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Belo Horizonte,04/04/2026

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Ela fez uma proposta para ícone do design mobiliário no Brasil e hoje exporta para 29 países

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Ela fez uma proposta para ícone do design mobiliário no Brasil e hoje exporta para 29 países
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Durante décadas, parte dos móveis mais conhecidos do design brasileiro desapareceu das vitrines. Foi o caso das peças criadas pelo arquiteto e designer Sergio Rodrigues (1927-2014), autor da poltrona Mole, um ícone do design brasileiro e reconhecido internacionalmente. Presentes em livros, museus e projetos de arquitetura, essas peças ficaram cada vez mais raras para venda em lojas desde a saída de Sergio Rodrigues da marca Oca, em 1968.
Foi dessa ausência que nasceu a LinBrasil, empresa criada para recolocar em circulação as obras de Sergio Rodrigues, com produção autorizada pelo designer e controle rigoroso para manter a fidelidade aos projetos originais. Com portfólio de 49 peças assinadas por Rodrigues, dez profissionais na equipe interna e parceiros para a produção dos móveis, além de uma rede que inclui duas fábricas e artesãos responsáveis por etapas específicas do processo, a empresa cresceu 98% nos últimos cinco anos, diz Gisèle Schwartsburd, fundadora da LinBrasil.
Em 2026, para marcar o aniversário de 25 anos da empresa, que atua como editora do mobiliário do designer, serão apresentadas novidades dentro da própria linha criada por Rodrigues. “É algo que não ocorre desde 2019”, diz Schwartsburd, sem antecipar detalhes dos lançamentos. “A estratégia é manter a produção de peças icônicas de Sergio Rodrigues e total lealdade aos projetos originais”, conta.
Em 2025, a empresa vendeu cerca de sete mil peças, com tíquete médio de R$ 5.250,00, para peças vendidas no país, e R$ 8.024,00, no mercado externo. A distribuição é feita por meio de 33 lojas parceiras no Brasil e de pontos de venda localizados em 30 cidades de 29 países.
“Essa diferença de tíquete médio entre nacional e internacional se dá em parte, porque, no mercado brasileiro, vendemos produtos com a madeira de tauari, e para o internacional, com madeira de imbuia. Além disso, no mercado como um todo, o preço para o mercado externo sempre costuma ser um pouco mais caro, já que os valores para caso de retorno e assistência no pós-venda custam mais”, diz Schwartsburd.
Antes de criar a empresa, Schwartsburd construiu sua trajetória profissional ligada à área cultural e ao comércio de móveis. Formada em desenho industrial e comunicação visual pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), a empresária foi bailarina e atriz antes de migrar para o setor moveleiro, atividade que já fazia parte da história da sua família. Os pais da empreendedora eram moveleiros.
“Minha trajetória profissional começa com a dança e depois com o teatro, mas eu também cursei três anos de desenho industrial e comunicação visual em Curitiba, na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Na época, optei por me dedicar à dança”, detalha.
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Fidelidade aos projetos originais
Nos anos1990, Schwartsburd já estava trabalhando com móveis, mas com foco em designers que admirasse. Tudo mudou em 1999, quando a empreendedora visitou uma exposição de mobiliário brasileiro com a curadoria do antiquário Arnaldo Danemberg, no Rio de Janeiro.
“Foi nessa exposição que eu tive o contato com toda a história da cadeira brasileira. Ao mesmo tempo que estava encantada por relembrar esses ícones, também fiquei decepcionada por não ver mais esses móveis nas vitrines do comércio”, diz Schwartsburd. “Nessa época, nós éramos fortemente influenciados pelos móveis italianos e americanos que vinham aos montes pro Brasil, enquanto não se encontrava nenhuma loja que vendesse os móveis brasileiros”, completa.
Depois de visitar a exposição e decidir que queria retomar a produção daqueles móveis, Schwartsburd precisava encontrar uma forma de falar com Sergio Rodrigues. Sem contatos diretos no meio do design, ela recorreu à lista telefônica, conseguiu localizar o número do designer no Rio de Janeiro e teve a sorte de falar diretamente com ele.
Na conversa, Schwartsburd comentou sobre sua proposta de trabalho e Rodrigues disse que costumava tratar dessas questões com a esposa, mas não fechou portas. O designer mencionou que daria uma palestra em um evento e sugeriu que ela o encontrasse lá para apresentar a proposta.
Foi nesse encontro que Schwartsburd conseguiu expor a ideia de produzir novamente as peças do designer, com um modelo de licenciamento e o compromisso de manter a fidelidade aos projetos originais. "O modelo de trabalho que apresentei tinha uma abordagem diferente das propostas que o designer vinha recebendo até então", conta a empreendedora.
Antes mesmo de iniciar a fabricação, no início dos anos 2000, a LinBrasil estruturou um acordo formal com o designer e sua família, garantindo os direitos de produção e o pagamento de royalties. A proposta central era manter fidelidade absoluta aos projetos originais.
“Antes de mim, outros tinham tentado fabricar os móveis do Sergio Rodrigues, só que eles sempre apareciam com propostas de mudar a construção do móvel, de tentar facilitar a fabricação para aumentar a quantidade. Pela experiência, eu sabia que havia fábricas aptas a executar esses móveis com a maior fidelidade possível e foi assim a minha proposta: seguir fielmente os desenhos do Sergio”, ressalta.
Vendas aumentaram nos últimos cinco anos
Hoje, o contrato completa 25 anos e continua em vigor. O portfólio inclui algumas das mais conhecidas de Sergio Rodrigues, como as poltronas Mole, Kilin e Diz e o banco Mocho. Os móveis são produzidos sob encomenda para lojistas parceiros, com coordenação centralizada da LinBrasil.
A produção envolve duas fábricas principais e profissionais especializados responsáveis por etapas específicas do processo, como tingimento de couro, fabricação de ferragens e tornearia de madeira, e cada componente é desenvolvido a partir dos desenhos originais para depois passar por uma conferência técnica antes de chegar ao cliente final.
Ao longo de mais de duas décadas, a empresa teve dois grandes momentos de ganho de visibilidade. Um deles ocorreu em 2007, quando a LinBrasil apresentou pela primeira vez um showroom dedicado a Sergio Rodrigues durante a feira de design de Milão, na Itália.
“Foi em 2007 que realmente a gente conseguiu impulsionar as vendas. A partir daí é que realmente o Brasil começou a olhar pra dentro de si e reconhecer a qualidade do design do Sergio Rodrigues.”
Outro impulso veio durante a pandemia, quando a permanência das pessoas dentro de casa fez com que os consumidores começassem a investir mais em mobiliário. “Durante esse período, as pessoas olharam para dentro de si e para dentro de suas casas. Como elas não podiam mais viajar, começaram a pensar no que poderiam melhorar dentro de casa, e realmente foi um boom de vendas.”
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