Lesão muscular: como acontece, quais os graus e como tratar
A possível lesão na coxa direita do atacante Estêvão passou a gerar incertezas sobre a participação do jogador na Copa do Mundo de 2026. O quadro, descrito como “grau quatro”, foge das classificações mais tradicionais de lesões musculares no futebol e indica um cenário potencialmente mais complexo.
Lesões musculares são o tipo mais comum no esporte e ocorrem quando há ruptura das fibras devido a estresse mecânico excessivo. Esse tipo de problema afeta o sistema músculo-esquelético, que representa cerca de 45% do peso corporal, e pode surgir por diferentes mecanismos.
O médico Moises Cohen, ortopedista do Einstein Hospital Israelita, explicou à CNN Brasil sobre os diferentes tipos de lesão muscular.
Como ocorre
O mais frequente é o estiramento excessivo, considerado indireto, quando o músculo é alongado além do seu limite elástico — especialmente durante contrações excêntricas, como em arrancadas, saltos e chutes.
De acordo com o especialista, também há casos por contusão direta, comuns em esportes de contato, e situações associadas à fadiga muscular, que aumentam o risco principalmente no fim das partidas.
Alguns grupos musculares são mais vulneráveis, como os isquiotibiais, na parte posterior da coxa, por atravessarem duas articulações e serem exigidos em sprints; o quadríceps, submetido a fortes contrações em chutes e saltos; e a panturrilha, essencial na propulsão.
A recorrência dessas lesões é considerada alta. Entre os fatores estão a formação de tecido cicatricial menos elástico, alterações biomecânicas após lesões anteriores, retorno precoce às atividades e até aspectos psicológicos, como o receio de movimento.
Quais os graus
A classificação tradicional divide as lesões em três níveis. “As lesões musculares são classificadas em três graus principais, de acordo com a gravidade de lesão das fibras musculares”, diz Moises Cohen.
O grau um, também chamado de lesão leve, ocorre quando há um estiramento do músculo com ruptura de menos de cinco por cento das fibras musculares. O paciente sente dor leve e apresenta pequeno edema. A recuperação leva aproximadamente uma a duas semanas.
O grau dois, denominado lesão moderada, acontece quando há ruptura parcial do músculo, comprometendo entre cinco e cinquenta por cento das fibras. A dor é moderada, há perda de força e geralmente aparece um hematoma. O tempo de recuperação varia de três a seis semanas.
O grau três, considerado lesão grave, corresponde à ruptura completa do músculo, acima de cinquenta por cento das fibras. Há dor intensa, incapacidade funcional e frequentemente um defeito palpável na belly muscular. A recuperação pode levar de dois a três meses.
Já o Sistema BAMIC (British Athletics) utiliza cinco graus principais, classificados com base em achados de ressonância magnética.
Tratamento
O tratamento varia conforme a gravidade e a localização da lesão. “O tratamento vai muito da lesão. Existe hoje a possibilidade de se utilizar a infiltração com PRP, células tronca, eventualmente em uma lesão muscular. E nos casos mais graves, principalmente quando são mais próximos do tendão, aí são de indicação cirúrgica”, explica Moises Cohen.
“Então depende muito da gravidade, da localização, e obviamente da atividade, da auto rendimento. Se a lesão for junto, próximo do osso, ou do tendão, aí a fixação cirúrgica é melhor. Agora se for mais por meio da musculatura, a transição com músculo, talvez possa optar pelo tratamento conservador, ingestando essas drogas auto biológicas e fisioterapia”, completa.
Medidas preventivas incluem fortalecimento muscular, aquecimento adequado, progressão gradual de carga, descanso e avaliação neuromuscular.
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