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Belo Horizonte,12/10/2026

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Conheça cidade da Serra Gaúcha com 3,6 mil habitantes escolhida para representar o Brasil em seleção da ONU de vilas turísticas

g1.globo.com
Conheça cidade da Serra Gaúcha com 3,6 mil habitantes escolhida para representar o Brasil em seleção da ONU de vilas turísticas


Vila Flores é escolhida para representar o Brasil em seleção da ONU de vilas turísticas
O que faz uma pequena cidade despertar o interesse do mundo inteiro? Em Vila Flores, na Serra Gaúcha, a resposta parece estar nas coisas mais simples: na fé herdada de geração em geração, no pão assado diariamente em um casarão centenário, no vinho produzido conforme tradições antigas e no espírito comunitário que transforma visitantes em convidados para uma grande celebração coletiva.
Com pouco mais de 3,6 mil moradores, o município foi escolhido para representar o Brasil em uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) que reconhece vilas e pequenas cidades que se destacam por conciliar turismo, identidade cultural, inclusão social e sustentabilidade.
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Localizada entre Veranópolis e Nova Prata, a cidade reúne uma série de características que ajudam a explicar por que chamou a atenção na seleção. Quem percorre as estradas do interior encontra capelas centenárias, construções históricas, tradições italianas mantidas vivas pelos moradores e uma rotina que parece resistir ao ritmo acelerado dos grandes centros.
"A tranquilidade, o próprio ar, as pessoas. Todo mundo se conhece. É um bom-dia, uma boa-tarde, como vai?", resume a artista Benedita Zandoná Ceccato.
Fé presente em cada canto
Vila Flores, na Serra do RS
Reprodução/ RBS TV
Grande parte da história de Vila Flores pode ser contada a partir da religiosidade de seus moradores.
No interior do município, uma das marcas dessa devoção é a Capela São Jorge. Erguida há 131 anos por imigrantes, a construção nasceu de uma promessa feita em meio às dificuldades enfrentadas pelos primeiros moradores da região, que sofreram com vendavais e uma infestação de gafanhotos. Feita de pedra e barro, a capela segue preservada e se tornou um dos símbolos da comunidade.
A poucos quilômetros dali, outra história ajuda a ilustrar a importância da espiritualidade para os moradores. Aos 81 anos, Glória Zancanaro mantém o hábito diário de rezar no Santuário Divino Pai Eterno. Mais do que frequentadora, ela foi a idealizadora do espaço e também responsável por viabilizar sua construção.
Segundo Glória, a fé faz parte da sua trajetória desde a infância.
"A fé ainda está viva em Vila Flores e esperamos que mais gente se una para a gente ter a paz no mundo."
A herança italiana celebrada à mesa
Se a fé ajuda a construir a identidade da cidade, a cultura dos imigrantes italianos também ocupa um papel central. Um dos exemplos mais visíveis disso acontece nos tradicionais filós, encontros comunitários que reúnem moradores e turistas para compartilhar histórias, música, comida e costumes transmitidos ao longo das gerações.
Ao cair da noite, lampiões iluminam o ambiente e ajudam a recriar o cenário que fazia parte do cotidiano dos primeiros colonizadores. A recepção é calorosa, a mesa é farta e a polenta ocupa lugar de destaque.
Tradição de polenta em Vila Flores, na Serra do RS
Reprodução/ RBS TV
Nos filós, a gastronomia é apenas parte da experiência. Entre canções, brincadeiras e apresentações culturais, os visitantes conhecem um pouco da trajetória das famílias que ajudaram a construir a região.
O passeio passa pelo artesanato, relembra atividades que marcaram o trabalho dos antepassados e abre espaço para momentos de descontração, como a brincadeira do "chinelo de três", que costuma arrancar risadas dos participantes.
A espontaneidade das apresentações é um dos aspectos que mais orgulham os moradores. Para Benedita Zandoná Ceccato, não existe encenação:
"Nós não precisamos ensaiar alguma coisa porque é um sistema de vida nosso. Tu pode ver o grupo ali, espontâneo, alegre. É assim que nós somos".
Vinho, tradição e espiritualidade
Tradição do vinho em Vila Flores, na Serra do RS
Reprodução/ RBS TV
Outro legado mantido ao longo de mais de um século está ligado à produção de vinho.
A atividade é conduzida por freis capuchinhos e reúne visitantes interessados em conhecer um processo que combina religiosidade, história e enoturismo.
Entre os elementos que despertam curiosidade está o canto gregoriano utilizado nos ambientes de maturação das bebidas.
"Segundo o nosso enólogo, se o canto gregoriano faz bem para nós, faz muito bem para o vinho também", brinca o frei José Lagni.
Além da produção, a relação da bebida com a tradição religiosa chama a atenção dos visitantes.
"Os freis produzindo vinho criam toda uma curiosidade para conhecer, experimentar e entender essa história."
O enólogo Djair Galvan explica que a atividade tem origem na chegada dos freis capuchinhos provenientes do sul da França, em 1896.
Segundo ele, a tradição foi sendo incorporada pelas famílias da região até se tornar parte importante da cultura local.
"São mais de 100 anos dessa tradição", comenta Galvan.
Com o passar do tempo, a atividade se profissionalizou, mas sem perder a conexão com as origens.
O diferencial que chamou a atenção da ONU
Moradores de Vila Flores, na Serra do RS
Reprodução/ RBS TV
A candidatura de Vila Flores não foi construída apenas sobre belas paisagens ou construções históricas.
De acordo com Beatriz Paulus, diretora executiva da Associação de Turismo da Serra Nordeste, o destaque está na capacidade de o município preservar a própria identidade ao mesmo tempo em que desenvolve o turismo de forma sustentável.
"Não é porque Vila Flores é uma cidade bonita. Ela reúne muitas características que correspondem aos objetivos de desenvolvimento sustentável da própria ONU", aponta.
Segundo ela, um dos principais diferenciais está justamente na preservação autêntica da cultura local.
"Conseguimos manter a cultura de uma forma extremamente original", diz Paulus.
Para isso, explica, foi necessário um trabalho contínuo ao longo dos anos, baseado em planejamento e na manutenção de projetos para além das mudanças de gestão.
A cidade busca agora um reconhecimento internacional semelhante ao obtido por Antônio Prado no ano passado.
"Sempre ressalto que o Rio Grande do Sul precisa dessa notoriedade. Precisamos potencializar aquilo que o turismo tem de distinto em todo o Brasil", comenta a diretora.
Vila Flores, na Serra do RS
Reprodução/ RBS TV
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