“Para o meu tipo de corpo, o simples é melhor”: Monica Bellucci explica por que não consegue viver sem um vestido preto
Por Ella Alexander, publicado originalmente em Harper’s Bazaar UK
Monica Bellucci realmente entende de glamour. É um visual nascido de sua herança italiana e de uma conexão profunda com os mundos entrelaçados da moda e do cinema, e um estilo ao qual ela se mantém fiel desde seus vinte e poucos anos; vestidos pretos curtos e elegantes que delineiam seu corpo, um ótimo par de saltos e cabelos negros em cascata. Se Bellucci não existisse, Fellini a teria inventado.
Bellucci, que celebrou seu 60º aniversário no ano passado, sempre soube quem ela é. Você não a encontrará se aventurando com proporções exageradas ou com os tênis badalados desta temporada; sua estética é atemporal. É a pura La Dolce Vita, uma expressão de personalidade e gosto, e uma valorização do caimento e da qualidade. Sua carreira é vasta, com papéis que manobram do cinema de arte e teatro a sucessos de bilheteria como as sequências de Matrix e o filme de Bond, Spectre. Quando ela fez sua estreia nos palcos como Maria Callas em Letters and Memoirs, ela se apresentou em três línguas diferentes em 10 países diferentes.
Neste fim de semana, ela apresentou a categoria de Melhor Documentário no BAFTA, recorrendo a Stella McCartney para um vestido preto completado por uma bolsa Roger Vivier e joias Cartier, uma maison com a qual ela trabalha há décadas. Bellucci escolheu duas peças da coleção En Équilibre Chapter II – High Jewellery: um colar de ouro branco 18k com safiras e diamantes, com um anel combinando. Nós a encontramos para descobrir como ela chegou ao seu visual de assinatura, o que o glamour realmente significa hoje e como sua herança italiana mudou a maneira como ela vê o mundo.
Harper’s BAZAAR – Você pode me falar sobre o seu visual do BAFTA?
Monica Bellucci – Eu usei Stella McCartney porque realmente amo as criações dela. O estilo é muito feminino e sensual, mas, ao mesmo tempo, também há algo muito fácil, simples e elegante. Faz com que eu me sinta confortável comigo mesma. Stella e eu já colaboramos antes; fui mestre de cerimônias no Festival de Cinema de Cannes de 2017 e, para a coletiva de imprensa, estava vestida com um de seus macacões pretos. As joias Cartier que usei ontem à noite eram muito importantes, então achei que era mais interessante ter um vestido muito bonito e discreto, com linhas simples, para tornar o contraste mais óbvio.
HB – Você trabalha com a Cartier há algum tempo — o que torna a marca um encaixe tão perfeito para você e seu estilo?
MB – Para mim, o trabalho da Cartier é mais do que joalheria; é uma forma de arte. A maison continua a criar peças incríveis ao mesmo tempo em que respeita a tradição. Admiro o modo de trabalhar deles e como as peças servem em todo mundo, não apenas em mim. Tenho muita sorte de ter a chance de usá-las. Para o BAFTA, escolhi um colar de pedras azuis claras e, quando você escolhe uma pedra específica, você se conecta com uma energia. Ela tem que se alinhar com a sua de alguma forma. Às vezes, as joias que amamos não são uma questão de preço; às vezes é uma questão de afeto. Tenho um anel simples que minha avó me deu, e ele não tem realmente um valor monetário incrível, mas, para mim, tem um valor enorme porque é sobre amor.
HB – O quanto você se envolve no estilo do seu visual para um evento como este?
MB – Eu me envolvo porque é importante escolher uma roupa que corresponda ao humor e ao sentimento da noite especial, como o BAFTA. Em geral, respeito tanto a moda porque comecei minha carreira como modelo, então conheço o trabalho por trás de cada coleção. Entendo a pressão disso e já vi designers tremendo nos bastidores antes de um desfile. Através da moda, podemos contar a história da sociedade através do tempo. É mais do que roupas, faz algo mais importante.
HB – Que tipo de moda faz você se sentir mais confiante?
