Entre barricas e cozinha ibérica: a proposta gastronômica do Tivoli Kopke
Na margem sul do rio Douro, em frente ao centro histórico do Porto, a paisagem de Vila Nova de Gaia é marcada por armazéns de vinho do Porto e por uma sequência de caves que atravessaram séculos. Foi nesse cenário que surgiu o Tivoli Kopke, projeto que combina hotelaria contemporânea com um dos patrimônios vinícolas mais antigos da Europa.
O hotel está diretamente ligado às caves da Kopke, considerada a mais antiga casa de vinho do Porto ainda em atividade, fundada em 1638. A presença da vinícola não é apenas histórica: ela estrutura grande parte da experiência oferecida ao visitante, desde as visitas às caves até a forma como a gastronomia foi concebida.
Trata-se de uma construção recente em um cenário centenário. A proximidade com as caves permite que o hóspede circule entre áreas que preservam barricas e estruturas usadas no armazenamento do vinho ao longo de gerações. Durante séculos, o vinho era produzido no vale do Douro e transportado rio abaixo até Gaia, onde permanecia envelhecendo antes de seguir para exportação. Hoje, embora o sistema logístico tenha mudado, as caves continuam sendo parte essencial da cultura local.
As obras de arte espalhadas pelos ambientes também pertencem ao acervo do grupo vinícola, o que cria um contraste interessante entre o contemporâneo e os elementos históricos. O próprio layout do hotel incorpora referências ao vinho. As alas do edifício recebem nomes inspirados em estilos clássicos do Porto — Ruby, Tawny e White Port — uma forma discreta de integrar a tradição vinícola à arquitetura.

A cozinha de Nacho Manzano
O grupo convidou o chef espanhol Nacho Manzano para assinar a gastronomia do complexo. O cozinheiro dirige o restaurante Casa Marcial, nas Astúrias, com três estrelas Michelin.
Embora não seja português, Manzano trabalha com ingredientes e técnicas que aproximam as cozinhas do norte da Espanha e de Portugal. Ambas compartilham uma relação forte com peixes, mariscos e preparações baseadas em produtos de temporada. O chef construiu, então, um repertório pensado especificamente para o contexto do Douro e para a presença do vinho como elemento central da experiência.
O principal restaurante do hotel é o 1638, cujo nome faz referência ao ano de fundação da Kopke. A proposta segue o formato de menu degustação, servido em sequências de nove ou doze etapas. O percurso gastronômico pode ser acompanhado por harmonizações que incluem diferentes estilos de vinho do Porto e rótulos de outras vinícolas do grupo.
A segunda proposta gastronômica do hotel é o Boa Vista, restaurante de perfil mais informal. Por lá o serviço é de pratos à la carte, mantendo a mesma atenção à execução e aos produtos. É nesse espaço que é também servido o café da manhã bastante completo do hotel, que inclui embutidos, queijos típicos, doces e uma enorme variedade de opções para diferentes paladares.
Peixes grelhados, mariscos e receitas inspiradas na tradição portuguesa aparecem no cardápio durante o almoço ou jantar, muitas vezes reinterpretados com técnicas contemporâneas. A vista para o Douro e para o centro histórico do Porto completa a experiência.

Um novo capítulo da hotelaria no Douro
Projetos como o Tivoli Kopke mostram como a hotelaria portuguesa tem buscado novas formas de dialogar com a região em que está inserida. No caso de Gaia, é inevitavelmente o vinho. Ao integrar caves históricas, cozinha contemporânea e uma vista privilegiada do Douro, o hotel se conecta a diferentes camadas da cultura local.
Mais do que um hotel gastronômico, o Tivoli Kopke opera como um ponto de convergência entre cozinha, história, vinho e paisagem em uma região que construiu sua reputação ao longo de séculos de produção vinícola.
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