Entenda risco de substância proibida nos esmaltes em gel da Impala
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou, nesta segunda-feira (16), o recolhimento de esmaltes em gel da Impala, fabricados pela empresa Laboratório Avamiller de Cosméticos LTDA.
A decisão da Agência foi publicada no Diário Oficial da União, que explicou que esses esmaltes possuem em sua formulação INCI Trimethylbenzoyl Diphenylphosphine Oxide (TPO).
Segundo a Anvisa, todos os lotes destes produtos devem ser recolhidos: Plus Gel Esmalte Impala Gel, Esmalte Gel Impala Gel Plus, Gel Plus Impala Esmalte Gel, Esmalte Gel Plus Impala e Top Coat Gel Impala Gel Plus Clear.
O que é TPO e qual o risco para a saúde?
O TPO é uma substância proibida em cosméticos no Brasil. Ele pode estar presente em produtos usados para fazer unhas artificiais em gel ou esmaltes em gel, que precisam ser expostos à luz ultravioleta (UV) ou LED.
O químico é utilizado para a secagem rápida do esmalte, sendo conhecido por ser eficiente em camadas espessas de esmalte. Em outras palavras, ele é usado como “motor” para o gel endurecer mais rápido sob a cabine de UV ou LED.
A proibição do uso dessas substâncias químicas em produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes tem como objetivo, segundo a agência, proteger a saúde da população contra riscos de câncer e problemas reprodutivos.
O TPO foi classificado como tóxico para a reprodução, podendo prejudicar a fertilidade e o desenvolvimento embrionário.
De acordo com a dermatologista Mariana Hafner, do Einstein Hospital Israelita, isso indica um risco presumido à saúde humana, embora tais efeitos ainda não tenham sido comprovados em estudos clínicos.
“As pesquisas em roedores foram realizadas com dosagens maiores e períodos de exposição prolongados a essas substâncias, diferentemente do que acontece com os humanos em sua rotina. Assim, são necessários mais trabalhos para confirmar qualquer relação direta entre a exposição a essas substâncias e danos à saúde, mas a Anvisa optou por atuar preventivamente diante desses possíveis riscos”, analisa Hafner em entrevista à Agência Einstein.
De acordo com a dermatologista Glauce Eiko, da Sociedade Brasileira de Dermatologia-Regional São Paulo (SBD), em pequenas quantidades ou em usos esporádicos de esmaltes com essa substância, o risco é baixo.
“No entanto, a exposição crônica, como especialmente a que acontece com os profissionais que lidam com esses produtos com frequência, pode levar a efeitos cumulativos no organismo, aumentando o risco de mutações celulares, que elevam a probabilidade de câncer, e afetar o sistema hormonal, prejudicando a fertilidade”, alerta à Agência Einstein.
A CNN Brasil tenta contato com a Impala. O espaço segue aberto.
*Com informações de Julia Naspolini e Julia Farias, ambas da CNN Brasil, e de Thais Szegö, da Agência Einstein
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