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Belo Horizonte,07/06/2026

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Americano pega prisão perpétua por homicídio com ajuda de babá brasileira

cnnbrasil.com.br
Americano pega prisão perpétua por homicídio com ajuda de babá brasileira

O americano Brendan Banfield foi sentenciado à prisão perpétua na sexta-feira (5), sem possibilidade de liberdade condicional, após ser condenado por matar sua esposa e um outro homem como parte de um plano elaborado em conjunto com a babá brasileira da família, Juliana Peres Magalhães.


“O nível de crueldade, planejamento e desumanidade neste caso reflete algo muito mais profundo do que raiva ou impulso — reflete maldade. É por isso que não tenho qualquer peso na consciência nem hesitação em condená-lo à prisão perpétua”, declarou a juíza Penney S. Azcarate ao proferir a sentença.


Segundo os promotores, Banfield e Juliana Peres Magalhães — que mantinham um relacionamento amoroso — atraíram um homem chamado Joseph Ryan para a casa da família em fevereiro de 2023 sob o pretexto de um encontro sexual, com o objetivo de incriminá-lo pelo assassinato de Christine, esposa de Banfield.




Brendan Banfield e a babá de 26 anos prestaram depoimento durante o julgamento dos dois homicídios e apresentaram versões conflitantes dos fatos. Banfield insistiu que atirou em Ryan após encontrar o homem atacando sua esposa.


A juíza também determinou que Banfield, de 41 anos, cumpra penas consecutivas por suas condenações relacionadas a um crime envolvendo arma de fogo e a uma acusação de colocar uma criança em perigo. Esta última acusação está relacionada à filha pequena do casal, que estava na residência da família em Herndon, Virgínia, no momento dos assassinatos.


Antes da sentença ser anunciada, Banfield dirigiu-se ao tribunal, defendendo sua inocência e argumentando que o caso apresentado pela promotoria tinha falhas.


“Não estou tentando diminuir de forma alguma o que foi a vida de Christine. Ela realmente era uma mãe atenciosa, uma esposa dedicada e uma enfermeira amorosa”, afirmou. “Mas eu não sou responsável por sua morte.”


Familiares das vítimas de Banfield também falaram perante o tribunal na sexta-feira. A irmã mais velha de Christine relembrou inúmeras memórias felizes da infância ao lado de sua querida “irmãzinha”.


“Desde que a perdi, essas mesmas lembranças mudaram. Elas já não são apenas alegres, mas carregadas de tristeza, cada uma delas uma lembrança de tudo o que eu tinha e de tudo o que me foi tirado”, disse Danielle Hocker.


Segundo Hocker, Christine era uma mãe dedicada à sua filha pequena, Valerie, que agora conhecerá a mãe principalmente por meio das histórias contadas por outras pessoas.


“Estarei presente, não para substituir minha irmã, mas para contar a Valerie quem sua mãe era, lembrá-la de sua risada contagiante e de seu coração ainda maior”, disse Hocker. “Vou contar a Valerie o quanto ela era amada por sua mãe, e carregarei para sempre tanto a dor de tê-la perdido cedo demais quanto a gratidão por tê-la amado durante 37 anos e ter sido amada por ela em troca.”


Antes da sentença, uma amiga de infância Christine a descreveu como uma enfermeira pediátrica dedicada, defensora de vítimas de estupro e uma amiga altruísta.


“Ela sempre tratava tudo com o máximo respeito e, mais uma vez, sua vida era voltada a ajudar as pessoas e a ser alguém em quem os outros podiam confiar”, disse Lucille Priolo à correspondente da CNN para julgamentos, Jean Casarez, em uma entrevista no mês passado.


A amiga, que cresceu ao lado de Christine Banfield em Long Island, Nova York, descreveu-a como “uma das pessoas mais gentis que já conheci”. “Ao longo da vida, em cada capítulo, estávamos juntas, éramos amigas, e ela sempre fazia questão de ser aquela pessoa que estava à porta para ajudar, mesmo sem ser chamada”, disse Priolo.


Durante a audiência de sentença na sexta-feira, familiares de Ryan lembraram com carinho de seu querido “Joe”. A mãe dele o descreveu como “um ser humano bondoso que teve uma vida cheia de significado”.


“Brendan será lembrado como um pai abusivo, o brutal assassino de sua bela esposa, dedicada e compassiva, e o assassino narcisista de um homem inocente”, afirmou Deirdre Fisher. “O legado do meu filho é o do amor altruísta; o de Brendan é o da maldade sem sentido.”


A tia de Ryan disse que não perdoa Banfield, que, segundo ela, tomou uma “decisão calculada” de matar seu sobrinho e depois distorcer a verdade para fugir da responsabilidade.


“Hoje retomamos a memória de Joe e Christine das mentiras, da manipulação e do homem que acreditou que poderia controlar a história deles mesmo depois de tirar suas vidas”, declarou Sangeeta Ryan.


Babá brasileira descreveu plano para “se livrar” de Christine Banfield


Ao longo de cinco dias, os promotores do Condado de Fairfax ouviram mais de 20 testemunhas, incluindo Juliana Peres Magalhães, que depôs durante três dias sobre o esquema para “se livrar” de Christine Banfield.


