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Belo Horizonte,15/06/2026

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Efeito álbum da Copa? Vendas de livros, jornais e revistas crescem 15% e lideram varejo em maio; aponta Stone

revistapegn.globo.com
Efeito álbum da Copa? Vendas de livros, jornais e revistas crescem 15% e lideram varejo em maio; aponta Stone


O setor de livros, jornais, revistas e papelaria registrou alta de 13,4% no volume de vendas em maio de 2026, na comparação com o mês anterior, de acordo com os dados do Índice do Varejo Stone (IVS), divulgados nesta segunda-feira (15). No confronto interanual, o avanço foi de 15%.
Ambos os indicadores representam o maior crescimento entre os oito segmentos pesquisados pelo relatório da empresa de meios de pagamento. O movimento coincide com o início da comercialização do álbum de figurinhas e dos envelopes para o torneio de seleções, item distribuído tradicionalmente em bancas de jornais e papelarias de bairros.
Em entrevista a PEGN, o economista e pesquisador da StoneCo, Guilherme Freitas, explica que o mercado de colecionáveis é o principal influenciador do resultado atípico, revelando muito sobre o comportamento do consumidor brasileiro em tempos de inflação e juros altos.
"Embora o início das vendas do álbum de figurinhas possa ter contribuído para o desempenho do segmento em maio, o movimento também chama atenção para a capacidade que produtos associados a experiências coletivas, engajamento emocional e hábito de colecionar ainda têm de mobilizar o consumo", avalia Freitas.
Mesmo diante de um ambiente econômico complexo, o comportamento do público mostra caminhos de resiliência. "Em um contexto de orçamento mais restrito, o consumidor tende a priorizar gastos que ofereçam valor simbólico, entretenimento ou interação social", diz Freitas.
"No caso específico do álbum, há um componente adicional de compras recorrentes, já que a experiência não se encerra na aquisição do produto principal, mas se estende à compra contínua de pacotes de figurinhas e às trocas entre colecionadores. O resultado reforça que produtos ligados à nostalgia, ao colecionismo e ao senso de comunidade continuam encontrando espaço relevante na cesta de consumo das famílias brasileiras", complementa o pesquisador.
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O avanço das publicações destoou do ritmo geral do comércio nacional, que registrou perda de fôlego pelo segundo mês consecutivo. O Índice Ampliado da Stone recuou 0,8% na margem, enquanto o Índice Restrito cedeu 0,1%. Na comparação anual, contudo, o varejo segue operando em patamar 2,8% superior a 2025.
O cenário reflete o mercado de trabalho aquecido — com desemprego em 5,8% em abril — e o aumento da massa salarial, que dão sustentação ao consumo básico, contrapondo-se ao elevado endividamento das famílias e ao alto custo do crédito.
Entre os demais segmentos avaliados, o cenário mensal foi misto. Registraram alta em maio os setores de tecidos, vestuário e calçados (2,6%) , móveis e eletrodomésticos (1,5%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,9%). Na ponta oposta, as principais retrações mensais foram apuradas em materiais de construção (2,4%) , outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,6%) , artigos farmacêuticos (1,1%) e combustíveis e lubrificantes (0,8%).
Com o início das partidas neste mês de junho, a expectativa do comitê econômico da StoneCo é que o impacto do torneio de futebol agora se espalhe e se consolide em outras cadeias varejistas. O consumo deve se voltar para categorias como eletroeletrônicos, vestuário esportivo, além de alimentos e bebidas para os dias de jogos.
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