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Trump diz que Líbano não faz parte do cessar-fogo, segundo imprensa dos EUA

g1.globo.com
Trump diz que Líbano não faz parte do cessar-fogo, segundo imprensa dos EUA
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Bombardeio israelense em Tiro, no sul do Líbano, em 8 de abril de 2026.
REUTERS/Adnan Abidi
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que o Líbano, alvo de ataques de Israel nesta manhã, não faz parte do acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irã, segundo a imprensa norte-americana.
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Em entrevista à PBS, a rede de TV pública dos Estados, Trump disse que "eles (Líbano) não estão incluídos no acordo" de cessar-fogo. "Por causa do Hezbollah. Eles não foram incluídos no acordo também", disse.
Já a CNN Internacional afirmou ter ouvido da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que, em uma conversa com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, Trump não se opôs a que Israel seguisse atacando o Líbano.
A posição de Washington contradiz a do governo do Paquistão, país que mediou o acordo de cessar-fogo e que sediará conversas entre os dois lados nas negociações pelo fim definitivo da guerra. Ainda na terça-feira (7), pouco depois de EUA e Israel anunciarem o cessar-fogo, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, disse que a pausa em ataques ao Líbano está contemplada na trégua.
"Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros, com efeito imediato", disse Sharif, em um comunicado publicado nas redes sociais.
Irã ameaça romper cessar-fogo
Bombardeio israelense destrói área residencial em Beirute
O Irã também afirmou que o Líbano está contemplado na trégua e, em retaliação a ataques de Israel ao território libanês, voltou a fechar o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (8) e ameaçou romper o cessar-fogo.
Segundo a agência Fars, o regime iraniano voltou a fechar o Estreito de Ormuz para o trânsito de navios comerciais e atribuiu a ação ao que chamou de "violações de Israel ao cessar-fogo".
Além disso, o Irã prometeu "punir" Israel pelos "ataques ao Hezbollah que violaram a trégua", e as Forças Armadas iranianas já estão "identificando alvos para responder aos ataques desta quarta", segundo fontes ouvidas pelas agências estatais Tasnim e PressTV.
O endurecimento da postura do Irã ocorreu após Israel ter feito nesta quarta o maior ataque contra o território libanês em sua guerra contra o grupo terrorista Hezbollah (leia mais abaixo).
Os bombardeios israelenses em larga escala ocorreram após o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, ter dito que o cessar-fogo não se aplica ao Líbano. A fala contrariou o anúncio do Paquistão, que tem atuado como mediador do conflito, de que todas as frentes teriam os ataques interrompidos, e mencionou explicitamente o Líbano.
Fumaça sobe sobre a capital do Líbano após ataques israelenses
➡️ Em paralelo, países do Golfo Pérsico relataram terem sido atacados pelo Irã com mísseis e drones após a trégua entrar em vigor. O acordo de cessar-fogo previa que o Irã também pausaria os ataques retaliatórios que tem lançado contra países do Golfo Pérsico parceiros dos EUA.
Catar, Kuwait e Arábia Saudita denunciaram ataques iranianos. O governo catari disse que o país foi alvejado por artefatos vindos do Irã, mas que foram interceptados. Já uma fonte saudita disse à Reuters que um oleoduto em território saudita foi alvejado esta manhã, poucas horas após o cessar-fogo entrar em vigor. O Kuwait anunciou "dano material severo" causado por drones iranianos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse à TV norte-americana PBS nesta quarta-feira que o Líbano não faz parte do acordo de cessar-fogo na guerra contra o Irã. “Por causa do Hezbollah, nós não incluímos o Líbano no cessar-fogo, e o Irã sabe disso", afirmou.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pediu que todas as partes respeitem o cessar-fogo e disse que violações prejudicam o espírito de paz buscado pelas negociações para colocar um fim definitivo na guerra do Oriente Médio.
Voltando à questão do Líbano, o premiê libanês Nawaf Salam acusou Israel de atingir áreas densamente povoadas e de ignorar esforços internacionais pela paz. Já o Ministério da Saúde libanês afirmou que os bombardeios deixaram centenas de vítimas, incluindo mortos e feridos, e pediu que a população libere as ruas de Beirute para a passagem de ambulâncias.
Israel e o Hezbollah retomaram uma guerra entre eles no início de março, em meio ao conflito contra o Irã. Isso porque o grupo terrorista é apoiado por Teerã e iniciou ataques aéreos contra o território israelense em retaliação a bombardeios de Israel contra o Irã. As ações mergulharam o Líbano em uma crise humanitária.
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Ataques de Israel ao Líbano após cessar-fogo
Fumaça sobe após um ataque israelense aos subúrbios do sul de Beirute, no Líbano, em 8 de abril de 2026.
REUTERS/Mohamed Azakir
O Exército de Israel afirmou que realizou "a maior onda de bombardeios" da guerra contra o Líbano, que atingiu mais de 100 centros de comando e instalações militares do Hezbollah.
"Este é o maior ataque realizado contra a infraestrutura do Hezbollah desde o início da Operação 'Leão Rugindo'. A maior parte da infraestrutura atingida estava localizada no coração de áreas civis, como parte do que Israel descreve como o uso de civis libaneses como escudos humanos pelo Hezbollah (...) Continuaremos atingindo a organização terrorista e utilizaremos todas as oportunidades operacionais", afirmou a pasta.
Danos foram reportados em Beirute e em outros locais do país. Israel emitiu diversos alertas para evacuação para diversas regiões no sul do Líbano, na cidade de Tiro, e também em sete bairros da capital libanesa.
Mais cedo, o Hezbollah pediu contenção e advertiu Israel contra novos ataques. O grupo terrorista não havia se manifestado de forma oficial sobre os bombardeios reportados pelo Exército israelense até a última atualização desta reportagem.
O embaixador do Irã na ONU afirmou nesta quarta-feira que Israel deve respeitar o cessar-fogo no Líbano, e disse qualquer continuação dos ataques complicaria a situação e teria consequências.
Por que Líbano faz parte da guerra?
Bombardeio israelense em Beirute, no Líbano, em 8 de abril de 2026.
Reprodução/redes sociais via Reuters
O país tem sido alvo de constantes ataques israelenses desde os primeiros dias da guerra, iniciada em 28 de fevereiro. Israel afirma ter como alvos o grupo extremista Hezbollah, aliado do Irã que atua no país que lançou ataques contra o território israelense.
Alegando a proteção de seu território, Israel invadiu o sul do Líbano, tomando o controle militar de todo o território do país vizinho até o rio Litani. Ataques aéreos também foram realizados contra a capital, Beirute, e o Vale do Beqaa, no leste do país.
Segundo o governo libanês, mais de 1.500 pessoas morreram em ataques israelenses no país desde o início do conflito, e outras 4.800 ficaram feridas.
Fumaça sobe após um ataque israelense aos subúrbios do sul de Beirute, no Líbano, em 8 de abril de 2026.
REUTERS/Mohamed Azakir
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