MB – Gosto de linhas simples, porque tenho curvas, e prefiro o preto, geralmente. Mas também gosto às vezes de vermelho, às vezes branco, e às vezes até detalhes mais elaborados. Depende, mas na maioria das vezes, prefiro silhuetas simples. Para o meu tipo de corpo, o simples é melhor.
HB – Qual é a sua configuração ideal para se preparar?
MB – Gosto de um espaço privado e de tempo suficiente para não ter que me apressar. Também gosto de trabalhar com pessoas com quem me sinto confortável, meu maquiador e cabeleireiro favoritos, quando possível. Também gosto de ter algum tempo para me preparar porque, embora eu faça isso há muito tempo, estar em um tapete vermelho é sempre, para mim, um tipo de pressão. Quando você faz um filme, você está protegida de alguma forma. Estar em um tapete vermelho é diferente. Quando você está exposta diretamente ao público, isso sempre provoca uma emoção. A gritaria, todo mundo querendo sua fotografia, eu entendo, mas preciso de alguns momentos de calma antes para me preparar para tudo isso. Quando faço teatro, sinto o mesmo. Você doa e recebe uma energia; é um momento forte e você tem que lidar com isso.
HB – Como o seu estilo de tapete vermelho evoluiu ao longo dos anos?
MB – Tenho que dizer que, ao longo dos anos, percebi que sou bastante fiel a mim mesma, ao meu estilo e gosto. Como eu disse, sempre preferi peças simples e principalmente pretas. Há exceções, mas houve um fio condutor ao longo dos anos. Preciso me sentir confortável também. Tenho um relacionamento lindo com a moda, mas o vestido tem que servir em você, acompanhar seu humor e seu corpo. Ele tem que te proteger de alguma forma.
HB – Existe alguém cujo estilo você sempre admirou?
MB – Existem tantas mulheres com um estilo incrível e singular, e elas são ótimas em suas diferenças. Estou pensando em Vivienne Westwood e Iris Apfel. Admiro pessoas que têm esse tipo de criatividade, personalidade e fantasia. Essas mulheres são realmente símbolos de liberdade.
HB – Como a sua herança italiana influenciou a maneira como você se veste, se é que influenciou?
MB – Meu Deus, acho que sou apenas um produto do meu país da mesma forma que a massa com tomate é. Meu cabelo escuro, olhos escuros e saltos altos… Penso muito na minha cultura, e também em todas as atrizes principais do cinema italiano que me inspiram ainda hoje, como Monica Vitti, Anna Magnani, Sofia Loren e Giulietta Masina. Claro, também tive contato com o cinema francês e americano, mas venho da Itália, então fui criada com esse tipo de exemplo. Vivo hoje entre Paris e Roma. Eu não conseguiria viver sem Paris; é realmente uma das cidades mais bonitas do mundo, mas também, Roma está no meu coração. Há um tipo diferente de luz lá.
HB – Como você descreveria o estilo italiano hoje?
MB – Na Itália, existem diferentes formas de feminilidade. Se você pensar em Anna Magnani, ou Sofia Loren, ou Giulietta Masina… todas essas mulheres representam um tipo variado de feminilidade, e elas existem de uma maneira diferente. Cada versão disso é linda. Como dissemos antes, é sobre personalidade. É algo que vem de dentro.
HB – O que glamour significa para você?
MB – Para mim, glamour é brincar com a emoção e transformar a humanidade em uma forma de arte. Estou pensando na minha avó passando batom vermelho quando tinha 80 anos antes de sair. Isso é glamour — um momento simples, mas também a capacidade de brincar e uma forma de fantasia. Pode ser um gesto pequeno.
HB – Quais são os seus itens essenciais de estilo? De quais itens do guarda-roupa você não conseguiria viver sem?
MB – O vestidinho preto e também ternos masculinos. Eles são simples e casuais, mas glamourosos ao mesmo tempo. E, claro, saltos altos para o tapete vermelho.
HB – Quando você se sente mais bonita?
MB – Quando estou feliz. Talvez quando estou com minhas duas filhas — feliz e em equilíbrio comigo mesma, com minhas duas asas.
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