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Belo Horizonte,06/07/2026

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Ângela Barbosa Dias

Os Desdobramentos da Maternidade - Cap 08

RADIOTERAPIA

Lorenzo/ Arquivo Pessoal
Os Desdobramentos da Maternidade - Cap 08

Seguindo com muita fé e resiliência  aquela espera da autorização, meu coração  mendigava o inicio daquele tratamento, a Radioterapia  era determinante para a cura do Lolô , como mãe mantinha uma oração confiante no silêncio  do meu coração, que dias melhores se aproximavam.

Enfim , depois de 10 dias de internação  o plano  de Saúde  autorizou  o tratamento  do Lorenzo, momento que floresceu a nossa esperança ,credenciando nosso pequeno  a seguir nessa dura jornada.

Com muita rapidez  começaram os protocolos  para o processo da Radioterapia, Lolô realizou a Ressonância  Magnética, os técnicos  tiraram  as medidas  para os moldes e ficamos aguardando  o plano terapêutico  definido pelo Rádio Oncologista.

Uma vez concluído todo processo do planejamento,  o especialista  nos apresentou  que Lolô realizaria 31 sessões  de Radioterapia, cinco dias por semana. Que devido ao local do tumor  e sua tenra  idade, precisaria  fazer uso da anestesia geral, para  garantir  que  ele  ficasse  imóvel  no equipamento, permitindo  assim ,que os raios atingissem apenas a lesão, protegendo  os tecidos Saudáveis.



Nos informou que serviços de Anestesista  da Radioterapia  era uma empresa  contratada pelo hospital ,  que tínhamos que resolver  essas burocracias financeiras pessoalmente e relatou ainda que no  caso do Lolô seria usado a Anestesia Inalatória.

Vale ressaltar  que Anestesia  Inalatória é  uma técnica  de Anestesia Geral onde o paciente  inala vapores anestésicos misturados com oxigênio  através  de uma máscara .

O Radio Oncologista  continuou a esclarecer sobre  os efeitos  colaterais  que ocorrem  a curto prazo  desse tratamento ,como alteração  na pele, perda de cabelo, náusea, fadiga, cansaço  entre outros.

Aquelas palavras flagelaram minha alma, eu não podia impedir  e nem rejeitar o tratamento, era  nosso sopro de luz , apesar do caminho  tortuoso para alcançar  a cura, precisávamos perseverar.

Então final de setembro  Lorenzo  inicia sua primeira sessão da Radioterapia , ainda internado no hospital, experimentei um desconforto maternal, era preciso colocar naqueles dias uma armadura de coragem, era desumano  acordá-lo não poder alimentá-lo, naquele momento ele já estava sofrendo  os efeitos da medicação (Corticoide) era uma fome demasiada,  ele pedia seu mingau e eu precisava  negar, devido o protocolo da anestesia, era um território de muito sofrimento  emocional.

Atravessar aquela realidade  diária , era angustiante, sangrava minha alma, eu precisava  levá-lo até o equipamento, colocava ele deitado e o anestesista  vinha com a máscara, ele dormia rapidamente, nesse momento eu precisava  sair da sala. Deixá-lo sozinho naquele espaço  dilacerava meu coração, era uma dor  inexprimível e  eu sentia o desconsolo da maternidade.

Defrontar com esse período foi extremamente  desafiador, foram momentos difíceis demais, destaco o estresse  com a equipe da anestesia ,  alguns profissionais não chegavam  no horário  combinado, e acabava atrasando a sessão do Lolô que dependia da Anestesia para iniciar , aquele choro de fome, de irritabilidade e cansaço  destruía minha maternidade , aquela falta de empatia com um menininho de quatro anos que estava sendo um grande guerreiro, lutando pela vida, era  uma atrocidade com ele e com sua família que  pagava corretamente  aquele serviço.

A Radioterapia  na Maternidade me fez expandir todo meu amor sobre um filho que naquele momento eu não poderia protegê-lo e nem blindá-lo daquele tratamento, a cada sessão doía em mim, tudo aquilo que ele sentia , mas não sabia se  expressar, sei que ele queria estar desfrutando da simplicidade  de ser criança, mas eu precisava bloquear a sua vontade.

Esse período foi uma tristeza  silenciosa de uma mãe que via nos olhos das pessoas um sentimento de pena, de lamentação e dor, aquele espaço era sofrido demais, ali todos lutavam pela vida.

Lolô, por ser a única criança a realizar a Radio naquele período,  era muito querido por todos, ganhava presentes, beijinhos e aos poucos as pessoas se aproximavam  para nos  acolher e compartilhar suas dores, era uma luta silenciosa de forma coletiva, ali experimentamos o sofrimento  agudo do Câncer.

