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Maria Bethânia, 80 anos: dez músicas sobre as nuances do amor

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Maria Bethânia, 80 anos: dez músicas sobre as nuances do amor

No dia 18 de junho de 1946, em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, nascia uma das maiores vozes da música brasileira: Maria Bethânia. Dona de uma interpretação singular, capaz de transformar cada palavra em emoção, a cantora chega aos 80 anos com uma trajetória marcada por intensidade, poesia e uma conexão ímpar com a canção.


Com uma voz potente e ao mesmo tempo delicada, Bethânia atravessa décadas dando novos sentidos às letras que canta. Em suas interpretações, o amor aparece em todas as suas formas, românticas ou não: encontro e despedida, desejo e saudade, entrega e liberdade.


Para celebrar esta data tão especial para a música popular brasileira, a Vida Simples reuniu dez canções interpretadas por Maria Bethânia que revelam diferentes faces do amor, com suas belezas, dores, nuances e paixões.


‘Não Dá Mais Pra Segurar (Explode Coração)’


Com composição de Gonzaguinha, a música ficou imortalizada na voz de Maria Bethânia no álbum “Álibi”, lançado em 1978. “Não Dá Mais Pra Segurar (Explode Coração)” é uma canção sobre o amor que transborda e não cabe mais dentro de si. Bethânia interpreta com intensidade os sentimentos que surgem quando a paixão rompe todas as barreiras e se manifesta sem controle.


“Nascendo, rompendo, rasgando

Tomando meu corpo e, então, eu

Chorando, sofrendo, gostando, adorando, gritando

Feito louca, alucinada e criança

Sentindo meu amor se derramando

Não dá mais pra segurar

Explode coração.”



‘As Canções Que Você Fez Pra Mim’


Assinada por Roberto Carlos e Erasmo Carlos, “As Canções Que Você Pra Mim” foi lançada na voz de Maria Bethânia, em 1993, no álbum homônimo dedicado inteiramente às composições da dupla. Na canção, a dor da ausência e a dificuldade de seguir em frente após uma despedida marcam a interpretação de Bethânia. A música fala sobre a saudade de quem partiu e as lembranças que permanecem vivas no coração.


“É tão difícil olhar o mundo e ver

O que ainda existe

Pois sem você meu mundo é diferente

Minha alegria é triste

Quantas vezes você disse que me amava tanto

Tantas vezes eu enxuguei o seu pranto

E agora eu choro só, sem ter você aqui.”



‘Foguete’


Já que estamos em junho, que tal entrar no clima de Festa Junina? “Foguete”, lançada em 2016 no álbum “Tempo, Tempo, Tempo, Tempo (Ao Vivo)”, transforma a espera amorosa em celebração. Com composição de Roque Ferreira e J. Velloso, a música é um retrato delicado da saudade que antecede o reencontro e da alegria que chega quando o amor finalmente retorna.


“Tantas vezes eu soltei foguete

Imaginando que você já vinha

Ficava cá no meu canto, calada

Ouvindo a barulheira que a saudade tinha.

(…)

Você chegou no amiudar do dia

E eu nunca mais senti tanta alegria

Se eu soubesse, soltava foguete

Acendia uma fogueira e enchia o céu de balão

Nosso amor é tão bonito, tão sincero

Feito festa de São João.”



‘Reconvexo’


Mais do que uma canção de amor romântico, “Reconvexo”, lançada no álbum “Memória da Pele”, de 1989, é uma declaração de pertencimento e afeto pelas raízes, pela cultura e pela identidade do Recôncavo Baiano. Na voz de Bethânia, a canção escrita pelo seu irmão, Caetano Veloso, ganha ainda mais contornos de manifesto afetivo e ancestral.


“Seu olho me olha mas não me pode alcançar

Não tenho escolha, careta, vou descartar

Quem não rezou a novena de Dona Canô

Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor

Quem não amou a elegância sutil de Bobô

Quem não é Recôncavo e nem pode ser reconvexo.”



