de tempo como ingrediente invisível.


Do lado brasileiro, o projeto se abre em duas camadas que não competem, mas se completam. A Casa Studart Cachaçaria entra com uma cachaça que não pede tradução, segura na própria tradição, apoiada em processos que respeitam ritmo, matéria-prima e maturação. Há algo de silencioso nessa presença, como se a bebida preferisse afirmar sua identidade sem pressa, deixando que o paladar faça o resto.


Já a Lamas Destilaria propõe um outro tipo de conversa. Seu single malt, maturado em carvalho e finalizado em pau-brasil, traz uma camada que vai além do sabor. A madeira, carregada de simbolismo, insere o destilado em uma narrativa que mistura natureza, história e pertencimento. Não é apenas um acabamento, é quase uma assinatura.


O que poderia soar como exercício de estilo acaba encontrando um lugar mais interessante, o da escuta. O Spirit of Brazil não tenta uniformizar nem resolver diferenças. Ele aceita que cada origem tem seu tempo, sua textura, sua forma de existir. E talvez seja justamente isso que sustenta o projeto, a ideia de que, quando colocadas lado a lado, essas três expressões não precisam concordar entre si para fazer sentido.


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