Ovo de Páscoa em fatia: de grandes redes a pequenos confeiteiros, tendência se torna aposta em 2026

Quem acompanha as redes sociais com frequência já deve ter se deparado com um tipo diferente de ovo de Páscoa neste ano, a versão em fatias. Divido em até seis pedaços, o ovo é formado por partes individualmente recheadas, possibilitando a criação de um único ovo com sabores variados. Entre confeiteiros, a ideia já virou tendência e uma das principais apostas para a Páscoa tanto de pequenos empreendedores como de grandes redes do setor.
A Cacau Show é uma das marcas que abraçou a proposta. Com dois SKUs no formato, a rede apostou em uma versão com três fatias, sendo os sabores pistache e merengue de morango fixos e um terceiro pedaço que varia entre coco caramelizado e mil folhas. Com 360 g, o produto é vendido a partir de R$ 119,99.
De acordo com Lilian Rodrigues, diretora de marketing da Cacau Show, a decisão de aderir aos ovos em fatia veio da observação do comportamento dos consumidores. “A gente acompanha tendências culturais e de consumo o tempo todo, principalmente o que viraliza nas redes, e esse formato ‘em fatias’ apareceu com força em conteúdos de confeitaria e sobremesas. Vimos ali um sinal claro do que o consumidor está buscando agora: experiência, compartilhamento e a chance de provar mais de um sabor no mesmo produto”, diz.
Para lançar o produto a tempo, a empresa colocou o pé no acelerador. Segundo Rodrigues, foram 20 dias entre identificar a tendência, prototipar e preparar o lançamento nas lojas. “Em projetos tradicionais, o desenvolvimento pode levar meses, porque envolve testes, ajustes de fórmula, embalagem e escala. Neste caso, por ser um produto artesanal e de tiragem limitada, conseguimos encurtar etapas e mobilizar rapidamente o time de P&D para adaptar moldagem e montagem", aponta.
De acordo com a diretora de marketing da rede, por ser um piloto artesanal, a projeção é de uma produção de até 5 mil unidades nesta Páscoa, distribuídas exclusivamente em duas lojas: na Mega Store Morumbi e na Mega Store Itapevi. “Nossa expectativa é vender o lote destinado a essas unidades, e usar o resultado para medir aceitação”, afirma a executiva.
O potencial da tendência rompeu o setor do chocolate e se tornou uma aposta até para negócios focados em outras sobremesas. É o caso da The Best Açaí. Focada na oferta self-service de açaí e sorvetes, a rede lançou o “ovo em pétala” no início de março. Nas lojas da marca, o cliente escolhe fatias de ovo de chocolate recheado e as utiliza como base para o buffet.
Assim como na Cacau Show, a rede de açaís afirma que a decisão de incluir a tendência na estratégia de Páscoa foi motivada por um monitoramento das redes sociais. “Esse é um movimento que já adotamos na Páscoa anterior, acompanhando tendências emergentes, e neste ano conseguimos identificar essa oportunidade com ainda mais antecedência”, diz Sergio Kendy, sócio-fundador e CEO da The Best Açaí.
O modelo segue o padrão do self-service da companhia, no qual o cliente paga pelo peso. Segundo Kendy, é possível consumir uma fatia a partir de aproximadamente R$ 10. A fatias utilizam como base chocolate branco e preto, e os recheios acompanham os cremes disponíveis em loja, com destaque para os de avelã, pistache, leitinho e geleia de morango.
Para o fundador, o principal desafio para lançar o item foi estruturar a operação em escala nacional para garantir o abastecimento para mais de 800 lojas. “Para isso, desenvolvemos instruções específicas e fornecemos os materiais necessários para que os próprios franqueados produzam as pétalas em suas unidades”, afirma. De acordo com Kendy, a estimativa é de comercialização superior a 70 mil fatias de ovo em toda a rede, considerando o período sazonal da Páscoa.
Na avaliação de Márcio Zago, coordenador de Gastronomia do Senac Goiás, o sucesso dos ovos fatia pode ser explicado por alguns fatores, incluindo o apelo visual para divulgação nas redes sociais e em vitrines de confeitarias, além da possibilidade de ofertar diferentes sabores em um único produto.
“O ovo de Páscoa em fatia também representa uma oportunidade interessante para pequenos empreendedores e produtores artesanais. Ele permite começar com uma produção menor, testar sabores e criar produtos personalizados, o que pode ser um diferencial importante em datas sazonais como a Páscoa”, comenta Zago.
No Senac Goiás, um curso específico para a produção do item começou a ser ofertado no início deste mês. Com 15 alunos por turma, a instituição já encaminha o fechamento do quarto grupo de alunos, que incluem pequenos empreendedores.
No estado vizinho, a Nath do Céu, confeitaria da região metropolitana de Belo Horizonte (MG), é um dos exemplos de pequeno negócio que deve ter o faturamento deste ano impulsionado pela tendência. “Vi o ovo em fatia ganhar destaque nas redes sociais recentemente e percebi que seria uma opção muito atrativa, tanto pela apresentação quanto pela possibilidade de o cliente montar combinações com até seis sabores diferentes”, afirma Nathália Assumpção, fundadora da Nath do Céu.
De acordo com a empreendedora, o produto teve procura já no início das divulgações, que começaram ainda em fevereiro. Ela afirma que a demanda pelos ovos em fatia já supera os ovos de colher e que a agenda de encomendas será encerrada antes do mês de abril para garantir a produção.
No cardápio, Assumpção trabalha com sete sabores diferentes, e o cliente pode montar o pedido escolhendo a casca e os recheios. A versão de três fatias é vendida por R$ 60 e a de seis fatias é comercializada por R$ 95. “Acredito que o ovo em fatia deve representar cerca de 70% das vendas totais da Páscoa deste ano”, diz.
Além de apoiar o faturamento da Páscoa, a confeiteira afirma que vê no ovo em fatia uma porta de entrada para novos clientes conhecerem a marca. “Estou organizando os contatos dos clientes junto com o bairro onde moram para apresentar outros produtos após a Páscoa e manter esse relacionamento ao longo do ano”, aponta.
Na avaliação de Zago, do Senac, é importante que os empreendedores que aderirem à tendência usem a demanda de forma estratégica. Para garantir a possibilidade de retenção da clientela, ele afirma que o confeiteiro deve avaliar a capacidade de produção, a disponibilidade de insumos e o posicionamento do negócio. “Muitas vezes, ele não substitui o ovo tradicional, mas funciona muito bem como um complemento de portfólio, ampliando as possibilidades de venda”, indica.
Além disso, o especialista afirma que a precificação precisa considerar o custo total da produção: chocolate, recheios, embalagem, mão de obra e despesas indiretas. A partir disso, o empreendedor deve aplicar sua margem de lucro e observar o posicionamento do produto no mercado. “Como o ovo em fatia tem forte apelo visual e valor agregado, ele permite trabalhar com uma boa margem, desde que a apresentação e a qualidade estejam alinhadas com o preço”, conclui Zago.
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