Beatriz de los Mozos, em conversa com a Bazaar, fala sobre criação e liderança da Flabelus

Foto: Divulgação
Provavelmente, você já se deparou com as sapatilhas mais viralizadas da Europa: são de tecido, super coloridas e cheias de personalidade. A criação leva assinatura da Flabelus, marca espanhola que uniu alpargatas e a furlane – sapato tradicionalmente usado por gondoleiros venezianos – para criar um novo design. O modelo nasceu de um estalo de Beatriz de los Mozos, apaixonada pelo sapato criado no século XIX: ao unir os dois designs, a empresária criou a Flabelus.
O sucesso atravessou o oceano e conquistou as fashionistas brasileiras, e a marca promove uma ação nesta terça-feira (24.03), se aproximando do mercado nacional. Presente em mais de 120 países e com 700 pontos de venda ao redor do mundo, a Flabelus, fundada por Beatriz de los Mozos, prepara sua chegada com uma temporada de encontros em São Paulo. E é possível adquirir os modelos na The Club ou pelo e-commerce da marca, com envio para o Brasil.
“A América Latina é a segunda região que mais gera receita para a Flabelus, atrás apenas da Espanha. As condições climáticas, a abertura para novas marcas e o cenário competitivo oferecem mais espaço para crescimento quando comparados à Europa e aos Estados Unidos”, explica a fundadora da marca, cujas peças chegam ao País com valores entre R$1.590,00 e R$ 2.490,00.
Coloridas e confortáveis, as sapatilhas conquistam o mercado por sua proposta estética voltada ao lúdico, com combinações de cores e padronagens. A marca mantém sua própria fábrica em Alicante, na Espanha, onde opera um centro de produção que une técnicas tradicionais de costura manual a processos contemporâneos. Nesse contexto, o contemporâneo não está na ruptura com o passado, mas em sua reinterpretação: um modelo que alia o saber artesanal a uma visão global, sustentável e estratégica, no qual tradição e inovação coexistem como pilares de um novo luxo. Em entrevista à BAZAAR, Beatriz de los Mozos apresenta mais detalhes do universo da Flabelus. Leia abaixo:

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Harper’s Bazaar Brasil – Qual foi o momento em que você percebeu que a alpargata poderia ir além do tradicional?
Beatriz de los Mozos – Foi por uma ideia catalítica a partir da alpargata. Eu era profundamente apaixonada pela furlane italiana, mas ela era plana demais para mim. Tentei reinterpretá-la para lhe dar um formato diferente e, toda vez que eu abordava um novo fornecedor, ouvia: “é assim que sempre foi feito e não podemos mudar”. Foi então que pensei: qual sapato também é feito à mão, mas tem uma estrutura confortável? Lembrei da alpargata espanhola. Comecei a falar com fábricas na Espanha e lhes contei minha ideia. Queria a estrutura forte da alpargata e o visual elegante da furlane. Ao tecer esses dois mundos, a força da alpargata e a graça da furlane, a Flabelus nasceu.
HBB – A estética da marca transita entre o lúdico e o sofisticado. De onde vem esse imaginário?
BDLM: No equilíbrio da beleza. Para mim, é simples: tudo nasce do meu próprio mundo mágico, no qual me inspiro a partir de uma imensa quantidade de livros que li ao longo da vida. Todo ano definimos um novo personagem e, assim, criamos um universo que nasce diretamente da nossa interpretação desse personagem. Valores como o artesanal, as cores, a qualidade e o conforto são representados como uma parte tangível desse universo mágico. Nós nunca nos entendemos como uma empresa tradicional.
HBB – Existe alguma referência artística, literária ou cinematográfica que permeia suas coleções?