A ciência  de maternar  não me ensinou que as mazelas do Câncer eram uma condição  humana dolorosa demais para uma criança.

Durante a Radioterapia depositamos toda esperança  de cura, por outro lado aquele tratamento era agressivo ao extremo, vimos  o  rostinho  do Lolô ficar muito avermelhado, seus cabelos começaram a cair, seu corpinho  demonstrava cansaço, até o dentinho perdeu  por causa da pressão da máscara, suportar tudo isso me fez atravessar um deserto  de profunda oração e entrega a Deus, era um avesso da vida, agonizante para qualquer  ser humano passar.

Como queria ter o poder de pegar o Lolô em meus braços e levar comigo para casa, ofertar uma infância feliz, sem remédios, sem injeção, sem exame, sem consultas, sem  Radioterapia, sem internação e sem dor.

Eu  e o pai do Lolô tínhamos uma cumplicidade  emocional em  tentar  ao máximo  dar um pouco de leveza na rotina do nosso pequeno, então enchíamos  ele de denguinho, não faltava amor,  presente, colinho, beijinho, suas comidinhas preferidas  e ainda tinha a parceria mais perfeita do irmão Henzo, que topava qualquer brincadeira  com ele, assim nossa  família seguia ressignificando memórias.

Finalmente,  em 12 de novembro,  chegamos ao término  da Radioterapia, durante esse período  tivemos muitas consultas com diversos especialistas  como: Oncologista, Radioterapeuta, Endocrinologista  entre outros , para acompanhar  esse tratamento, o coração fica ansioso para saber o resultado da Radioterapia, o especialista  nos informou  que Lolô iria fazer uma nova Ressonância  Magnética  um mês após a última sessão, apenas em dezembro e que janeiro voltaríamos a nos encontrar.

Administrar aquela espera não era fácil, mas 28 de  novembro era o aniversário  do LORENZO, ele completaria  5  anos, não poderíamos fazer  o  que tínhamos  planejado no inicio do ano, Lolô teria uma linda festa no Salão com muitos brinquedos, mas com a Pandemia  e sua   enfermidade tínhamos que ter muito cuidado com sua saúde devido sua imunidade .

Então resolvemos fazer uma festinha em casa, com  pouquíssimas pessoas e foi incrível  ver nos olhos dele tanta alegria de ver seu personagem  e suas guloseimas preferidas. Foi um dia Memorável  para nossa família.


Iniciamos o mês de Dezembro, animados com a proximidade  do Natal, Lolô amava as luzinhas, os enfeites e presentes  do Papai Noel. Resolvemos  caprichar na decoração, pois esse ano não íamos para casa da vovó, a noite  de Natal seria na nossa casa e Lolô já tinha escolhido  o cardápio:  pizza e pudim, e foi tudo do jeitinho que ele queria.

Mas nesse período,  Lorenzo teve uma recaída  na parte motora, apresentando muita dificuldade do lado  direito, não conseguia caminhar sozinho, rapidamente  entramos em contato com a oncologista  que aumentou  a dose do remédio, aos poucos ele  foi se  restabelecendo .

Tentando  deixar  as preocupações  de lado,  o que era quase impossível, precisávamos manter o brilho do Natal, então na manhã  do dia 25 de dezembro, assim que Lolô acordou, pedimos que ele  fosse  até a árvore  pegar seu presente que Papai Noel tinha deixado naquela noite,  logo  que ele viu aquele  embrulho, seus olhos brilharam  de alegria, era tão pesado que o pai precisou  carregar, ali sentamos com ele  para ajudar  a abrir,  ele amou seu caminhão gigante do seu desenho preferido, vivemos ali momentos  inesquecíveis do amor mais sensível  e puro  de uma criança sendo criança.


Termino esse capítulo, colocando toda minha confiança em Deus, porque  tratar o Câncer  Infantil é cruel demais. O processo da Radioterapia  nos machucou muito, era  preciso ser forte o tempo todo, enquanto o coração  sangrava, de ver o  nosso pequeno passando por um flagelo físico e emocional, sentimos uma dor imensurável.

Eu não  sabia os propósitos de Deus, diante aquela tempestade na minha maternidade, mas  eu tinha certeza de que naqueles momentos mais  excruciantes, Ele segurou nas  mãos da minha família amparando, fortalecendo e nos encorajando a continuar.

Assim seguimos com muita Fé aguardando o resultado da Ressonância  Magnética,  a cerca dos processos da Radioterapia, continuamos com muita esperança nessa  caminhada de cura...



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