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Belo Horizonte,10/06/2026

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Odiar e falar mal de alguém une mais as pessoas, diz estudo

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Odiar e falar mal de alguém une mais as pessoas, diz estudo

O ranço é o nosso maior laço de afinidade, e quem diz isso é a ciência. Pesquisadores das universidades de Oklahoma e do Texas comprovaram que compartilhar uma atitude negativa sobre uma terceira pessoa é eficaz para promover a proximidade entre desconhecidos.


Embora o senso comum diga que são os gostos em comum — a positividade — que nos atrai, a ciência demonstra que a “química” da negatividade é um motor de conexão mais rápido.




















O estudo


O estudo foi aplicado em três etapas distintas, utilizando tanto métodos de levantamento (pesquisas) quanto experimentos controlados para testar a hipótese de que o desgosto compartilhado por terceiros une as pessoas.


Nas duas primeiras etapas, os pesquisadores focaram em coletar dados de relacionamentos já existentes para entender o papel da negatividade na formação e manutenção de laços.



  • Estudo 1 (Recordação retrospectiva): Os participantes (120 universitários) identificaram seu amigo ou parceiro mais próximo e listaram o maior número possível de atitudes positivas (coisas que ambos gostavam) e negativas (coisas que ambos detestavam) que descobriram ter em comum durante o início do relacionamento.

  • Estudo 2 (Atitudes atuais): Para evitar distorções de memória, 88 participantes listaram as atitudes que compartilham atualmente com seus três amigos mais próximos. Em ambos os estudos, os pesquisadores codificaram se as atitudes eram sobre pessoas (ex: um professor, um grupo social) ou objetos/conceitos (ex: filmes, hobbies).


A terceira etapa foi desenhada para estabelecer uma relação de causa e efeito, simulando o encontro entre estranhos.



  • Formação de opinião: Os participantes ouviram uma conversa gravada entre dois estranhos fictícios. Eles foram instruídos a formar e escrever uma atitude positiva e uma negativa especificamente sobre um deles.

  • Manipulação de afinidade: Os pesquisadores informaram aos participantes que eles iriam conhecer outra pessoa e que essa pessoa compartilhava a mesma opinião que eles sobre o personagem fictício que fora escolhido (metade do grupo soube que compartilhava a opinião positiva; a outra metade, a negativa).

  • Variáveis adicionais: O experimento também testou se a força da atitude (o quanto a pessoa odiava ou gostava do mesmo personagem fictício) e a raridade da opinião (se a atitude era comum ou rara entre os outros participantes) influenciavam a conexão.

  • Medição: Ao final, os participantes avaliaram o quanto sentiam que iriam “clicar” ou desenvolver uma amizade com esse estranho antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente.


Em todos os três estudos, os pesquisadores aplicaram questionários sobre as crenças populares dos participantes.


O objetivo era comparar o que as pessoas acham que as une e o que os dados reais mostram.


O contexto das “atitudes fracas”


Enquanto a descoberta de uma afinidade positiva só gera uma conexão significativa se ambos os envolvidos sentirem muita intensidade pelo assunto, a antipatia mútua consegue promover o “clique” inicial mesmo quando o sentimento é leve ou moderado.


O compartilhamento de atitudes negativas fracas ou moderadas funciona como uma forma de “testar as águas” em uma nova interação.


Isso permite que os indivíduos estabeleçam uma intimidade inicial antes de avançarem para a revelação de crenças mais profundas e pessoais


Erro do senso comum


A pesquisa expôs a contradição entre o que as pessoas acreditam e como agem.


Os participantes do estudo acreditavam que a positividade era o melhor caminho para a amizade, mas seus próprios históricos de amizade revelaram mais atitudes negativas compartilhadas sobre outros no início da relação.


Na ausência de grandes paixões em comum, os futuros amigos descobrem que a relação flui de forma mais suave quando começa com um desgosto leve e mútuo por uma terceira pessoa.


Compartilhar essa negatividade “suave” ajuda a estabelecer rapidamente as fronteiras entre quem pertence ao grupo (nós) e quem está fora dele (eles), o que aumenta a autoestima e a sensação de pertencimento desde o início.


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