Carnaval em casa também pode ser educativo: especialistas dão dicas para entreter as crianças com saúde e desenvolvimento
stock.adobe.com Enquanto muitos adultos aproveitam o Carnaval nas ruas,
milhares de famílias optam por viver o feriado em casa com as crianças, seja
por escolha, rotina ou necessidade. Para especialistas em desenvolvimento
infantil, esse período pode ir muito além de “passar o tempo”: ele pode se
transformar em uma oportunidade valiosa de estímulo cognitivo, emocional e
social.
Segundo a neuropsicopedagoga e especialista em comportamento
infantil Silvia Kelly Bosi, o segredo está em oferecer experiências simples,
mas intencionais.
“Brincadeiras livres, jogos simbólicos, música, dança e até
pequenas atividades domésticas adaptadas à idade estimulam funções importantes
como atenção, memória, linguagem e autorregulação emocional”, explica.
Atividades como fantasias feitas em casa, contação de
histórias, desenho, pintura e jogos de imitação ajudam a criança a elaborar
emoções e exercitar a criatividade. Para a psicóloga e neuropsicóloga Thaís
Barbisan, também é essencial respeitar os limites infantis durante o feriado.
“Carnaval não precisa ser sinônimo de excesso. Crianças precisam de
previsibilidade, rotina mínima e descanso para manter o equilíbrio emocional,
especialmente as mais sensíveis ou com desafios no desenvolvimento”, destaca.
A linguagem e a comunicação também merecem atenção especial
nesse período. A fonoaudióloga Angelika dos Santos Scheifer lembra que momentos
lúdicos são ideais para estimular a fala e a escuta.
“Cantar músicas, brincar
de rimas, conversar sobre fantasias ou criar histórias juntos são formas
naturais e prazerosas de fortalecer a comunicação e ampliar o vocabulário”,
afirma.
Para mães de crianças com deficiência, transtornos do
neurodesenvolvimento ou doenças raras, o feriado pode trazer desafios
adicionais. Natália Lopes, fundadora do projeto Voz das Mães, ressalta a
importância do acolhimento e da escuta.
“Nem toda criança consegue lidar com
barulho, multidões ou mudanças bruscas de rotina. Respeitar isso não é privar,
é cuidar. Carnaval em casa também pode ser leve, afetivo e cheio de
significado”, pontua.
As especialistas reforçam que não é preciso investir em
atividades complexas ou tecnológicas. O mais importante é a presença, o vínculo
e o olhar atento às necessidades individuais da criança. Com criatividade e
sensibilidade, o Carnaval pode ser vivido de forma saudável, mesmo longe da
folia tradicional.





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