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Belo Horizonte,30/05/2026

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Como as mudanças climáticas estão impactando Roland Garros

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Como as mudanças climáticas estão impactando Roland Garros

Para atletas de alto nível, a consistência é a essência do jogo. É uma rotina diária de treinos meticulosamente planejados, dietas rígidas e rotinas perfeitamente disciplinadas, construídas ao longo de anos de dedicação. Há, no entanto, uma coisa que os atletas não conseguem controlar: o clima.


Enquanto uma onda de calor mortal e recordista avança pela Europa, seus impactos são sentidos de forma contundente pelas estrelas que suam em Roland Garros. “É uma loucura jogar nesse clima.”




De acordo com o serviço meteorológico nacional, a França registra temperaturas máximas diárias acima de 32 graus desde sábado — um número impressionante para essa época do ano.


Tal é o calor que essa sequência de dias ensolarados tem sido mais quente do que o habitual em julho — o mês mais quente do país — e esta semana já registrou o dia mais quente de maio da história da França.


E não é preciso ser um analista de tênis para perceber o impacto que isso está causando nos jogadores.


Durante quase todas as interrupções no jogo, os atletas correm para seus respectivos bancos para fazer o que podem para se refrescar.


O precioso tempo na sombra é aproveitado sob um guarda-sol, ventiladores portáteis trabalham sem parar e diversas misturas de algum tipo de hidratação são ingeridas para repor os eletrólitos do corpo.


Os jogadores também seguram constantemente sacos de gelo no rosto e no pescoço antes que eles inevitavelmente derretam com rapidez. Tudo isso, porém, ainda não é suficiente para deter o sol.


O número 16 do mundo, Casper Ruud, disse que as condições o deixaram “andando como um zumbi” após sua vitória na primeira rodada, em 25 de maio.


“Foi uma sensação de insolação”, descreveu Ruud após sua vitória em cinco sets contra Roman Safiullin.


“Já havia experimentado algo parecido alguns anos atrás quando joguei em Washington, DC, e tive que abandonar no terceiro set. Essa foi a única vez que tive aquela sensação que tive hoje no quarto set, em que me senti muito tonto em alguns momentos, andando quase como um zumbi.”


Ruud é apenas um dos muitos que sofrem as consequências da cúpula de calor que paira sobre o continente.


Uma cúpula de calor é um sistema persistente de alta pressão que age como uma tampa sobre uma panela, aprisionando o ar quente e empurrando-o para baixo.


Jakub Menšík afirmou ser “insano” que os jogadores estejam competindo nessas condições.


A estrela tcheca desabou ao final de sua vitória em cinco sets contra Mariano Navone na quarta-feira.


“É insano jogar com esse tempo, especialmente sob o sol. Ficar lá por mais de quatro horas e meia é simplesmente insano e, mesmo com as pausas, você não tem tanto tempo assim”, disse Menšík após a partida.


O jovem de 20 anos afirmou que começou a se sentir mal e, por isso, não conseguiu absorver eletrólitos no organismo.


Ele também sofreu com cãibras à medida que a partida se aproximava do fim.


Após garantir a vitória, Menšík desabou imediatamente sobre a quadra de saibro.


Os socorristas ofereceram ao cabeça de chave número 26 uma cadeira de rodas, mas ele conseguiu deixar a quadra por conta própria.


“Nesse calor e nessas condições, é insano”, reiterou Menšík, sugerindo uma abordagem mais flexível em relação às rígidas regras sobre pausas em Roland Garros.


Além do clima, a surpreendente eliminação de Jannik Sinner na segunda rodada diante de Juan Manuel Cerúndolo tem sido o maior tema de discussão do torneio até agora.


O número 1 do mundo apresentou dificuldades físicas após abrir vantagem de dois sets e 5 a 1 no terceiro set, mas foi rápido em não culpar o tempo.


