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Belo Horizonte,06/10/2026

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Fisioterapeuta pélvica desenvolve sabonete íntimo funcional com resíduo de cacau

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Fisioterapeuta pélvica desenvolve sabonete íntimo funcional com resíduo de cacau


Após identificar uma dúvida constante entre suas pacientes sobre o produto ideal para a higiene íntima, a fisioterapeuta pélvica Daniely Leal, de 35 anos, decidiu fazer um doutorado em 2022. A pesquisa serviu como uma busca por uma solução eficiente para a falta de harmonia na microbiota vaginal, dando origem à startup Autris, nome que combina a alquimia da Amazônia com a ciência para a saúde da mulher. A doutoranda está prestes a concluir a pós-graduação no final de 2026 e concilia seu tempo na bancada do laboratório com a estruturação da startup e o lançamento do primeiro produto, que leva o mesmo nome da empresa.
O investimento inicial foi de R$ 50 mil do próprio bolso. Depois, a startup foi contemplada no programa Sinapse da Inovação (R$ 50 mil), recebeu o suporte de uma incubadora universitária (cerca de R$ 70 mil) e conquistou o 1º lugar na Região Norte, na fase de validação do Prêmio Mulheres Inovadoras, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), garantindo uma premiação de R$ 120 mil que será investida no marketing de lançamento.
Há 13 anos na área de fisioterapia, Leal também era professora universitária. Com sua experiência clínica, ela percebeu que os sabonetes convencionais realizam uma limpeza agressiva e não levam em conta a autodefesa natural da região. Por isso, o novo produto precisava realizar uma "limpeza seletiva", mantendo e nutrindo as bactérias benéficas da microbiota em vez de eliminá-las.
Ao ingressar no doutorado, ela passou a pesquisar e analisar bactérias. Entre o final de 2024 e o início de 2025, encontrou o Lactobacillus plantarum, presente no canal vaginal e também na polpa do cacau. A partir daí, a empreendedora passou a utilizar o resíduo da produção de chocolate como base para o desenvolvimento do sabonete probiótico.
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Em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), através da Unidade Embrapii G-Bioforest, Leal contou com suporte técnico e financeiro. Com esse apoio — além de uma parceria com o SENAI de Goiás para o desenvolvimento da formulação —, foi possível manter a viabilidade do microrganismo e garantir sua incorporação adequada ao sabonete. "A gente conseguiu caminhar pelo caminho certo", conta Leal.
Produção e escala
A produção da biomassa probiótica é feita em Santarém, enquanto a incorporação na fórmula e o envase são terceirizados com uma indústria parceira em Goiás. A fábrica das embalagens é externa, mas o envasamento é realizado no mesmo local da formulação. Atualmente, a capacidade no laboratório da universidade é de cerca de 5 a 10 litros de biomassa por mês. Como conseguem isolar e reproduzir a matriz da bactéria em laboratório, a produção não depende diretamente da coleta contínua e extrativista de cacau, facilitando a escala.
A equipe da Autris é totalmente feminina, composta por Leal, sua sócia e uma colaboradora.
"De mulheres da Amazônia para mulheres do Brasil e do mundo", enfatiza Leal.
A empresa planeja criar uma comunidade de consumidoras conscientes e implementar ações sociais com a doação de sabonetes para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Validação clínica e lançamento
O produto passou por testes dermatológicos, ginecológicos, de fototoxicidade, hipoalergenicidade, obteve registro de Grau 2 na Anvisa e possui fórmula patenteada junto à universidade. No ensaio de validação clínica (etapa final do doutorado), pacientes que utilizaram o sabonete por 30 dias apresentaram estabilização e aumento das bactérias boas da microbiota, além de alívio em sintomas recorrentes de candidíase e ressecamento.
O lote piloto, contendo 5 mil unidades, chegará ao centro de distribuição em Santarém em breve, com as vendas previstas para começar no final deste mês. O valor final ao consumidor será de R$ 79,90.
Em entrevista a PEGN, a fisioterapeuta explica que o caráter funcional do produto se dá pelo fato de que ele higieniza mantendo o cuidado com o reequilíbrio da microbiota, não sendo apenas um higienizador comum, mas um item que repõe e faz a manutenção das bactérias boas. "Cuidar além de limpar", define.
Estratégia de vendas e projeções
A startup atuará na frente B2C através do site próprio que funcionará como e-commerce e blog com quiz de saúde íntima, matérias e conteúdos educativos, além de marketplaces como TikTok Shop, Mercado Livre e Amazon. A marca utilizará ginecologistas, fisioterapeutas e dermatologistas como influenciadores e prescritores.
Já no B2B, será direcionado para clínicas dermatológicas, ginecológicas, de estética íntima e empórios de produtos naturais ou veganos.
A projeção é vender 10 mil unidades no 1º ano de operação, alcançando faturamento de R$ 700 mil e atingindo o breakeven. Para o segundo ano, a meta é iniciar o processo de internacionalização e conquistar um faturamento de R$ 3,5 milhões com a venda de 50 mil unidades.
Antes de buscar novas rodadas de captação de investimentos, as sócias querem validar o produto no mercado e estruturar os canais de vendas. O desenvolvimento de um segundo produto da linha, um desodorante com o mesmo ativo probiótico, já foi iniciado.
Um dos objetivos de longo prazo da empresa é tornar o produto o mais indicado pelos ginecologistas.
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