BDLM – Sim, com certeza. Nosso universo criativo é cheio de personagens literários que dão forma aos nossos sapatos. Este ano, escolhemos a Dorothy [de “O Mágico de Oz”]. Caminhar ao lado dela tem sido uma revelação. Estou fascinada! A atitude corajosa de deixar para trás todo o passado familiar para descobrir quem você realmente é. Dorothy representa esse equilíbrio bonito e frágil entre vulnerabilidade e determinação. É uma história sobre descobrir sua própria casa dentro de si mesma, e isso ressoa profundamente com o que fazemos. É por isso que, a cada ano, escolhemos um personagem. Aprendemos muito com eles.
HBB – A Flabelus está presente em 120 países. Como você protege a identidade da marca em meio à expansão?
BDLM – Nós mantemos nossa alma enquanto crescemos. Para mim, identidade é algo inegociável. Flabelus não é apenas sobre vender sapatos, é uma forma de ver o mundo por meio do feito à mão e com um coração mágico. Quando você tem essa clareza sobre quem você é, a expansão não dilui, ela amplifica sua voz. Nós não tentamos mudar para cada mercado; buscamos pessoas que naturalmente falam a nossa língua. É sobre crescer mantendo o senso de intimidade intacto. E, claro, fazemos uma curadoria cuidadosa de cada ponto de contato: do produto ao varejo, passando pelo storytelling.
HBB – Por que o Brasil? O que te chamou atenção para trazer a marca para cá?
BDLM – O Brasil parece um espelho para a Flabelus. Há um pulso natural de cor, alegria, coragem e expressão que nos faz sentir em casa. Não estamos apenas olhando para grandes mercados, estamos olhando para pessoas que nos entendem intuitivamente e se conectam conosco por meio das emoções. O Brasil tem uma sensibilidade estética que é, ao mesmo tempo, profunda e aberta – é uma cultura que não tem medo de abraçar o novo enquanto celebra suas raízes.
HBB: O que podemos esperar da marca aqui?
BDLM: Muitas coisas! Estamos evoluindo constantemente, mas sem pressa de implementar tudo de uma vez. Acredito em um crescimento orgânico, daquele tipo que respira. Mais do que novas categorias, sonho em experiências – formas de viver o universo da Flabelus além do objeto em si. Quero criar espaços, viagens e compartilhar momentos imersivos e acolhedores. Quero construir uma comunidade verdadeira pelo mundo, na qual a conexão seja humana e genuína.
HBB: Você enxerga o Brasil como uma fonte de inspiração?
BDLM: Com certeza. A inspiração muitas vezes surge de culturas que abordam a estética com mais liberdade. O Brasil tem essa incrível habilidade de misturar, experimentar e abraçar a alegria. Isso transforma os próprios códigos e isso é sempre enriquecedor.
HBB: Como a peça se encaixa na rotina e no cotidiano da mulher brasileira? O público daqui demanda alguma adaptação?
BDLM: A Flabelus nasceu para a mágica do cotidiano. Vivemos em um espaço especial entre o formal e o casual, que oferece algo confortável como um tênis, mas intencional como uma obra de arte. Acredito que isso combina perfeitamente com a mulher brasileira, justamente por essa versatilidade. Ouvimos o ritmo de cada lugar, mas nunca comprometemos nossa essência. No fim do dia, o que realmente gera conexão entre as pessoas é a autenticidade. Claro que cada mercado pede toques especiais, e temos o prazer de explorar isso junto a marcas locais. Adoramos conhecer e nos misturar com a cultura local para criar uma sinergia que amamos.
HBB: Agora, para encerrar de forma mais leve: se a Flabelus fosse uma cidade, um aroma, um filme e uma obra de arte, quais seriam?
BDLM: Se tivéssemos que destilar nossa alma… Uma cidade seria como uma ponte dos sonhos entre Madrid e Veneza: cheia de personalidade, romance e história. Um aroma seria algo limpo e atalcado, como uma memória de casa com um abraço quente e duradouro. Um filme seria guiado por personagens complexos, visualmente ricos e, quem sabe, um pouco nostálgico, mas sempre cheio de luz e com uma vida interior profunda. E a obra de arte seria, definitivamente, algo feito à mão, com aquelas imperfeições humanas que nos lembram que aquilo tem alma.
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