Seja bem-vindo
Belo Horizonte,11/06/2026

  • A +
  • A -

“Há um verdadeiro estigma”, diz ministra à CNN sobre endometriose

cnnbrasil.com.br
“Há um verdadeiro estigma”, diz ministra à CNN sobre endometriose

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) apresentou, na última terça-feira (9), um projeto de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias voltado à endometriose, à dor pélvica e à saúde menstrual, temas que afetam milhões de mulheres no Brasil. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, a ministra Luciana Santos ressaltou que há “um verdadeiro estigma e preconceito” em relação às mulheres que sentem dor. 


“Eu tenho uma filha que tem dores e cólicas menstruais, e há dias em que ela não consegue ir para o colégio. Mas ela fica morta de vergonha porque não acha que ninguém deve saber que é por causa da cólica. Então há muita subjetividade nisso, o que prejudica o desempenho escolar. Você imagina, então, no trabalho. É muito tratado de maneira preconceituosa, como se fosse mimimi, capricho, e a gente tem que criar uma cultura de enfrentamento disso”, afirmou a ministra sobre o estigma em torno da endometriose e das dores menstruais que afetam as mulheres. 


Luciana Santos aponta que a naturalização da dor menstrual desde a primeira menstruação contribui para esse cenário. 




Com investimento de R$ 60 milhões, a iniciativa, de acordo com o Ministério da Saúde, visa contemplar pesquisas sobre endometriose e dores pélvicas, condições que afetam milhões de brasileiras e impactam a qualidade de vida, a permanência na escola, a produtividade no trabalho e a saúde mental. 


A ação é conduzida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com foco no desenvolvimento de soluções aplicáveis ao Sistema Único de Saúde (SUS). O Instituto Alana também participa da iniciativa, por meio de investimentos, pesquisas e disponibilização de dados. 


“Então, eu estou muito confiante. Acho que nós temos inteligência no Brasil e uma parceria que envolve a sociedade civil, a iniciativa privada, o SUS e as nossas cientistas e cientistas, numa perspectiva de cuidar da saúde da mulher”, ressaltou a ministra sobre as tecnologias que poderão ser desenvolvidas. 


LEIA TAMBÉM: Implantes hormonais dividem entidades médicas após restrições do CFM


Na chamada pública do CNPq, as propostas deverão se enquadrar em um dos cinco eixos temáticos: causa e prevenção, diagnóstico, tratamento, biorrepositório e impacto social. 


As pesquisas deverão contribuir para reduzir lacunas de conhecimento sobre a endometriose, doença crônica ainda subdiagnosticada, com atraso médio de sete anos para o diagnóstico. A condição afeta cerca de 8 milhões de brasileiras em idade reprodutiva, das quais 2 milhões são adolescentes. 


A ministra também destacou a importância de incorporar a perspectiva da saúde feminina às políticas de ciência, tecnologia e inovação e de como o Brasil pode avançar nas questões mais urgentes para as mulheres. 





Eu, como a primeira mulher na história desse Ministério, penso que, se nós não tivermos esse recorte de gênero, essa visão para atender às expectativas e às condições das mulheres na ciência e tecnologia, quem o fará?



Luciana Santos, ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações do Brasil



Dados apontam que quatro em cada dez alunas faltam às aulas mensalmente por causa de cólicas fortes ou moderadas, que atrapalham a rotina e exigem o uso de medicação. 


Além dos prejuízos à saúde física e mental, as cólicas intensas também podem levar mulheres a perder até 10,8 horas de trabalho por semana. 


















Luciana finalizou afirmando que as pesquisas e os investimentos buscam alcançar avanços que possam levar a tratamentos cada vez mais eficazes para as dores relacionadas à saúde menstrual. 


“Eu estou otimista especificamente com essa questão da saúde menstrual, da dor pélvica e da endometriose, porque ela tem um impacto muito grande na vida das mulheres. A gente precisa que elas tenham a possibilidade de um tratamento adequado e até da cura, que eu acredito que nós podemos alcançar”, disse.


 


*Sob supervisão de Thiago Félix




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.