Adolescentes criam kits e ajudam a combater a pobreza menstrual em comunidades

Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Saint Hilaire, em Porto Alegre (RS), a estudante Joana Souza se uniu a outras colegas para criar o projeto Garotas de Vermelho, que aborda a importância de falar sobre a menstruação nas escolas e promover a dignidade menstrual.
“É sobre meninas que lutam pelos seus direitos”, enfatiza Souza.
A iniciativa passou a arrecadar e doar itens de saúde menstrual para alunas da escola e da comunidade, enfrentando uma realidade marcada pela vulnerabilidade social e pela falta de acesso a produtos básicos. “A gente oferece o que elas precisam”, afirma Alice Aparecida.
Ao perceberem a ausência de debates sobre o tema nas escolas, as estudantes identificaram uma brecha importante e passaram a discutir as dificuldades enfrentadas por muitas meninas, que frequentemente precisam escolher entre comprar alimentos básicos, como arroz, ou absorventes, por não terem condições financeiras de adquirir ambos. “A pobreza menstrual é um problema universal”, diz Manuella Barcellos.
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Além da distribuição de itens, o projeto também promove rodas de conversa sobre saúde mental e o cotidiano das participantes, criando um espaço de acolhimento e troca. A iniciativa contou com a orientação da professora Maria Gabriela Souza, docente de matemática e mãe de Souza.
Com o apoio de costureiras da comunidade, o grupo desenvolveu kits compostos por dois absorventes sustentáveis, uma bolsa térmica para alívio das cólicas e um livro sobre educação menstrual. A cada unidade vendida, outra é doada gratuitamente. O valor arrecadado é reinvestido na própria iniciativa, garantindo a continuidade do projeto.
Ecobag inclusa no kit desenvolvido pelo coletivo
Reprodução/TV Globo
O impacto da ação levou as alunas a vencerem em 2023 o Desafio Liga Jovem do Sebrae, competição nacional de empreendedorismo tecnológico para estudantes do Brasil. Após a premiação, o projeto ganhou visibilidade e ultrapassou fronteiras: com a orientação da professora, as jovens viajaram para Madri, onde apresentaram a iniciativa em espaços de inovação.
“A educação empreendedora contribui para a transformação social”, comenta a docente.
A partir da experiência, Souza também desenvolveu um novo projeto voltado ao combate à violência contra crianças e adolescentes, que também foi vencedor. Ao tratar de temas como violência sexual e educação menstrual, ela reforça que ainda há preconceito. “Não estamos falando de sexualidade, estamos falando sobre saúde e sobre o nosso corpo”, esclarece.
Hoje, o grupo realiza ações educativas em outras escolas e participa de eventos ligados aos ministérios da Saúde, das Mulheres e dos Direitos Humanos, ampliando o alcance da iniciativa. O objetivo é claro: garantir que o público feminino em situação de vulnerabilidade tenha acesso a itens básicos de saúde menstrual.
As inscrições para a 4ª edição do Desafio Liga Jovem Sebrae estão abertas até sábado (06/06) para estudantes do 8º ou 9º ano, do ensino médio ou técnico, com projetos capazes de transformar a escola, a comunidade ou a cidade.
Confira a seguir a reportagem completa exibida no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da TV Globo:
Alunas produzem absorventes para distribuir kits contra a pobreza menstrual




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