‘Ingenuidade de novos entrantes’ é aposta do Nubank para crescer nos EUA, diz David Vélez

David Vélez, fundador e CEO do Nubank, acredita que a mentalidade de principiante é o grande trunfo para o banco digital brasileiro crescer nos Estados Unidos, mercado considerado o Everest pela instituição – o empreendedor diz que a jornada de crescimento nos EUA vai levar de 10 a 20 anos.
“Mais uma vez somos os principiantes que vão falar com os peritos e eles dizem que não têm o que fazer por ali. Mas, de novo, talvez com a ingenuidade dos novos entrantes, começamos como fizemos no Brasil”, afirmou durante o Vale do Silício @ Brasil, evento realizado pelo Brazil at Silicon Valley (BSV) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta quarta-feira (16/9).
Fundado em 2013 em São Paulo (SP), o Nubank atende mais de 60% da população adulta brasileira. O banco digital iniciou a expansão internacional pela América Latina, com operações no México e na Colômbia. No último trimestre, a instituição registrou uma base de 140 milhões de clientes e um lucro líquido trimestral que superou US$ 1 bilhão. “Acho que ainda não somos incumbentes, mas talvez em breve nos tornemos”, declarou Vélez.
Vélez apontou que o PIB dos 80 milhões de latinos nos Estados Unidos já superou o do Brasil – um público que conhece o Nubank pelo trabalho realizado no México e na Colômbia. Além disso, a eficiência da operação se mostra como vantagem competitiva: o CEO indica que o Nubank tem 10 mil funcionários e 140 milhões de clientes, enquanto os incumbentes norte-americanos atendem 60 milhões de clientes com 400 mil empregados.
Para o CEO, a mente de principiante fez com que os fundadores do Nubank enxergassem uma mudança no mundo em 2012, com o crescimento da computação em nuvem e do uso de smartphones, e uma transformação na visão do Banco Central, que queria estimular a concorrência.
“O principiante vê muitas possibilidades. Eu não sou brasileiro, nunca trabalhei em banco e não sou engenheiro. A maioria das pessoas não entendeu como a tecnologia mudou o ambiente, incluindo os especialistas [incumbentes]”, afirmou.
Ele relembrou que o cenário de empreendedorismo tecnológico no Brasil se espelhava muito no que era feito no Vale do Silício, na Califórnia (EUA) e copiava produtos norte-americanos, o que nem sempre fazia sentido para o público brasileiro. “Eu poderia ter ficado nos EUA, mas existia muita abundância lá. No Brasil havia escassez de capital, de desenvolvedores. Todo mundo achava impossível, mas nos tornamos uma das maiores empresas do Brasil”, comentou.
Para manter a mentalidade de principiante mesmo com resultados expressivos do Nubank, diz incentivar que o status quo interno seja desafiado. “Tem muito risco em achar que todas as respostas já estão dadas e que você sabe tudo. Por isso, a cultura que a gente tenta desenvolver continuamente é a de saber escutar bem e entender quando é hora de mudar e repensar. Isso fica especialmente claro quando chegam pessoas novas à organização. Quem está há muito tempo tende a explicar por que as coisas são feitas de determinado jeito, mas a gente não pode partir do princípio de que tem todas as respostas”, declarou.
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