Berlim se prepara para mais uma edição da Fashion Week

Foto: Reprodução/Instagram/@berlinfashionwe
Por Maíra Goldschmidt, de Berlim
Acontece entre 30 de janeiro e dois de fevereiro a edição de outono/inverno 2026 da Berlin Fashion Week. Ao longo do fim de semana, estão previstos mais de trinta desfiles, apresentações e eventos paralelos espalhados por toda a cidade.
Incapaz de competir com outras capitais da moda, seja por questões históricas, ausência de glamour ou estrutura financeira, Berlim tenta, pelo menos, se destacar no que bem sabe: a moda como reflexo de comportamento, identidade e práticas culturais contemporâneas.
“Nossos formatos se entrelaçam, permitindo-nos promover talentos de várias maneiras e possibilitando que eles dialoguem diretamente com os visitantes. Estou particularmente satisfeita com a participação de marcas lideradas por mulheres. O que é exigido em outros lugares é uma realidade na BFW!”, celebra Christiane Arp, presidente do Conselho de Moda Alemão (Fashion Council Germany). Segundo os organizadores, nos últimos dois anos, a proporção de mulheres foi superior à metade dos participantes.
Além disso, a temporada atual marca ainda a terceira e última fase do projeto piloto para a implementação dos Requisitos de Sustentabilidade para a semana de moda.

Foto: Reprodução/Instagram/@berlinfashionwe
Desenvolvido em parceria com a Copenhagen Fashion Week desde 2024, os padrões mínimos de sustentabilidade servem como um guia para o processo de candidatura e seleção das marcas presentes no evento. Quem deseja fazer parte da BFW precisa preencher um questionário com cerca de cem perguntas referentes às exigências a serem cumpridas, bem como medidas adicionais que servem como estímulo para o desenvolvimento sustentável da empresa – a saber, por exemplo: 60% dos materiais usados na coleção devem ser reciclados, certificados ou de reuso; não é permitido destruir peças não vendidas ou amostras; também não é permitido o uso de peles ou penas; é preciso implementar práticas circulares nas operações, como coleta, opções de revenda ou reutilização; nos bastidores dos desfiles, não é permitido o uso de produtos descartáveis e estimula-se o aluguel de adereços e afins. Na Alemanha, há um requisito específico em relação à transparência e rastreabilidade na cadeia produtiva, que reflete a lei alemã de Diligência Devida. Além disso, a BFW introduziu seu próprio código de conduta, que enfatiza as questões de diversidade, equidade, inclusão e pertencimento (DEIB) na indústria da moda.

Foto: Reprodução/Instagram/@berlinfashionwe
Não à toa, os desfiles das marcas vencedoras dos concursos “Berlin Contemporary” e “Studio2Retail”, ambos financiados pela Secretaria de Economia, Energia e Empresas, e que prometem impulsionar a inovação, sustentabilidade e diversidade criativa, são os mais esperados da semana. Entre eles: GmbH, dos estilistas Serhat Işık e Benjamin A. Huseby, que foram diretores criativos da italiana Trussardi entre 2021 e 2023; William Fan, um dos queridinhos da cena berlinense; Sia Arnika, da designer dinamarquesa que já trabalhou em parceria com Kylie Jenner para a Khy; e Lou de Bètoly, estilista francesa que conquistou Dua Lipa, Rosalia e Beyoncé.
E em todos os dias do evento, o ciclo de palestras METAMORPHOSIS reúne representantes da indústria para discutir inteligência artificial, economia circular, negócios e criatividade.
Ao priorizar diversidade criativa, critérios ambientais rigorosos e formatos que aproximam criadores, público e indústria, a Berlin Fashion Week pretende se consolidar como um laboratório de reflexão e experimentação para o futuro da moda global. Resta saber se as demais semanas da moda estarão dispostas a adotar um compromisso semelhante.
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