Fábrica de cadernos e formulários contínuos se transforma em grupo de papelaria com foco em importação

Com uma operação que inclui cerca de 200 colaboradores diretos e uma rede de 180 representantes comerciais distribuídos por todos os estados brasileiros e o Distrito Federal, o Grupo Leonora se estabeleceu entre distribuidoras de papelaria do Brasil. Fundado na década de 1980, a companhia tem aumentado os requisitos de governança e investido em inovação, e mantém a meta de crescer 15% em 2026. Sob um catálogo com mais de 1,8 mil itens, possui uma carteira de clientes com mais de 14 mil CNPJs ativos, que inclui varejistas de grande porte como Kalunga, Havan, Grupo Mateus, Le Biscuit e Lojas Americanas.
Para atender a essa demanda, a infraestrutura logística soma 32 mil metros quadrados em três centros de distribuição: um em Palhoça, no litoral de Santa Catarina, onde fica, atualmente, a matriz operacional com duas unidades que somam 25 mil metros quadrados e 22 mil posições-paletes (tipo de unidade de medida padrão aplicada no cálculo do espaço físico necessário para guardar um palete); um em Manaus (AM), com 5 mil metros quadrados; e um em Vilhena (RO), com 2 mil metros quadrados.
Por questões estratégicas, a operação trabalha há quase duas décadas focada na importação, são cerca de 680 contêineres importados por ano. Para garantir suporte à cadeia de fornecimento, a Leonora mantém um escritório na China, com dez colaboradores, que realizam inspeção de qualidade e dão suporte logístico. A gestão de estoque opera de forma integrada com sistemas de inteligência artificial e aprendizado de máquina para aumentar a eficiência operacional e reduzir riscos de interrupção.
Incentivos para empreendedores na região Norte
A história da empresa começou em 1984, quando o fundador, Alberi Antônio Rodrigues, migrou do Paraná para Rondônia. O movimento acompanhou o fluxo de incentivos governamentais voltado ao desenvolvimento econômico da Região Norte.
O começo, em Vilhena (RO), foi a partir de uma pequena gráfica plana e tipografia, negócio que evoluiu para a fabricação de formulários contínuos e a produção de cadernos. A estrutura fabril cresceu ao ponto de empregar mais de 400 colaboradores e motivou a abertura de uma filial em Manaus para aproveitamento de incentivos tributários da Zona Franca.
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Ao buscar a expansão das vendas de cadernos para as regiões Sul e Nordeste, a empresa esbarrou em gargalos logísticos, porque o custo do transporte consumia a margem operacional do negócio. Diante desse entrave, em 2008, a companhia tomou a decisão estratégica de mudar seu modelo de atuação. A Leonora encerrou a produção fabril própria e transferiu suas operações para Palhoça, litoral de Santa Catarina, concentrando-se no desenvolvimento de marcas próprias e na importação.
Governança estruturada
À medida que a operação se expandia, o grupo estruturou um processo de governança corporativa. Para superar a centralização típica de empresas familiares, o fundador se afastou das rotinas operacionais. Rodrigues migrou da gestão diária para a presidência do conselho consultivo do negócio, estrutura com cinco anos de atuação.
Esse movimento exigiu novos rumos para a alta direção, porque os filhos e herdeiros do fundador abriram mão da administração e da operação direta do Grupo Leonora. Foi então que Edson Cardoso, executivo com experiência no mercado de São Paulo, ingressou na operação em 2019. A gestão executiva tornou-se totalmente profissionalizada sob o comando do CEO estatutário.
"A Leonora é o resultado de uma empresa que nunca teve medo de se transformar. A gente sempre vem evoluindo e buscando essa evolução. Um grande ponto que sempre permaneceu nessas transformações foi o fortalecimento da cultura e o desenvolvimento das pessoas”, diz Cardoso.
O modelo de governança inclui dois conselheiros independentes de mercado e é respaldado por quatro comitês temáticos: Pessoas, Negócios, Financeiro e Inovação & Tecnologia. Após 2019, a empresa atingiu crescimento de 60% em um ano e de 40% no ano seguinte. A companhia manteve um planejamento de crescimento orgânico consistente na casa de 12% ao ano, acima da inflação.
O grupo também mantém ainda uma frente de inovação aberta. Leonora Ventures é o braço de Corporate Venture Building que acelera 17 startups com teses focadas em varejo, educação e logística. As startups atuam como "satélites" de inovação, agregando tecnologias como inteligência artificial, ferramentas de cashback e gestão de relacionamento com clientes (CRMs) à infraestrutura do grupo.
“A Ventures busca soluções nessas startups para unir inteligência artificial aos nossos produtos. Ela acelera o nosso negócio", diz Cardoso.
Em paralelo, o grupo estruturou a Leonora Capital, iniciativa criada para apoiar clientes varejistas de médio porte que vivenciam a fase de expansão e necessitam de estruturação de crédito e consultoria de gestão para clientes da sua rede B2B. “Não é só dar dinheiro. É gestão do desenvolvimento desse cliente e, consequentemente, desenvolvimento do ecossistema", ressalta o diretor-executivo.
Linha para crianças neurodivergentes
O portfólio comercial da Leonora apresenta quatro linhas principais: Leo&Leo (escolar, infantil e brinquedos educativos), Jocar Office (escritório e papelaria corporativa), LeoArte (artesanato e papelaria fofa) e Letron (eletrônicos como headsets e periféricos voltados ao canal de papelarias). Há ainda licenças internacionais de grande porte — como Harry Potter, Hello Kitty, Minecraft, Sonic, Batman, Patrulha Canina e Bob Esponja —, parcerias com marcas como Fini e Bruna Tavares e lançamentos na categoria de itens surpresa (blind boxes).
No desenvolvimento social e inovação de produtos, o destaque é a coleção Color Joy, da marca Leo&Leo. São materiais escolares e brinquedos educativos desenhados especificamente para crianças neurodivergentes. A coleção foi concebida a partir de pesquisas e testes em parceria com centros de estudo, terapeutas, pedagogos e famílias de crianças atípicas. Esse portfólio inclui produtos para crianças que apresentam diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD).
Em 2025, a linha Color Joy alcançou crescimento de 270% em faturamento na comparação com 2024, é a terceira maior coleção institucional do grupo. A linha reúne produtos direcionados ao estímulo socioemocional e à autonomia, como o Jogo das Emoções Cubo 2 em 1, o Quadro de Rotina, o Tapete de Colorir com Água e o Abafador de Ruídos Neutro, projetado para atenuação sonora de 85 dB a 110 dB em ambientes ruidosos.




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