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Belo Horizonte,03/04/2026

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Rios como rota do tráfico aumentam violência no interior do AM, diz estudo

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Rios como rota do tráfico aumentam violência no interior do AM, diz estudo
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Um estudo feito pelo projeto “Amazônia 2030” apontou que o uso de rios como rotas de tráfico de drogas, principalmente de cocaína, tem provocado o aumento da violência e da presença de facções no interior do Amazonas.


Segundo o estudo “Da exploração ilegal de recursos naturais ao tráfico internacional de cocaína: padrões de violência na Amazônia brasileira”, nos últimos 20 anos, as hidrovias amazônicas se tornaram rotas cada vez mais significativas para o tráfico do entorpecente.


O estudo ainda destaca que o uso das rotas fluviais passou a ser intensificado em meados dos anos 2000, em resposta a uma política de interdição aérea, implementada em 2004 e vigente até os dias de hoje.




O documento aponta que a medida provocou um aumento de forma significativa os custos relacionados ao transporte aéreo de drogas na região. Essas rotas, portanto, passaram a conectar países produtores andinos (nações sul-americanas atravessadas pela Cordilheira dos Andes) às cidades da Amazônia, como Manaus, e, posteriormente a outros mercados nacionais e internacionais.


Ao longo dos anos 2000 e 2010, esse cenário foi acompanhado por um aumento gradual no número de mortes na região, com um salto mais expressivo a partir de 2018. Esse crescimento acompanha a mudança na dinâmica da violência na Amazônia, impulsionada pela ampliação da presença de facções criminosas.


Nesse contexto, o uso intensificado das hidrovias passou a expor ao tráfico comunidades antes isoladas, contribuindo diretamente para o avanço dos índices de homicídio nessas localidades.


Os dados reforçam essa tendência, até 2017, apenas 29% das mortes associadas a fatores de risco estavam relacionadas à atuação de facções criminosas.


Já no período entre 2018 e 2023, esse percentual sobe para 56%, evidenciando o fortalecimento desses grupos e seu impacto crescente na violência da região.


‘Economia’ ilícita e violência


Entre 1999 e 2023, a região da Amazônia Legal teve 18.755 homicídios a mais do que teria registrado se tivesse seguido a mesma trajetória das demais cidades de pequeno porte do Brasil, o que revela uma diferença em relação ao padrão nacional. 


O projeto Amazônia 2030, divulgou, em março, o estudo “Da exploração ilegal de recursos naturais ao tráfico internacional de cocaína: padrões de violência na Amazônia brasileira”, que investiga a evolução dos homicídios e sua relação com diferentes atividades ilegais na região. 


O estudo mostra a mudança de padrão nos homicídios nas últimas duas décadas. Até meados dos anos 2000, a maior parte deles estava ligado à exploração de madeira. Já a partir dos anos seguintes, aumentarem as mortes relacionadas à grilagem de terras e à mineração ilegal de ouro. 


A partir de 2015, teve uma mudança: o aumento da presença de facções criminosas do tráfico de drogas em casos de homicídio. As facções passaram a responder por 56% das mortes associadas a fatores de risco na região desde 2018. Confira o estudo na íntegra


Esses quatro fatores de risco – exploração de madeira, facções criminosas do tráfico de drogas, grilagem de terras e a mineração ilegal de ouro – explicam cerca de 60% do excesso de homicídios, o equivalente a aproximadamente 5.500 mortes adicionais, entre 2018 e 2023.


*Sob supervisão de AR.




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