Snøhetta transforma a cobertura da nova ópera de Xangai em extensão da cidade

Após dez anos de desenvolvimento, o Grand Opera House de Xangai foi inaugurado na última semana às margens do rio Huangpu, na cidade de Xangai, na China. Assinado pelo escritório norueguês Snøhetta, vencedor do concurso internacional realizado em 2016, o projeto foi desenvolvido em parceria com a Theatre Projects e a Nagata Acoustics. Seu principal destaque é uma escadaria em espiral que conecta o térreo à cobertura, funcionando também como mirante e espaço de convivência aberto à cidade.
Com 146.786 m² de área construída, o complexo cultural apresenta uma arquitetura marcada por linhas orgânicas e superfícies claras. O edifício reúne três salas de espetáculos, instalações de produção e espaços de acesso público.
Com capacidade total para 4.200 espectadores, o Grand Opera House funcionará como uma casa de ópera com companhia residente e infraestrutura dedicada a apresentações, ensaios, produção, atividades educativas e exposições.
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A inauguração coincide com o início da temporada de estreia, intitulada Born to Sing, cuja programação de apresentações e atividades culturais se estende até 20 de fevereiro de 2027.
A concepção arquitetônica foi orientada por três princípios: movimento, pertencimento e experiência. O primeiro se manifesta na circulação contínua entre os diferentes níveis do edifício, conectando a cidade, a orla e a paisagem. Já o pertencimento está relacionado à criação de espaços públicos que convidam à permanência, enquanto a experiência orienta a organização dos ambientes e a maneira como os visitantes percorrem o complexo.
Em sua arquitetura, limiares fluidos conectam a cidade, a orla e a paisagem, enquanto sua fachada geométrica reforça sua continuidade
CHEN HAO
Elemento mais marcante do projeto, a escadaria em espiral se estende pela cobertura e assume diferentes funções: pode servir como mirante, espaço de encontro e até palco para atividades culturais. Sua configuração amplia as possibilidades de uso do edifício para além das apresentações realizadas nos auditórios.
Grandes superfícies envidraçadas permitem a entrada de luz natural nos principais ambientes, transformando a percepção dos espaços ao longo do dia. A fluidez da arquitetura exterior também se estende aos interiores, onde ambientes interligados apresentam identidades próprias. Enquanto o branco predomina na fachada, os espaços internos exploram uma paleta de tonalidades mais quentes.
A escadaria em espiral, que é o destaque visual do projeto, funciona como palco, mirante e espaço de encontro
Yumeng Zhu
No salão principal, as superfícies criam a impressão de um volume único esculpido, com predominância de tons de vermelho-escuro. O desenho foi desenvolvido para atender às exigências acústicas das apresentações, especialmente à projeção da voz humana.
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Sua arquitetura em constante movimento estende-se aos interiores, com espaços interconectados que se diferenciam por suas identidades
Tian Fangfang
Nos auditórios, materiais e cores variam entre tonalidades escuras e claras, estabelecendo uma hierarquia visual e conferindo identidade a cada ambiente.
O interior é percebido como um único volume esculpido, com detalhes tingidos por tons de vermelho-escuro
Yumeng Zhu
O maior deles é o Harmony Hall, com capacidade para 2 mil espectadores. Distribuído em cinco níveis — plateia, parterre e três balcões —, o espaço foi concebido para reduzir a distância visual entre o público e o palco e oferecer boa visibilidade de diferentes pontos da sala. Camarotes menores, distribuídos ao longo das paredes laterais, contribuem para criar uma atmosfera mais intimista.
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O segundo auditório, o Soar Theatre, acomoda até 1.200 pessoas e foi projetado para receber produções de menor escala, como óperas barrocas e clássicas, operetas, espetáculos regionais e peças de teatro.
No espaço, assentos adicionais foram integrados a camarotes menores ao longo das paredes laterais, aumentando a sensação de intimidade entre a apresentação e o público
CHEN HAO
Já o Open Stage, com capacidade para mil espectadores, oferece configurações flexíveis de palco e plateia, permitindo apresentações tradicionais e experimentais. O espaço também se destaca pelas vistas panorâmicas.
O segundo auditório, o Soar Theatre, acomoda até 1.200 espectadores e traz um ambiente mais intimista
CHEN HAO
Mais do que abrigar espetáculos, o Grand Opera House de Xangai propõe uma relação diferente entre os equipamentos culturais e a cidade. Em vez de restringir a experiência arquitetônica aos espectadores com ingressos, o projeto permite que moradores e visitantes explorem parte do complexo independentemente da programação.
Este pode receber produções tradicionais e não tradicionais, além de oferecer vistas panorâmicas
Honne Dang
A cobertura acessível, os espaços públicos interligados, os restaurantes, as áreas expositivas e as instalações educativas ampliam as possibilidades de uso cotidiano. Assim, o edifício funciona não apenas como uma casa de ópera, mas também como um espaço de encontro integrado à paisagem urbana de Xangai.




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