Após 40 anos fechado, espaço no Edifício Anchieta é transformado em showroom

Localizado na Avenida Angélica, uma das vias tradicionais da região central de São Paulo, o mezanino do Edifício Anchieta abriga o showroom paulistano da Monofloor, empresa brasileira especializada em revestimentos monolíticos, caracterizados por superfícies contínuas, sem juntas aparentes. Projetado em 1941 pelos arquitetos Marcelo e Milton Roberto, o edifício recebeu uma intervenção do escritório Felipe Hess Arquitetos para acomodar o espaço, que apresenta os materiais em diferentes aplicações ao longo do percurso.
A escolha do endereço partiu do interesse por imóveis antigos que preservam marcas de sua história e possibilidades de uso nem sempre evidentes.
"O imóvel que hoje abriga o showroom estava fechado havia mais de 40 anos. Durante muito tempo, funcionou como uma espécie de depósito do proprietário. Como parte da área havia sido incorporada ao Riviera, o espaço que restou acabou ficando sem acesso direto à rua, o que dificultava muito sua locação. Além disso, estava bastante deteriorado. Mas, por trás de tudo aquilo, existia uma arquitetura maravilhosa", explica Rodrigo Conte, CEO da Monofloor.
Outro ponto que chama a atenção no ambiente é seu parapeito de tijolo vazado, que permite a entrada de ar externo
Fran Parente/Divulgação
Após adquirir a propriedade, a empresa priorizou a recuperação dos elementos originais do mezanino. O trabalho incluiu a restauração das pastilhas e das esquadrias, além da remoção de camadas de massa e tinta aplicadas sobre as colunas curvas de granito apicoado. "Não queríamos transformar o Anchieta em um cenário para a Monofloor. Queríamos que a Monofloor passasse a fazer parte da história do Anchieta", afirma Conte.
No interior, o piso monolítico azul-escuro estabelece um contraste com os pilares de concreto e as superfícies amadeiradas. De um lado, grandes esquadrias de vidro permitem a entrada de luz natural e mantêm a vegetação do entorno no campo de visão. O parapeito de tijolos vazados também se destaca na composição, favorecendo a ventilação e criando uma textura que contrasta com a superfície contínua do piso.
A trajetória da Monofloor também começou com uma reforma. Ao procurar um piso de cimento queimado para seu apartamento, Conte não encontrou um material que atendesse às suas expectativas. A busca o levou a pesquisar outras soluções e, anos depois, a criar a empresa.
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Em prédio icônico de São Paulo, showroom da Monofloor mistura referências modernistas e soluções contemporâneas
Fran Parente/Divulgação
No showroom, essa relação entre pesquisa e aplicação se traduz na apresentação dos revestimentos em escala real, para além das pequenas amostras. O projeto reorganiza os limites internos do mezanino e estabelece um percurso que conduz o visitante por diferentes ambientes. O piso azul, presente em toda a área, funciona como elemento de continuidade entre os espaços.
Segundo Conte, a escolha da cor partiu de uma proposta do escritório de arquitetura. "O azul, proposto pelo escritório, acabou assumindo um papel fundamental nessa experiência. É uma cor muito presente, que naturalmente conduz o olhar e torna a continuidade do revestimento ainda mais evidente", diz.
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A constante em todas as áreas é o piso monolítico em azul, que cria uma base contínua para que o olhar circule sem grandes interrupções
Fran Parente/Divulgação
A disposição dos elementos também busca aproximar o visitante dos materiais. Blocos monolíticos funcionam como pontos de referência ao longo do percurso, enquanto armários móveis permitem manusear as amostras. No interior, divisórias de formas orgânicas e superfícies curvas criam mudanças de direção e diferentes perspectivas, sem fechar completamente os ambientes.
Um dos desafios, segundo Conte, foi conciliar as novas necessidades de uso com a preservação das características do imóvel. A intervenção procurou incorporar elementos contemporâneos sem descaracterizar a arquitetura existente.
"Acho que o maior desafio foi resolver o acesso ao imóvel, que simplesmente não existia. Precisávamos criar uma entrada e, ao mesmo tempo, encontrar uma linguagem que não entrasse em conflito com a arquitetura original", afirma.
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Vedações com formas orgânicas e curvas criam desvios propositais e caminhos menos óbvios
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A intervenção de Felipe Hess Arquitetos articula, assim, a preservação dos elementos modernistas do Edifício Anchieta com novas formas, cores e materiais. Em vez de apagar as marcas do tempo, o projeto incorpora parte delas à configuração de um espaço comercial contemporâneo.




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