Pesquisadores de Harvard transformam resíduos de lã em revestimento sustentável

Cerca de quatro milhões de toneladas de resíduos têxteis são descartadas anualmente nos domicílios brasileiros, segundo dados da S2F Partners, hub de inteligência especializado em gestão de resíduos e economia circular. Em escala global, o setor têxtil responde por uma parcela estimada entre 2% e 8% das emissões de gases de efeito estufa. Nesse cenário, pesquisadores têm buscado novas formas de reaproveitar materiais que normalmente seriam descartados.
Uma delas surgiu no Grinham Research Group, da Universidade de Harvard, que desenvolveu placas de isolamento feitas a partir de resíduos de lã. O projeto foi apresentado na Oslo Architecture Triennale, na Noruega, na instalação Upcycling Wool Ecologies (em tradução livre, “Ecologias de upcycling de lã”), em cartaz até 1º de outubro.
Na instalação, os pesquisadores exibem as placas sobre uma estrutura de madeira dentro da Igreja de Sofienberg, em Oslo. A proposta parte de uma característica já conhecida da lã: o material apresenta propriedades de isolamento térmico, resistência ao fogo e ação antibacteriana.
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Revestimento de lã traz propriedades isolantes e antibacterianas
A lã não aproveitada costuma ser armazenada, queimada ou enterrada
Grinham Research Group/Divulgação
Segundo o grupo, cerca de 1,95 bilhão de quilos de lã bruta são produzidos todos os anos no mundo, dos quais aproximadamente 60% são destinados à fabricação de roupas. O excedente costuma ser armazenado, queimado ou enviado para aterros.
A pesquisa procura dar outro destino a esse material e, ao mesmo tempo, desenvolver uma solução que facilite a adaptação e o reúso de edifícios. O resultado é uma placa multicamada que pode ser instalada na parte externa das construções, melhorando o isolamento térmico sem a necessidade de grandes intervenções nas paredes existentes.
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A solução foi o desenvolvimento de uma placa, feita de lã, com design multicamadas que pode ser aplicada na parte externa dos edifícios
Grinham Research Group/Divulgação
O sistema é composto por duas camadas principais. Na parte posterior, um painel de menor densidade funciona como isolante térmico. Na face externa, um painel mais denso oferece maior resistência e durabilidade diante das intempéries.
Como as placas são feitas
Para transformar a lã em placas, os pesquisadores primeiro tratam as fibras com uma solução alcalina, que decompõe parcialmente as proteínas de queratina presentes no material. Em seguida, um processo mecânico fragmenta ainda mais a lã, transformando-a em uma espécie de líquido.
A produção das placas envolve o tratamento da lã com uma solução alcalina que decompõe parcialmente suas proteínas de queratina
Grinham Research Group/Divulgação
A esse composto é adicionado ácido cítrico. Quando aquecido junto à queratina derivada da lã, o ácido promove a união das fibras residuais, formando o material das placas.
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O processo dispensa o uso de resinas petroquímicas como aglutinantes. Produzidas a partir de derivados do petróleo ou do gás natural, essas resinas são utilizadas na fabricação de diversos materiais plásticos.
Além de dar um novo destino aos resíduos da indústria têxtil e da produção de lã, a pesquisa busca desenvolver componentes que possam ser instalados e removidos com mais facilidade, uma característica importante para estratégias de adaptação e reúso de edifícios.




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