Vídeo mostra PMs em escola de SP após pai reclamar de desenho de orixá
Imagens de câmeras corporais de agentes da Polícia Militar de São Paulo mostram um tenente acusando a diretora da EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil) Antônio Bento, na zona Oeste de São Paulo, de “impor regras” e “ditar sua ideologia” no momento em que ela tenta explicar a dinâmica educacional que inclui o estudo sobre a cultura afro-brasileira nas escolas públicas.
O caso ocorreu em novembro de 2025, quando o pai de uma das alunas teria acionado a polícia após a filha chegar em casa com um desenho de Iansã, uma orixá das religiões de matriz africana. Segundo o denunciante, a escola estaria impondo aulas de religião.
Durante a conversa entre a diretora Aline Aparecida Nogueira e o tenente no interior da unidade escolar, a servidora explica que a abordagem afro-brasileira é garantida na Lei Federal 10.639/2003 sobre a obrigatoriedade da abordagem da cultura nas escolas a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
“O trabalho da escola não é tirado da minha cabeça ou de outro professor”, diz a diretora.
O tenente afirma que foi acionado por uma ocorrência de intolerância religiosa e que o pai da criança teria o direito de contestar a prática.
A diretora chega a convidar os policiais para uma reunião de mediação de conflito que ocorreria com a comunidade escolar, incluindo os pais das crianças, para explicar o plano de ensino e discutir sobre o ocorrido.
Em determinado momento, a diretora afirma que a escola e a comunidade escolar estavam sendo coagidas, uma vez que o denunciante acionou o efetivo policial para resolver a situação.
Nesse momento, o tenente diz que vai embora com os outros agentes e afirma que a diretora, ao invés de estar aberta para conversa, preferiu “impor e ditar as próprias regras e pensamentos”.
“Não vou conversar com a senhora agora”, diz o PM. O tenente inclusive afirma que voltaria na unidade com uma medida administrativa, se necessário, e chama a diretora de “muito mal educada”.
Veja abaixo:
A CNN Brasil procurou a PM e a SSP-SP para pronunciamento sobre a conduta do tenente da PM, mas, até o momento, a secretaria enviou apenas uma nota informando que as imagens captadas foram encaminhadas pela Corregedoria ao Tribunal de Justiça Militar para análise. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
A Secretaria Municipal de Educação também informou que à época “garantiu todas as medidas para apoiar a comunidade escolar”, como, por exemplo, investindo em projetos educacionais antirracistas.
Entenda o caso
Em 12 novembro de 2025, a Polícia Militar foi acionada após o pai de uma criança acusar a escola onde ela estuda de impor religião afro-brasileira nas aulas. A menina havia desenhando a entidade divina de matriz africana durante a aula
Á época, militares entraram armados na unidade escolar, após uma ligação do pai, que também é policial militar. Ele teria dito que a filha estaria sendo obrigada a ter aula de religião africana.
No dia anterior ao ocorrido, o pai da criança já havia ido à escola demonstrar sua insatisfação em relação à aula e teria se portado de maneira inadequada, retirando do mural o desenho de Iansã que a filha havia feito.
Naquele dia, os policiais permaneceram na escola por mais de uma hora e foram embora por volta das 17h com o pai da aluna.
Indiciado
Após análises das câmeras corporal e colhimento de depoimentos de testemunhas, a Polícia Civil indiciou o pai da criança pelo crime de intolerância religiosa.
O inquérito policial foi concluído em relatado ao Poder Judiciário em fevereiro de 2026.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo





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