Wine Brasil Music ocupa a Rua Chile com quatro dias de vinhos, música e gastronomia
Depois de reunir mais de 8 mil pessoas na estreia, o Wine Brasil Music volta a Salvador disposto a ganhar a rua. Entre os dias 20 e 23 de agosto, a segunda edição do festival amplia sua programação para além do Palacete Tirachapéu e passa a ocupar também o Chile 27 e a própria Rua Chile, no Centro Histórico da capital baiana.
O vinho continua como fio condutor, mas divide espaço com música, gastronomia e uma programação técnica que coloca lado a lado alguns dos temas mais interessantes do mundo da taça. Há desde espumantes brasileiros e vinhos de altitude até Bordeaux, Jerez e Riesling alemão. Duas degustações chamam atenção pela seleção de garrafas: uma dedicada ao fenômeno dos chamados vinhos de garagem de Bordeaux e outra com sete safras antigas de Almaviva, incluindo a inaugural, de 1996.
Realizado pelo Palacete Tirachapéu e pela ZUM Brazil, com apoio da Prefeitura de Salvador, por meio da Saltur, o festival tem à frente Marcelo Magalhães, chairman do Palacete Tirachapéu, Tuca Zamaroni, CEO da ZUM Brazil, e Isaac Edington, presidente da Saltur. Licia Fabio e o jornalista Ronaldo Jacobina são os embaixadores desta edição.
A ideia é transformar o entorno em parte da experiência. Se no primeiro ano o público se concentrou principalmente no Palacete, agora poderá circular pelos diferentes espaços e acompanhar atrações também na Rua Chile. “Quando criamos o evento, queríamos proporcionar uma experiência que ultrapassasse a ideia de uma mostra tradicional. O nosso propósito era aproximar o vinho das pessoas e conectá lo à música, à gastronomia, à arquitetura e à história deste lugar”, afirma Marcelo Magalhães.
Brasil na taça

O Palacete Tirachapéu concentra a feira de vinhos, com uma seleção que ajuda a mostrar como o mapa vitivinícola brasileiro se tornou mais amplo nas últimas décadas. Não é apenas a tradicional presença do Rio Grande do Sul. Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e até Rio Grande do Norte aparecem entre as origens dos produtores participantes.
Entre os nomes confirmados estão as baianas Vinícola Uvva e Vinícola Vaz; Buffon, Garbo Enologia Criativa e areA15 Vinícola Boutique, do Rio Grande do Sul; São Patrício e Monte Castelo, de Goiás; Primeira Estrada, de Minas Gerais; Essenza, de São Paulo; e Baobá Vino, do Rio Grande do Norte.
As importadoras Del Maipo Wines, Porto a Porto e Zahil Vinhos completam a feira com rótulos internacionais. A proposta é permitir que o visitante prove diferentes estilos no mesmo percurso e tenha contato direto com produtores, importadores e profissionais do setor.
De Bordeaux a Almaviva

A programação técnica começa já na quinta feira, dia 20, com uma degustação dedicada aos espumantes brasileiros, conduzida por Gilberto Pedrucci. Na mesma data, Everson Fernando Suzin e Sergio Bruxo apresentam vinhos de altitude de Santa Catarina, enquanto Alejandro Etcheverry conduz uma viagem por Canelones, no Uruguai, a partir dos vinhos da Castillo Viejo.
Na sexta feira, Bordeaux entra em cena em uma prova comandada por Sérgio Musolino, com vinhos de Graves, Médoc, Lalande de Pomerol, Montagne Saint Émilion e Saint Émilion Grand Cru. André Tonnet e Sergio Bruxo apresentam, na sequência, vinhos de altitude do Rio Grande do Sul.
A degustação mais ambiciosa do dia revisita o movimento dos chamados vinhos de garagem, que sacudiu Bordeaux a partir dos anos 1990. Rémi Dalmasso e Juan Carlos Ferreira conduzem uma seleção com safras 2022 e 2023 de Clos Badon e Le Clos du Beau Père, além de exemplares de Château Valandraud e Clos Romanile.
No sábado, dia 22, a programação reserva um encontro particularmente interessante para quem acompanha a história recente do vinho chileno. Pascal Marty conduz uma vertical de Almaviva com as safras 1996, 1997, 1998, 1999, 2001, 2002 e 2003. A prova permite acompanhar os primeiros anos de um projeto que nasceu da parceria entre Baron Philippe de Rothschild e Viña Concha y Toro e se tornou um dos rótulos emblemáticos do Chile.
Ainda no sábado, Arthur Azevedo apresenta diferentes estilos de Jerez a partir de vinhos da Barbadillo, passando por Fino, Manzanilla, Oloroso, Pale Cream, Cream e Pedro Ximénez. Thiago Mendes fecha a agenda técnica com uma degustação dedicada à classificação dos vinhos alemães, usando Rieslings de Dr. Von Bassermann Jordan e Wittmann para percorrer diferentes níveis da classificação da VDP.
Degustação às cegas vira competição
O vinho também entra em campo competitivo. No dia 20, o Palacete Tirachapéu recebe o 2º Campeonato Brasileiro de Degustação, com uma disputa individual baseada em 12 vinhos servidos às cegas.
Cada participante terá dez minutos por taça para tentar identificar quatro informações. A uva ou o corte vale dez pontos, o país de origem rende sete, a região produtora cinco e a safra outros três. A soma das respostas define o campeão brasileiro.
É uma dinâmica que transforma em jogo aquilo que sommeliers e degustadores fazem habitualmente: observar cor, aromas, estrutura, acidez, álcool, taninos e evolução para tentar reconstruir a identidade de um vinho sem a ajuda do rótulo.
Vinho também ganha trilha sonora
Quando as degustações terminam, a música ganha volume. A programação se espalha entre o palco principal e a sacada da Rua Chile, com blues, jazz, chorinho, pop rock e DJs, acompanhados por carrinhos de vinho e opções gastronômicas. Na quinta feira, Chocolate com Blues abre a programação, seguido pelo DJ Deco Sodré e por Guto Gomes. Na sexta, André Caldeira, Bella Ciao e o Chorinho Nosso Sotaque dividem a agenda com Deco Sodré e Us Beatles.
O sábado começa com May Sol Jazz e Felipe Evans, passa novamente pelo DJ Deco Sodré e termina com Herbert & Richard, em apresentação dedicada a músicas ligadas ao cinema e a clássicos internacionais do pop rock. No domingo, Deco Sodré abre a tarde e o cantor Lutte encerra o festival.
Além da programação cultural e enogastronômica, o Wine Brasil Music mantém uma frente social. O Instituto de Cegos da Bahia, que há 92 anos desenvolve trabalhos voltados à autonomia e inclusão de pessoas cegas e com baixa visão, está entre as instituições beneficiadas por ações realizadas durante o evento.
Wine Brasil Music 2026
20 a 23 de agosto
Palacete Tirachapéu, Chile 27 e Rua Chile, Centro Histórico de Salvador
Ingressos para o festival: a partir de R$ 60, mais taxas, com taça para degustação incluída
Degustações técnicas: de R$ 200 a R$ 1.400
Ingressos: Zig Tickets
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