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Belo Horizonte,28/07/2026

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A preguiça bateu? Dicas para fazer o que precisa ser feito

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A preguiça bateu? Dicas para fazer o que precisa ser feito

Há dias em que o corpo parece pesar mais do que o normal, e tudo o que queremos é cumprir as obrigações mais urgentes para, depois, se esconder debaixo das cobertas. Isso não é um problema — muitas vezes, é exatamente o que precisamos. Mas a frustração começa quando tarefas importantes para os nossos objetivos são adiadas repetidamente, enquanto esperamos por uma energia extra que nunca parece chegar.


Para Chrystina Barros, especialista em Ciência da Felicidade pela Universidade de Berkeley, aguardar que a motivação apareça pode ser uma armadilha porque, muitas vezes, é a ação que desperta a vontade de continuar, e não o contrário. “Você começa sem vontade, dedica-se por alguns minutos, percebe que está avançando e, aos poucos, a disposição aparece.”


Algo semelhante acontece com a criatividade, compara Chrystina. Embora muitas pessoas acreditem que as ideias surjam espontaneamente em momentos de inspiração, elas costumam ser resultado de disciplina e constância. “A criatividade é filha da disciplina.”


Isso significa que nem sempre é preciso estar inspirado para começar. Ao sentar para escrever, estudar, trabalhar ou criar, mesmo sem vontade, colocamos o pensamento em movimento e abrimos espaço para que as ideias apareçam e ganhem forma. 



“A disciplina é justamente o que nos permite realizar aquilo que é importante, independentemente do humor do dia. Trata-se de criar, de forma consciente, hábitos que desejamos manter. Se dependêssemos de estar motivados e inspirados para agir, deixaríamos de construir boa parte do que realmente dá sentido à nossa vida.”



O ponto de partida


Começar uma tarefa costuma ser a parte mais difícil. De acordo com a especialista, isso acontece porque dar o primeiro passo exige um tipo de energia diferente daquela necessária para apenas continuar. Como o cérebro tende a economizar esforço, tarefas que parecem grandes, complexas ou desagradáveis podem despertar uma resistência inicial.


Além disso, é comum antecipar todo o esforço que aquela atividade pode exigir, o que faz com que ela pareça um problema muito maior do que realmente é. Antes mesmo de começar, imaginar o cansaço envolvido — ou lidar com a cobrança interna de fazer tudo perfeitamente — já torna tudo mais pesado. “Muitas vezes, sofremos mais pensando na tarefa do que durante sua execução”, afirma.


A boa notícia é que, depois do primeiro start, essa percepção tende a mudar. Segundo Chrystina, a tarefa deixa de ser uma ideia abstrata e passa a se tornar uma experiência concreta. “O cérebro percebe que ela é possível, a ansiedade diminui e a continuidade acontece com mais facilidade.”


Truques para começar


Entre as estratégias que podem ajudar a sair do sofá está a “regra dos 5 minutos”. A proposta é se comprometer com uma tarefa apenas por esse período. Para colocá-la em prática, escolha algo que precisa ser feito, ligue o cronômetro e se concentre somente no que é possível realizar naquele intervalo de tempo.


Segundo a especialista, quando a mente continua presa ao tamanho da atividade, a ansiedade tende a permanecer, então o importante é manter a atenção na tarefa escolhida, sem pensar em tudo o que ainda falta concluir. “O exercício propõe voltar o foco para a ação presente: fazer o próximo passo e, depois, o seguinte.”


Outra maneira de facilitar esse processo é dividir aquilo que precisa ser feito em partes pequenas, simples e bem específicas. Se fazer uma faxina na casa parece um monstro gigante, por exemplo, escolher apenas três atividades — como guardar as roupas, lavar a louça e varrer o chão — pode tornar tudo mais alcançável.


Chrystina explica que quando um objetivo é dividido em etapas menores, o cérebro consegue visualizar melhor o que precisa ser feito. Além disso, cada parte concluída traz uma sensação prazerosa de avanço e dever cumprido, o que pode dar mais ânimo caso você queira seguir para o próximo passo.


“No fundo, esse não é apenas um recurso para aumentar a produtividade. É também um exercício para a vida. Quando aprendemos a concentrar nossa energia no momento presente, em vez de sermos consumidos pelo tamanho do desafio, caminhamos com mais leveza e consistência”, afirma a especialista.


Reduza os obstáculos do caminho


Ao longo do dia, tomamos decisões o tempo todo: o que vestir, o que comer, por onde começar. Esse acúmulo de escolhas pode causar a chamada “fadiga decisória”, no qual o cérebro tende a optar por caminhos diferentes daquelas que faria se estivesse descansado


Por isso, a terceira recomendação é criar uma rotina para o que precisa ser feito com frequência. Se você deseja fazer exercícios todos os dias, por exemplo, definir antecipadamente um horário pode evitar aquela negociação interna entre começar agora, deixar para mais tarde ou simplesmente desistir. Isso não significa que o hábito vai se tornar automático de uma hora para outra, mas a constância e a repetição em um momento fixo do dia podem facilitar esse processo com o passar do tempo.


Outra recomendação é preparar o ambiente. “Se você deseja caminhar, deixe o tênis separado. Se precisa estudar, mantenha o material organizado e pronto para ser usado”, indica. Isso funciona porque, quanto mais etapas existem antes de uma tarefa, maior pode ser a chance de desistir. Se antes de caminhar você ainda precisa procurar o tênis, escolher a roupa e organizar o que vai levar, o começo pode parecer ainda mais trabalhoso. Quando tudo já está pronto, basta colocar o tênis e sair.


Mas Chrystina lembra que também existe outro lado dessa história: não há problema algum em tirar um verdadeiro dia para ficar de preguiça. “Vivemos em uma cultura que valoriza a produtividade o tempo todo, como se descansar fosse sinônimo de fracasso. Não é. Há dias em que parar, respirar, perceber o próprio corpo, observar a luz natural entrando pela janela ou simplesmente permanecer alguns minutos em silêncio também é uma forma de cuidado.”


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