“Foi uma situação difícil. Mas, de novo, é o esporte. Estava quente, mas não absurdamente quente. Acho que estava bem para jogar. Realmente, não foi nada contra o calor, nada contra o tempo. Fui eu hoje, mas acontece”, disse Sinner após a partida.


Mas Sinner ficou estático em alguns momentos do jogo, incapaz de se mover do ponto de onde estava rebatendo.


É difícil acreditar que o calor não tenha tido algum tipo de impacto.


Tensão crescente


E não são apenas os jogadores do Aberto da França que são afetados pelo clima.


Os equipamentos também estão sentindo o calor, e alguns competidores estão tentando métodos inusitados para contornar isso.


Os mais atentos notaram a atual campeã Coco Gauff fazendo algo bastante intrigante com suas raquetes reservas.


A americana as tem mantido em uma caixa de isopor, aparentemente para proteger as cordas.


“A tensão das cordas muda com diferentes condições climáticas”, disse a ex-finalista de Wimbledon Sabine Lisicki em um comentário no Instagram.


“Quando está quente, a tensão tende a cair mais rápido do que o normal. As bolsas de raquetes ficam sempre expostas ao sol direto, então ela quis ter uma segurança extra e as colocou na geladeira.”


Com a onda de calor prevista para durar até sábado, veremos mais jogadores pensando fora da caixa sob o sol escaldante?


Também podemos ver alguns jogadores tirando proveito do calor se ele se adequar ao seu estilo de jogo.


As bolas se comportam de forma diferente nessas condições, quicando visivelmente mais alto e produzindo mais topspin do que o normal.


Isso pode beneficiar aqueles com grandes devoluções e saques ainda maiores, enquanto buscam afirmar sua dominância no calor.


Clima “absurdamente louco”


Jogadores com o rosto em caixas de isopor ou segurando ventiladores portáteis serão a imagem marcante da primeira semana em Roland Garros, e a situação pode piorar ainda mais nos próximos anos.


As mudanças climáticas estão influenciando fortemente ondas de calor como a observada em Roland Garros nesta semana.


De acordo com a organização sem fins lucrativos Climate Central, o calor visto em Paris era ao menos quatro vezes mais provável de ocorrer do que seria sem as mudanças climáticas.


E não há sinais de desaceleração.


As ondas de calor continuarão a se tornar cada vez mais intensas, ocorrerão com maior frequência e começarão mais cedo no ano à medida que o mundo esquenta devido à poluição por combustíveis fósseis.


“Sabemos, sem sombra de dúvida, que eventos de onda de calor como este se tornaram mais prováveis e mais severos devido às mudanças climáticas”, disse Peter Thorne, diretor do ICARUS Climate Research Centre da Maynooth University, na Irlanda.


“Mas, ainda assim, muitos dos recordes sendo estabelecidos, particularmente no Reino Unido e na França, são absurdamente impressionantes”, acrescentou.


Fora das quadras, as temperaturas extremas também estão tendo consequências fatais.


Houve “sete mortes direta ou indiretamente ligadas ao calor, incluindo pelo menos cinco por afogamento, além de mortes relacionadas ao calor extremo durante eventos esportivos”, disse Maud Bregeon, porta-voz do governo francês, à rede de televisão francesa TF1.


No domingo, um homem de 53 anos morreu durante uma corrida em Paris e uma mulher morreu em um evento esportivo Hyrox na cidade de Lyon, de acordo com a Associated Press, citando relatórios da mídia local.


Ainda não foi confirmado se as mortes estavam relacionadas ao calor, mas a ministra dos Esportes da França, Marina Ferrari, pareceu estabelecer uma ligação, afirmando que as mortes foram “um lembrete contundente de que praticar esportes em calor extremo exige vigilância absoluta”.


Se é assim que o tempo está em maio, como será para os jogadores em junho e julho, com Wimbledon logo ali?


E, se as coisas tendem a piorar com o passar do tempo, o que vem a seguir para torcedores e atletas?


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