De idols a fashion icons: como o K-pop redefiniu o poder na moda global

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Nos últimos anos, a indústria da moda assistiu a uma mudança silenciosa e decisiva: o eixo de influência deixou de ser exclusivamente ocidental. No centro desse movimento estão os idols sul-coreanos, que ultrapassaram o status de estrelas da música para se consolidarem como referências globais de estilo, ocupando campanhas, primeiras filas e contratos de embaixadoria com algumas das maiores maisons do mundo.
Esse fenômeno acompanha a expansão da chamada Hallyu, ou “onda coreana”, termo que surge no fim dos anos 1990 para descrever a crescente exportação da cultura sul-coreana, inicialmente impulsionada pela popularidade de dramas televisivos em países asiáticos.
A partir dos anos 2000, o movimento ganha escala com o avanço do K-pop e, mais recentemente, com o reconhecimento internacional do cinema do país, consolidando a Coreia do Sul como um polo cultural relevante. Mas, diferente de outras fases de exportação cultural, agora a influência não se limita ao entretenimento. Ela molda comportamento, consumo e, principalmente, estética.
BLACKPINK: o blueprint da influência global
As integrantes do BLACKPINK são hoje alguns dos nomes mais consolidados na relação entre K-pop e moda de luxo.
Jennie, frequentemente associada à Chanel, construiu uma imagem que mistura códigos clássicos com uma abordagem jovem e digital, influenciando diretamente tendências e esgotando peças em questão de horas.

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Jisoo ocupa o posto de embaixadora global da Dior, enquanto Rosé mantém uma forte ligação com a Saint Laurent, refletindo uma estética mais minimalista e rock’n’roll.

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Já Lisa reforça o apelo jovem e cool da Louis Vuitton, reforçando o nome do grupo como um dos principais vetores de desejo da indústria.

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BTS: estratégia e alcance global
Se o BTS ajudou a abrir o mercado internacional para o K-pop, seus integrantes também passaram a ocupar posições estratégicas dentro da moda.
Jimin tornou-se embaixador da Dior e da Tiffany & Co., enquanto V lidera campanhas para a Celine e a Cartier.

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Também é um fato que a presença constante do grupo em desfiles e eventos reforça uma nova lógica de influência: esses artistas ajudam a traduzir o produto para uma audiência global altamente engajada.
Pioneiros e novos nomes
Vale lembrar que antes mesmo da atual explosão global, G-Dragon já estabelecia essa ponte entre música e moda. Associado há anos à Chanel, ele é frequentemente apontado como um dos primeiros idols a ocupar de forma consistente o espaço da alta moda.

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Mais recentemente, Hoyeon Jung ampliou essa presença, fortalecendo sua relação com a francesa Louis Vuitton.

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Anna, o grupo Meovv, poucas semanas após marcar presença no desfile de Primavera/Verão 2026 da Chloé, foi anunciada como a nova embaixadora global da maison. A artista destacou a conexão com o momento criativo da marca, afirmando sentir-se inspirada pela direção de Chemena Kamali. Sua estreia aconteceu na campanha da bolsa Paddington.

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Do palco à passarela, San levou seu carisma para a Dolce & Gabbana como novo embaixador. Sua aproximação com a grife começou no evento de Alta Moda em 2024 e se consolidou com presenças nos desfiles de Primavera/Verão 2025 e Outono/Inverno 2025.

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Soyeon assumiu o título de embaixadora da Coach na campanha de outono “Revive Your Courage”, ao lado de Elle Fanning e Lilas Moss.

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Lee Know, do Stray Kids, foi anunciado como embaixador global da Gucci após aparições como o desfile Cruise 2025 e a turnê “Dominate”, consolidando sua relação com a maison.

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Para as marcas, o interesse é direto: alcance e conversão. Os idols operam em uma escala digital difícil de replicar por modelos tradicionais. Cada aparição pública, postagem ou look de aeroporto pode gerar impacto imediato nas vendas, o chamado “sold out effect”.
Há também uma mudança estética acontecendo: a moda associada aos idols tende a ser mais híbrida, misturando alfaiataria com streetwear, gênero com fluidez e referências locais com códigos globais. Esse repertório visual, amplificado pelas redes sociais, contribui para uma democratização do luxo, não no preço, mas na forma como ele é consumido e interpretado.
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