Mesa de 7 toneladas quebra recorde e é vendida por valor milionário

Considerado um dos arquitetos mais influentes do fim do século XX e vencedor do Prêmio Pritzker de Arquitetura em 1989, o canadense-americano Frank Gehry ficou conhecido por transformar materiais convencionais em formas inesperadas. Autor de obras icônicas, como o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, e o complexo Neuer Zollhof, em Düsseldorf, na Alemanha, ele também marcou o design com a linha de mobiliário Easy Edges, produzida em papelão ondulado e MDF. Agora, uma de suas criações mais inusitadas voltou aos holofotes: em 15 de julho, a mesa Icehenge bateu um novo recorde em leilão.
Leiloada pela Freeman's Auction House, a peça de vidro de 6,8 toneladas foi arrematada por US$ 243.200 (cerca de R$ 1,23 milhão, na cotação atual), valor acima da estimativa inicial, que variava entre US$ 100 mil e US$ 200 mil. O montante também superou o recorde anterior alcançado por um objeto de design assinado por Gehry: a Fish Lamp, vendida por US$ 239.400 em um leilão da Phillips, em 2021.
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Icehenge: uma mistura de leveza e peso no mobiliário
O arquiteto projetou a mesa em 2012 para ser incorporada ao saguão do Inland Steel Building
Freeman’s/Reprodução
Projetada em 2012 para o saguão do Inland Steel Building, em Chicago, a Icehenge foi concebida especialmente para o edifício de escritórios inaugurado em 1958 e projetado pelo escritório Skidmore, Owings & Merrill. Gehry participou de intervenções no imóvel entre 2005 e 2007 e costumava descrevê-lo como um de seus edifícios favoritos.
Desenvolvida em parceria com o John Lewis Glass Studio, de Oakland, a peça foi criada para funcionar como um balcão de recepção monumental. A composição reúne 16 blocos de vidro fundido em tonalidade esverdeada, organizados entre duas grandes placas horizontais que formam a superfície da mesa. Elementos verticais de apoio e dois armários espelhados completam a estrutura. O tom do vidro faz referência às janelas do Inland Steel Building, enquanto bolhas e fissuras naturais no material dispersam a luz pelo ambiente, criando um efeito escultórico.
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Mais do que um móvel funcional, a Icehenge sintetiza uma das principais características da obra de Gehry: a capacidade de transformar materiais comuns em experiências espaciais e escultóricas, convertendo o vidro em estrutura e protagonista visual ao mesmo tempo. A peça permaneceu no saguão do edifício desde sua instalação, mas, em 2025, a New York Life Insurance Company assumiu a propriedade após um processo de execução hipotecária e decidiu colocá-la à venda.
"Embora soubéssemos que poderia ser difícil encontrar um comprador para um objeto de seu tamanho e peso, compradores de diferentes origens e localidades participaram ativamente, em uma demonstração do poder duradouro de Gehry como um dos mais proeminentes visionários do design de nosso tempo", afirmou Roger Ward, vice-presidente e chefe do departamento de Design da Freeman's Auction House.
A obra funcionou como balcão de recepção do edifício desde sua criação
Freeman’s/Reprodução
A identidade do comprador não foi divulgada. Caberá ao novo proprietário providenciar a remoção, o transporte e a reinstalação da mesa. Segundo a Freeman's, a intenção é manter a Icehenge acessível ao público, com a possibilidade de emprestá-la temporariamente a um museu, embora ainda não exista um plano definido.




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