Ela se declarou culpada, em outubro de 2024, de homicídio culposo pela morte de Ryan, após atirar fatalmente nele. O acordo judicial previa sua cooperação com a promotoria no caso contra seu ex-amante.


A au pair brasileira afirmou que começou a morar com a família Banfield em outubro de 2021 e iniciou um relacionamento amoroso com o acusado em agosto do ano seguinte.


Segundo Peres Magalhães, Banfield queria ficar com ela, mas não queria pagar por um divórcio nem dividir a guarda da filha do casal. Por isso, teria elaborado um plano para matar a esposa.


Utilizando o laptop de Christine Banfield, os dois criaram um endereço de e-mail falso e uma conta em um site de fetiches para encontrar um homem disposto a participar de uma fantasia de estupro, de modo que pudessem incriminá-lo pelo assassinato dela, testemunhou a au pair.


Fingindo ser sua esposa na internet, Brendan Banfield forneceu a Ryan instruções específicas para o encontro sexual que serviria de isca, segundo os promotores.


“Christine estará dormindo na cama. Vá direto para o andar de cima. Corte as roupas dela. Amarre-a. Estupre-a. Simples e divertido. Foi assim que a proposta foi apresentada”, disse a promotora-chefe adjunta Jenna Sands em sua declaração de abertura.


Depois que Ryan chegou à residência da família na manhã de 24 de fevereiro de 2023, Peres Magalhães e Banfield o seguiram até o quarto, afirmou a brasileira.


Quando entraram no cômodo, Ryan olhou para eles e pareceu “chocado”, disse ela, antes de Brendan Banfield atirar nele e, em seguida, esfaquear repetidamente sua esposa.


Posteriormente, Banfield teria pegado sangue da esposa e derramado sobre Ryan na tentativa de incriminá-lo, segundo o depoimento de Juliana.


Quando os investigadores retornaram à cena do crime cerca de oito meses após o duplo homicídio, encontraram uma fotografia emoldurada de Banfield e a babá sobre uma mesa de cabeceira no quarto onde os assassinatos ocorreram.




Imagem, tirada em 13 de outubro de 2023, mostra uma foto emoldurada de Brendan Banfield e Juliana Peres Magalhães em cabeceira de cama • Departamento de Polícia do Condado de Fairfax/AP

Banfield negou plano para matar a esposa


Quando Brendan Banfield depôs em sua própria defesa, contestou o depoimento da babá e negou veementemente qualquer plano para matar Christine Banfield, classificando a acusação como “absolutamente absurda”.


Banfield afirmou que amava sua esposa, embora alegasse que ambos tiveram relacionamentos extraconjugais ao longo dos quase 20 anos de relacionamento.


Segundo ele, ele e Juliana Peres Magalhães não mantinham um relacionamento ativo na época dos assassinatos e o caso entre os dois não mudaria seu casamento.


Banfield testemunhou que retornou para casa no dia dos crimes após receber uma ligação da babá em estado de desespero e não conseguir contato telefônico com Christine Banfield.


Brendan Banfield, que na época era investigador da Receita Federal dos Estados Unidos (IRS), afirmou que entrou no quarto principal com sua arma de serviço em punho e se identificou como “polícia”.


Ele descreveu ter visto Ryan ajoelhado sobre sua esposa nua no chão, antes de começar a esfaqueá-la. Banfield disse então que disparou um tiro que atingiu Ryan, antes de Juliana atirar novamente nele com sua arma pessoal.


A irmã de Christine descreveu o depoimento de Banfield como “a demonstração de narcisismo mais voltada para si mesmo que já vi”.


“Ouvi-lo tentar reescrever a vida dela e quem ela era foi como perdê-la novamente, pedaço por pedaço, em uma sala onde ela não podia se defender”, disse ela ao tribunal na sexta-feira. “As mentiras dele não tentaram apenas destruir sua reputação — elas me obrigaram a reviver meu luto com uma mistura de raiva e impotência que não consigo descrever completamente.”


Embora Juliana Peres Magalhães tenha concordado em depor contra Banfield em troca da recomendação da promotoria de uma pena equivalente ao tempo já cumprido, a juíza Azcarate acabou condenando-a a 10 anos de prisão — a pena máxima possível e muito acima da recomendação conjunta dos promotores e de seus advogados.


“Suas ações foram deliberadas, egoístas e demonstraram um profundo desprezo pela vida humana”, afirmou a juíza. “Portanto, sejamos claros: você não merece nada além da prisão e de uma vida inteira refletindo sobre o que fez à vítima e à família dela. Que isso pese profundamente em sua consciência.”


Enquanto isso, os familiares de Christine Banfield continuam sentindo sua ausência, que sua irmã descreveu como “uma peça faltando, um vazio que ocupa todo o ambiente”.


“O peso desse sentimento torna difícil atravessar o dia, como caminhar dentro da água completamente vestida”, disse a irmã.


Já a amiga de infância lamenta todos os marcos futuros da vida que não poderá compartilhar com Christine. “Quando você diz que foi amiga de alguém por 37 anos, isso não é tempo suficiente. Realmente não é — não para o tipo de pessoa que ela era”, disse Priolo, enxugando os olhos com lenços. “Eu queria mais tempo, e isso nos foi tirado cedo demais.”




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