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Belo Horizonte,29/05/2026

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De Porto Alegre para o Brasil: Muda Muda completa 10 anos com 500 mil pedidos e cria retrato da mobilidade residencial no país

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De Porto Alegre para o Brasil: Muda Muda completa 10 anos com 500 mil pedidos e cria retrato da mobilidade residencial no país


Quando o publicitário Eduardo Axelrud e o cientista da computação Sergio Axelrud Galbinski decidiram criar uma plataforma de mudanças residenciais, em 2016, a ideia surgiu a partir de uma observação simples: caminhões de mudança espalhados pelas ruas de Porto Alegre e um problema recorrente para quem precisava trocar de endereço. Conseguir orçamentos, comparar empresas e encontrar referências confiáveis exigia tempo e uma sequência de ligações telefônicas.
Dez anos depois, a plataforma de mudança criada pela dupla, o Muda Muda, alcançou a marca de 500 mil pedidos de orçamento cadastrados e construiu uma base de dados sobre mobilidade residencial que cobre cerca de 80% das cidades brasileiras, considerando origem, destino ou ambos.
Hoje, a empresa reúne mais de 2,5 mil transportadoras cadastradas e recebe cerca de 7,5 mil solicitações de mudança por mês. A lógica do negócio se mantém próxima da ideia original: o cliente publica gratuitamente um pedido de mudança e as empresas interessadas entram em contato para enviar propostas.
"É como um Tinder misturado com Uber. As pessoas descrevem que tipo de mudança desejam, de onde, para onde, e em que data. E as empresas escolhem quais querem orçar", resume Eduardo Axelrud, diretor de Marca e Relações Institucionais do Muda Muda.
O início com telefonemas e planilhas
A primeira versão da plataforma funcionava apenas em Porto Alegre. Os fundadores começaram ligando pessoalmente para empresas de mudança do Rio Grande do Sul para explicar o modelo de negócio e oferecer acesso gratuito ao sistema.
Do outro lado, também precisavam convencer os consumidores a preencher um formulário online para solicitar orçamentos - algo ainda pouco comum naquele segmento na época. Segundo Sergio Axelrud Galbinski, diretor de Estratégia Digital do Muda Muda, um dos principais desafios foi apresentar a proposta para empresas familiares, muitas vezes pouco digitalizadas e acostumadas a depender de indicações e chamadas telefônicas espontâneas.
A expansão aconteceu gradualmente. Depois do Rio Grande do Sul, vieram Santa Catarina, Paraná e Bahia. O ponto de virada ocorreu em 2017, quando o Muda Muda entrou no mercado paulista e começou a cobrar das empresas de mudança interessadas em acessar os pedidos publicados na plataforma. Para os consumidores, o envio de solicitações de orçamento continuou gratuito. "Quando começaram a entrar os primeiros pagamentos, percebemos que havia um modelo sustentável ali", afirma Galbinski.
Meio milhão de mudanças e um retrato do país
Ao longo da década, os pedidos cadastrados passaram a revelar padrões de deslocamento residencial no Brasil. Segundo os dados da empresa, metade das mudanças registradas na plataforma são interestaduais.
São Paulo lidera o volume de pedidos, seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Distrito Federal. Entre as rotas mais frequentes aparecem os trajetos entre São Paulo e Rio de Janeiro nos dois sentidos.
A pandemia também alterou temporariamente o comportamento observado na plataforma. Durante aquele período, o fluxo predominante deixou de ser do interior para as capitais e passou a ocorrer no sentido contrário.
"Foi uma inversão que nunca tínhamos visto. As pessoas estavam saindo das capitais, não chegando a elas", diz Galbinski. Os períodos de férias escolares também aparecem com frequência nos dados como momentos de maior movimentação, concentrando mudanças familiares e transferências entre cidades.
Em um único dia, cerca de 400 empresas de todo o Brasil costumam acessar o sistema em busca de oportunidades de orçamento e pedidos disponíveis em suas regiões de atuação.
Entre os usuários que solicitam orçamento, 56% são mulheres e 44% são homens. Essa distribuição, segundo Sérgio, se mantém consistente ao longo dos anos e sugere que a decisão e a organização da mudança residencial tendem a ser lideradas pelas mulheres nas famílias brasileiras.
Avaliações e profissionalização do setor
Outro movimento percebido pelos fundadores ao longo dos anos foi a transformação operacional das próprias empresas de mudança cadastradas.
A plataforma criou critérios internos para entrada e permanência das transportadoras e implementou um sistema de avaliações públicas dos serviços prestados. Com isso, os clientes passaram a comentar experiências e atribuir notas após as mudanças realizadas. Segundo Eduardo, a ferramenta alterou a dinâmica entre empresas e consumidores.
"Hoje as pessoas leem avaliações antes de escolher uma empresa de mudança, como acontece em aplicativos de hospedagem ou delivery. Isso acabou incentivando melhorias em pontualidade, atendimento e treinamento das equipes", afirma.
Os fundadores afirmam que a própria dinâmica da plataforma também abriu novas oportunidades para empresas menores. Uma transportadora que realiza uma entrega em outro estado, por exemplo, pode encontrar pedidos de retorno naquela mesma região e evitar que o caminhão volte vazio.
Caiaques, telescópios e estação de musculação: o que as pessoas andam transportando?
Com meio milhão de pedidos cadastrados, a plataforma também acumulou histórias incomuns. Entre os itens listados pelos clientes para transporte aparecem objetos como telescópios, impressoras 3D, barris de pilates, manequins de moulage e até 28 caiaques transportados de uma única vez.
Entre os itens mais frequentes das mudanças em 2025, lideram as máquinas de lavar roupa, micro-ondas e fogões. Um dado chamou a atenção da empresa: o botijão de gás aparece entre os 20 objetos mais transportados do país, à frente de diversos móveis.
De olho nos próximos movimentos
Para os fundadores, o volume acumulado ao longo da década transformou a plataforma em algo além de um comparador de orçamentos. O Muda Muda passou a operar também como uma base de dados sobre deslocamento residencial no país, reunindo informações sobre rotas, sazonalidade e comportamento de quem troca de endereço.
Segundo os primos e sócios, Eduardo e Sergio, a empresa segue fazendo ajustes constantes na plataforma desde a fundação, com atualizações frequentes em funcionalidades e experiência de uso.
Embora não antecipem novos projetos neste momento, os dois afirmam que o foco continua sendo aproximar pessoas e empresas de mudança em diferentes regiões do país. "O nosso nome já diz tudo: as coisas sempre podem mudar", afirma Axelrud.
Sobre o Muda Muda: plataforma de orçamentos e fonte de dados sobre mudanças
Ao conectar pessoas que desejam se mudar a cerca de 2.500 empresas de mudança ativas em todo o país desde 2016, o Muda Muda (www.mudamuda.com.br) completa 10 anos em 2026 com a marca de 500 mil pedidos realizados pela plataforma. Ao longo dessa trajetória, a empresa construiu um dos maiores bancos de dados privados sobre mobilidade residencial no Brasil. Mais do que um comparador de orçamentos, o Muda Muda se consolida como fonte qualificada de informação sobre o comportamento real de quem se muda.




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