Quem é o dono do PicPay, banco investigado em operação do Ministério Público

O banco digital PicPay está envolvido em uma operação deflagrada nesta sexta-feira (19/6) pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para apurar descontos indevidos nas folhas de pagamento de servidores do Governo do Distrito Federal (GDF).
Além da fintech, a ação investiga o Banco de Brasília (BRB), a Secretaria de Economia do DF e o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev). Eduardo Chedid, CEO do PicPay, é um dos alvos da operação, mas ele não esteve por trás da criação da instituição de pagamentos.
Anderson Chamon foi o fundador do PicPay em 2012. De acordo com o site do banco digital, a inspiração foi facilitar a realização de pagamentos diários. O desenvolvimento da carteira digital teve início em janeiro daquele ano, ao lado de Dárcio Stehling, em Vitória (ES). Outros nomes se juntaram ao time fundador: Davi Pozzi, Hudson Chamon, Diogo Roberte e Pablo Gomes.
Três anos após a fundação, o PicPay recebeu um investimento do grupo J&F, controlado pela família Batista (JBS), que se tornou o sócio majoritário da fintech. Anderson, cofundador, permanece na operação como vice-presidente de novos negócios. Os executivos Hudson Chamon e Diogo Roberte, que estiveram no início da empresa, seguem como cofundadores, mas sem cargo definido, de acordo com o perfil de ambos no LinkedIn. Stehling deixou a companhia em 2023 para fundar a fintech Baobá.
Atualmente, o PicPay opera sob modelo bancário completo, com diversos produtos e serviços. Os números mais recentes, de dezembro de 2025, indicam 67 milhões de contas abertas e mais de 42 milhões de clientes ativos, de acordo com o balanço divulgado pela empresa. No ano passado, a fintech superou R$ 10 bilhões em receita e R$ 502 milhões de lucro líquido ajustado.
Em janeiro deste ano, o PicPay abriu o capital na Nasdaq, nos Estados Unidos. A empresa foi avaliada em US$ 2,6 bilhões, com papéis em US$ 19,50, e levantou US$ 434 milhões na oferta pública inicial. Ontem (18/6), a negociação da ação do PicPay fechou em US$ 10,50.
Entenda a investigação
Segundo o g1, os órgãos investigados teriam feito um esquema de descontos indevidos, disfarçados de “taxas”, na folha de pagamento dos servidores. A ação teria iniciado após um decreto distrital, de 8 de agosto de 2024, originado na Secretaria de Economia. Seis dias depois, o PicPay formalizou interesse em operar as folhas de pagamento do Governo do Distrito Federal, operadas pelo BRB naquele momento. Um relatório do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) apontou que o PicPay descontou R$ 81,7 milhões dos salários dos servidores do Governo do Distrito Federal, entre 2024 e 2025, de forma irregular, na modalidade de adiantamento de salário.
Em nota, o PicPay afirmou que não reconhece irregularidades nas operações mencionadas. “A companhia rejeita a alegação de cobrança indevida. Seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes e submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão”, diz a nota. Veja a íntegra ao fim da matéria.
A investigação apura se houve lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, inserção e modificação de dados em sistema da administração pública, crime contra a economia popular e publicidade enganosa nas relações de consumo. O MP cumpre 50 mandados de busca e apreensão em Brasília (DF), São Paulo (SP) e Curitiba (PR).
Chedid, um dos alvos da operação, assumiu como CEO do PicPay em 2022. Com mais de 30 anos de experiência no setor de pagamentos eletrônicos, ele foi CEO da Elo por seis anos e vice-presidente comercial da Cielo. O currículo também inclui vice-presidência da Visa e diretoria da Credicard.
Veja a nota completa do PicPay
"O PicPay reafirma seu compromisso com a estrita observância da legislação e da regulamentação aplicáveis aos setores financeiro e de meios de pagamento.
A companhia não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida. Seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes e submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão.
O valor antecipado era disponibilizado no próprio cartão do cliente, depois de feita a solicitação por ele mesmo no aplicativo, sem intermediários ou associações e sem cobrança nessa modalidade.
O PicPay mantém uma sólida estrutura de governança corporativa, gestão de riscos e compliance, alinhada às melhores práticas de mercado e aos mais elevados padrões regulatórios.
A empresa seguirá colaborando plenamente com as autoridades competentes e está confiante de que quaisquer esclarecimentos necessários confirmarão a regularidade de sua atuação."




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