Cantineira de escola municipal de BH recebe prêmio nacional por receita com ora-pro-nóbis
Cantineira de escola municipal de BH recebe prêmio nacional por receita com ora-pro-nóbis
ISADORA MACIEL POEIRAS SANTOS
Uma receita feita com ora-pro-nóbis cultivado na horta escolar levou a cantineira Marina de Fátima da Cunha Reis, da Escola Municipal Sebastiana Novais, ao reconhecimento nacional. A profissional recebeu em Brasília a premiação da 3ª edição do Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, após conquistar o segundo lugar em Minas Gerais.
A profissional representou Belo Horizonte com a receita "Farofa de ora-pro-nóbis", desenvolvida a partir de um trabalho coletivo envolvendo estudantes e profissionais da escola. Para Marina, a viagem simbolizou um momento inesquecível em seus quase 17 anos de atuação na escola, que ela considera uma segunda casa.
"Quando eu soube que iria para Brasília receber um prêmio, achei que era mentira. Estou muito feliz por conhecer a cidade e representar Belo Horizonte. Estou emocionadíssima", conta a cantineira.
Para a diretora da Escola Sebastiana Novais, Roseli Mariles, o reconhecimento nacional é fruto de um projeto pedagógico construído ao longo dos anos. "Mais do que uma vitória culinária ou institucional, este resultado é reflexo de uma construção pedagógica e social profunda. O projeto nasceu na horta escolar, que transformou a relação dos estudantes com a terra e com a alimentação. Ao valorizarmos o ora-pro-nóbis, também resgatamos saberes ancestrais e fortalecemos a educação para as relações étnico-raciais", afirma.
Roseli destaca que toda a comunidade escolar participou da conquista. "Foi um trabalho desenvolvido por muitas mãos. Quando soubemos que estávamos entre as cinco melhores receitas do Brasil, reunimos os estudantes para compartilhar essa alegria. Já nos sentíamos vencedores e mobilizamos toda a comunidade para participar da votação", comentou a diretora.
A receita
A receita premiada nasceu de uma iniciativa simples. A primeira muda de ora-pro-nóbis foi levada à escola por uma aluna, que a trouxe da casa da avó para ser cultivada na horta escolar. Inicialmente, a planta passou a integrar preparações com frango e carne de porco. Depois, surgiu a ideia de transformá-la em uma farofa.
Segundo a cantineira, o prato simboliza muito mais do que uma receita. "Quando os meninos perguntam o que tem na farofa, eu respondo: tem ora-pro-nóbis, azeite, farinha e amor".
O concurso
Promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em parceria com a Itaipu Binacional, Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IFSuldeMinas) e Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Extensão, Pesquisa, Ensino Profissionalizante e Tecnológico (Fadema), o concurso foi criado para valorizar o trabalho dos merendeiros do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).
A participação das unidades escolares da rede municipal e parceiras no concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar foi incentivada pelas supervisoras de alimentação e pela equipe de Coordenação de Mobilização e Educação para o Consumo Alimentar da Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional.
A comissão julgadora avaliou 2.772 inscrições de todo o país. Destas, 136 foram selecionadas para votação popular e 55 receitas premiadas, sendo duas por unidade da Federação e uma da entidade executora federal. Cada cantineira vencedora receberá R$ 5 mil, enquanto as escolas contempladas receberão R$ 8 mil para investimentos na infraestrutura das cozinhas escolares. As receitas também serão reunidas em um e-book, que será lançado durante o Prêmio Pnae 2026.





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