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Belo Horizonte,04/04/2026

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Addison Rae: por que a cantora virou a diva da geração Z

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Addison Rae: por que a cantora virou a diva da geração Z
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Do TikTok ao álbum “Addison”, artista transformou ironia de internet, glamour Y2K e referências pop em uma personagem que entendeu o próprio tempo. Foto: Montagem.


Se a fama é uma arma, Addison Rae aprendeu a disparar com precisão. Estrela que explodiu para o grande público no auge do TikTok, entre danças virais, lipsyncs e um tipo de fama que parecia instantânea demais para durar, ela nunca se contentou em ficar presa nessa caixinha de influencer. Desde cedo, a americana empurrou a própria imagem para além dos limites do conteúdo digital. Queria cantar, atuar, construir um visual próprio e provocar conversa. Em 2025, esse desejo ganhou forma com o lançamento de “Addison”, seu álbum de estreia. No início de 2026, veio um reconhecimento que ajuda a explicar a virada: a indicação ao Grammy na categoria de Artista Revelação e a performance de “Fame Is a Gun” na cerimônia.


Se existe hoje uma diva pop calibrada para a lógica da Geração Z, ela atende pelo nome de Addison Rae. Não porque repita fórmulas de divas do passado, mas porque entendeu uma verdade simples: no pop contemporâneo, personagem, imagem, música e internet precisam respirar em sintonia. O que ela faz com maestria é transformar tudo isso em persona. Há nela um núcleo de diva debochada, apaixonada por referências escancaradas da cultura pop, mas que ainda valoriza o glamour. Não se trata de paródia nem de nostalgia pura. É performance com senso de humor afiado e total controle de imagem.


 


Rebranding de tiktoker para cantora



Addison Rae já vinha testando caminhos na música desde 2021, com o single “Obsessed”, que não decolou e foi bastante criticado, mas foi quando “Diet Pepsi” apareceu, em 2024, que a narrativa mudou de verdade e seu rebranding de pura TikToker para cantora pop se consolidou. O single abriu uma fase mais precisa, com vídeo em preto e branco, clima de fantasia americana, lingerie vintage, barrette no cabelo e um repertório visual que passava por Marilyn Monroe, Kate Moss, Cindy Crawford e Madonna. No papo com Mel Ottenberg da Interview, que assinou a direção criativa do vídeo, ela deixou claro que Addison conhece suas referências e sabe organizá-las num imaginário pop próprio. Depois vieram “Aquamarine”, “High Fashion” e, enfim, o álbum “Addison”, lançado em junho de 2025.


Addison Rae não tentou fingir que nunca foi produto da internet. Em vez disso, preferiu reaproveitar essa origem, limpar o excesso, afinar a estética e transformar uma fama que parecia descartável em linguagem artística. Até a órbita ao redor dela ajudou a consolidar essa nova fase, com Charli XCX atuando como colaboração, influência e um importante aval simbólico para sua transição de TikToker para artista pop.


 


Ícone de estilo com memória dos anos 2000






Boa parte da força de Addison Rae está na roupa. Ela não usa a moda como mero acabamento, mas como argumento central. Com a stylist Dara Allen, construiu uma imagem que mistura peças de arquivo, sensualidade pop, humor e improviso calculado. Em 2024, entrou no radar do luxo com campanhas para Saint Laurent e Marc Jacobs x Vaquera, além de marcar presença no desfile da Miu Miu. Ainda assim, consegue trocar um look Thom Browne por um moletom sem perder a coerência da personagem cunty que apresenta.


Seu vocabulário visual dialoga diretamente com os anos 2000, sem cair em fantasia nostálgica. Em entrevista à Harper’s Bazaar, citou Mariah Carey e Madonna como referências, mas é o flerte constante com a cintura baixa que evoca fortemente Britney Spears no auge da era Y2K — low-rise jeans, sensualidade despretensiosa e provocação inocente. Addison defende que a cintura baixa nunca saiu do seu repertório, e essa escolha revela o que a torna ícone: usa o passado com malícia e liberdade, exatamente como Britney fez.


 


O retorno da estética tumblr



Uma das jogadas mais inteligentes de Addison foi recuperar a visualidade do Tumblr e do indie sleaze sem transformar isso em cosplay. Tem como não associar sua fase recente a essa volta do messy-chic de internet? Isso aparece nos vídeos, na beleza, no casting de colaboradores e nas pequenas citações que ela espalha sem pedir licença. É aí que entra o lado escrachado que faz dela uma diva debochada. Addison consegue puxar uma unha inspirada no episódio judicial de Lindsay Lohan, posar fumando cigarro com os dedos do pé numa campanha de Petra Collins, brincar com showgirl, lingerie e exagero, e ainda assim manter uma linha de glamour. O truque está em nunca vender esse repertório como piada interna inacessível. Ela deixa a referência visível. Quase gritada, só que bem editada.


Chamar Addison Rae de diva da Geração Z faz todo o sentido. Ela captou uma contradição central do momento atual: o público quer pop star, quer fantasia e excesso, mas ao mesmo tempo exige consciência de meme, autoironia e proximidade. Addison entrega esse pacote com precisão, sem soar cínica demais nem polida demais. Ela entende que a graça está exatamente em habitar o espaço entre o glamour e a bagunça. E, hoje, poucas artistas jovens jogam esse jogo com tanta clareza. Esse é a verdadeira  síntese do camp dos dias de hoje. 


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