‘Olhos Nos Olhos’


“Olhos Nos Olhos” fazer parte do disco “Pássaro Proibido”, de 1976. A composição de Chico Buarque ficou eternizada como um dos grandes “hinos” sobre “superação” amorosa da música brasileira na voz de Maria Bethânia. A letra narra a reconstrução de alguém que sofreu com o abandono, mas encontrou força para seguir e reencontrar o próprio caminho.


“Quando você me deixou, meu bem

Me disse pra ser feliz e passar bem

Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci

Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever

Já vai me encontrar refeita, pode crer

Olhos nos olhos, quero ver o que você faz

Ao sentir que sem você eu passo bem demais.”



‘Prudência’


Escrita por Tim Bernardes, “Prudência” é a música mais recente da lista, lançada no álbum “Noturno”, em 2021. A bela canção questiona uma vida excessivamente controlada e sem riscos. Como uma boa geminiana, Maria Bethânia interpreta lindamente as paixões e os impulsos que, apesar dos tropeços, ajudam a construir quem somos.


“Mas longe de qualquer perigo eu me afundo num tédio

Que vida vazia sem nenhum mistério

Na dura apatia de um controlador

Prudência, não me venha falar em prudência

As paixões que me descontrolaram

São as que fizeram eu ser como sou.”



‘Cheiro de Amor’


Com composição de Paulo Sérgio Valle, Jota Morais, Ribeiro e Duda Mendonça, “Cheiro de Amor” ganhou vida na voz de Maria Bethânia no álbum “Mel”, de 1979. A canção retrata a intensidade do desejo e a memória dos encontros amorosos. Entre lembranças e sensações, o amor permanece vivo mesmo na distância.


“Foi tudo tão de repente

Eu não consigo esquecer

E confesso, tive medo

Quase disse não

E meio louca de prazer

Lembro teu corpo no espelho

E vem o cheiro de amor

Eu te sinto tão presente

Volte logo, meu amor.”



‘Sonho Impossível’


Com composição de Chico Buarque e Ruy Guerra, a canção versa sobre persistência, coragem e entrega. Embora trate da busca por ideais, a canção também revela a força de quem vive suas paixões profundamente e está disposto a lutar por aquilo em que acredita. Tudo isso na voz de Maria Bethânia. A música foi lançada pela primeira vez no álbum “Chico Buarque e Maria Bethânia Ao Vivo”, em 1975. No entanto, está presente em diversas coletâneas da cantora.


“É minha lei, é minha questão

Virar esse mundo, cravar esse chão

Não me importa saber se é terrível demais

Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz

E amanhã, se esse chão que eu beijei

For meu leito e perdão

Vou saber que valeu delirar

E morrer de paixão.”



‘Olha’


Mais uma composição da dupla Roberto Carlos e Erasmo Carlos presente no álbum “As Canções Que Você Pra Mim”, de 1993. “Olha” traduz o desejo de compartilhar a vida a dois. A letra expressa o sonho de construir uma história baseada no amor, na companhia e na entrega mútua.


“Olha, você vive tão distante

Muito além do que eu posso ter

Eu que sempre fui tão inconstante

Te juro, meu amor, agora é pra valer

Olha, vem comigo onde eu for

Seja meu amante e meu amor

Vem seguir comigo o meu caminho

E viver a vida só de amor.”



‘Negue’


“Negue”, do álbum “Álibi”, de 1972, é um clássico sobre a famosa ‘dor de cotovelo’. A canção aborda a dificuldade de apagar um amor do passado e mostra como certas marcas afetivas permanecem, mesmo quando alguém tenta negar o que viveu. A música é assinada por Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos.


“Diga que meu pranto é covardia

Mas não esqueça

Que você foi meu um dia

Diga que já não me quer

Negue que me pertenceu

Que eu mostro a boca molhada

E ainda marcada pelo beijo seu.”



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