Resultado natural ou transformação? Entenda a diferença entre bioestimulador e preenchimento
Dra. Paula Sian/Foto: Fernando Mussi Pacientes desejam resultados naturais, mas também esperam mudanças perceptíveis. Entender a diferença entre manutenção e transformação ajuda a evitar frustrações
“Quero melhorar, mas não quero que ninguém perceba.” A frase, recorrente nos consultórios dermatológicos, revela um dos principais desafios relacionados aos procedimentos estéticos: o conflito entre o desejo de mudança e o medo de que o resultado pareça artificial.
Segundo a dermatologista Dra. Paula Sian, muitos pacientes procuram tratamentos para melhorar o contorno, a firmeza ou determinados pontos do rosto, mas chegam à consulta sem compreender exatamente a diferença entre procedimentos como o bioestimulador de colágeno e o preenchimento.
“As pessoas dizem que querem algo natural, que não querem ficar inchadas, com o rosto muito duro ou com aparência artificial. Ao mesmo tempo, esperam uma mudança significativa. Existe uma contradição, porque, quando o resultado é discreto demais para os outros, muitas vezes também é difícil para o próprio paciente percebê-lo”, explica.
Para a médica, o primeiro passo antes de escolher uma técnica é compreender se o paciente busca manutenção ou transformação.
Bioestimulador está mais relacionado à manutenção
O bioestimulador de colágeno é indicado principalmente para quem deseja melhorar gradualmente a sustentação, a firmeza e o contorno da pele. Seu resultado tende a ser mais discreto e progressivo, porque depende da resposta do próprio organismo ao estímulo provocado pelo produto.
“O efeito é muito mais natural. Por isso, o bioestimulador está mais próximo de uma manutenção do que de uma transformação. Ele pode melhorar a firmeza e a sustentação, mas não costuma provocar aquela mudança imediata que algumas pessoas imaginam”, esclarece Paula.
Essa característica pode gerar uma percepção equivocada sobre a eficácia do procedimento. Alguns pacientes esperam perceber mudanças na luminosidade ou na superfície da pele, embora o principal objetivo esteja relacionado às estruturas mais profundas.
“Recentemente, uma paciente disse que havia percebido mais luminosidade no rosto. Pode existir uma melhora geral na aparência, mas o efeito principal não é necessariamente modificar a superfície da pele. O objetivo é melhorar sustentação, contorno e firmeza”, afirma.
Preenchimento oferece uma mudança mais perceptível
Enquanto o bioestimulador atua de maneira gradual, o preenchimento costuma ser procurado por pacientes que desejam corrigir pontos específicos, repor volume ou modificar determinadas proporções do rosto. O resultado, portanto, tende a ser mais facilmente percebido, especialmente nas primeiras semanas. É justamente essa diferença que pode frustrar quem realiza um procedimento voltado à firmeza esperando o mesmo impacto visual de um preenchimento.
Paula relata o caso de uma paciente que havia gostado muito do resultado obtido com o preenchimento da região das olheiras e, posteriormente, realizou um tratamento voltado à melhora discreta da firmeza e do contorno facial.
“Ela comentou que o resultado não havia sido como o do preenchimento. E realmente não seria, porque as propostas eram diferentes. Mesmo quando explicamos que um tratamento terá efeito mais leve do que o outro, existe a possibilidade de frustração caso a expectativa inicial não esteja totalmente alinhada”, diz.
Naturalidade não significa ausência de resultado
Na avaliação da dermatologista, parte dos pacientes ainda associa procedimentos estéticos a exageros, rostos artificialmente modificados ou resultados que possam gerar comentários. O problema aparece quando o paciente deseja simultaneamente um resultado imperceptível e uma mudança marcante. “Por isso, o conceito de naturalidade precisa ser discutido durante a consulta. Um resultado natural não é necessariamente aquele que não produz qualquer mudança, mas aquele que respeita as características do rosto, a movimentação e a identidade do paciente”.
Antes de indicar qualquer procedimento, Paula considera fundamental identificar o perfil, os desejos e a capacidade do paciente de compreender resultados graduais.
“Uma pessoa que deseja aumentar os lábios, projetar o queixo, definir determinadas regiões ou promover uma alteração mais evidente dificilmente ficará satisfeita apenas com um bioestimulador”.
O acompanhamento fotográfico antes e depois dos procedimentos é uma das ferramentas utilizadas para tornar a avaliação mais objetiva.
“As pessoas se acostumam com o resultado. Depois de um tempo, algumas dizem que tudo já saiu. Quando mostramos as fotografias do antes e depois, elas percebem que ainda estão bem diferentes de como eram”, afirma.
De acordo com a especialista, todo produto inserido no rosto acompanha, de alguma maneira, a movimentação da pele.
“Quando a pessoa sorri, fala e faz suas expressões, aquela região volta a dobrar e se movimentar. O aspecto mais inchado ou mais reto dos primeiros dias não permanece para sempre. Por essa razão, avaliar apenas o resultado imediatamente posterior ao procedimento pode criar uma expectativa irreal sobre sua evolução”, finaliza.
Dra. Paula Sian (Dermatologista)
Dermatologista desde 2007, Paula Sian Lopes é formada pela Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), onde também fez residência em Clínica Médica e Dermatologia. Especializou-se em Farmacodermia e Dermatoses Imuno Ambientais na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e em Medicina Chinesa e Acupuntura na Associação Médica Brasileira de Acupuntura (AMBA).
Desde 2011, Paula atende em seu consultório próprio com o viés em Dermatologia clínica, estética e cirúrgica, tanto para adultos como para crianças. Além disso, a especialista realizou serviços voluntários no ambulatório de alergias da UNIFESP, de 2013 a 2017.
A médica também é escritora e acaba de lançar o “Um burnout para chamar de seu”, um livro que relata, pelo ponto de vista do paciente, como é conviver com o burnout.
CRM: 111963-SP RQE Nº: 38348
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