O que duas inaugurações em menos de uma semana revelam sobre os planos da Casa do Construtor na Argentina

Quando a Casa do Construtor inaugurou a primeira unidade na Argentina, em Córdoba, o movimento foi visto como um marco importante na estratégia internacional da companhia. Poucos meses depois, porém, o que parecia um primeiro passo isolado começa a revelar algo maior. Em menos de uma semana, a rede prepara a abertura de duas novas operações no país: Guaymallén, na região metropolitana de Mendoza, em 25 de julho, e Escobar, na província de Buenos Aires, em 4 de agosto.
As duas unidades ajudam a explicar como a maior rede de locação de equipamentos da América Latina está construindo sua presença fora do Brasil. A estratégia passa menos pela velocidade e mais pela adaptação. Antes da placa ser instalada, existe um longo processo de formação de equipes, estruturação operacional, escolha de fornecedores e adequação do modelo de negócio à realidade local.
É justamente nesse bastidor que atua Bruno Arena, vice-presidente internacional da Casa do Construtor. Depois de anos liderando a expansão nacional da Rede, ele assumiu a missão de conduzir a internacionalização da marca e transformar um modelo consolidado no Brasil em uma operação capaz de dialogar com diferentes culturas latino-americanas.
"A abertura de uma loja é apenas a etapa visível. O trabalho começa muito antes. Cada mercado exige escuta, adaptação e entendimento profundo da realidade local. O que estamos construindo na Argentina é uma operação preparada para crescer de forma sustentável", afirma Bruno.
O projeto argentino tem uma característica que chama atenção. Assim como ocorreu em Córdoba, as novas operações foram estruturadas por meio do modelo cross brand, estratégia que conecta a expertise da Casa do Construtor com empresas e empreendedores já inseridos no mercado local. Em vez de simplesmente replicar o modelo brasileiro, a proposta é combinar conhecimento regional com processos, tecnologia e suporte desenvolvidos ao longo de mais de três décadas de operação.
Em Mendoza, por exemplo, a escolha por Guaymallén não aconteceu por acaso. A região é considerada um dos principais motores econômicos da província, concentrando atividades ligadas à construção civil, logística, comércio e ao setor vitivinícola. Já Escobar representa uma porta de entrada estratégica para a região metropolitana de Buenos Aires, uma das áreas mais dinâmicas da economia argentina.
Por trás das inaugurações, equipes da Argentina vêm participando de treinamentos presenciais e digitais conduzidos pela Universidade Corporativa da Casa do Construtor. O trabalho envolve capacitação operacional, cultura de atendimento, gestão de equipamentos e processos comerciais. Ao mesmo tempo, fornecedores locais são homologados e o portfólio de equipamentos passa por ajustes para atender às necessidades específicas de cada região.
A estrutura que sustenta esse avanço foi reforçada em 2024 com a criação da Formatta Internacional, unidade de negócios responsável por coordenar a expansão fora do Brasil. Ao lado de Bruno Arena, atuam o gerente Latam Ronaldo Rizzi e o analista internacional Rafael Gavioli, além do suporte das áreas de Marketing, Jurídico, Financeiro e Tecnologia da franqueadora.
O movimento acontece em um momento de crescente interesse pelo modelo de locação de equipamentos em diferentes países da América Latina. Em mercados onde a compra de máquinas representa alto investimento, o aluguel surge como alternativa para profissionais, pequenas empresas e construtoras que buscam produtividade sem necessidade de imobilizar capital.
Para Bruno Arena, o avanço na Argentina representa mais do que a abertura de novas lojas. É a construção de uma base para os próximos anos. "Nosso objetivo não é simplesmente abrir unidades. Queremos construir operações sólidas, respeitando a cultura local e criando relações duradouras com clientes, fornecedores e parceiros. A Argentina é um mercado estratégico dentro da nossa visão de longo prazo para a América Latina."
As inaugurações de Mendoza e Escobar mostram que a entrada da Casa do Construtor no país deixou de ser uma experiência piloto. A rede começa a formar um corredor de operações em regiões economicamente relevantes, combinando interior produtivo, grandes centros urbanos e mercados com potencial de desenvolvimento.
Em um setor acostumado a medir crescimento pelo número de lojas, talvez o principal indicador esteja justamente fora das inaugurações. Está na capacidade de transformar uma marca brasileira, nascida no interior de São Paulo, em uma operação preparada para crescer respeitando as particularidades de cada país que decide chamar de casa.





COMENTÁRIOS