Mococa transforma o café em festa popular
Poucas cidades do interior paulista carregam uma relação tão profunda com o café quanto Mococa. Entre casarões antigos, fazendas históricas e uma paisagem marcada pela cultura cafeeira, o município construiu parte de sua identidade em torno do grão que ajudou a transformar a economia brasileira. Agora, essa herança ganha novos sabores na terceira edição do Festival do Café de Mococa, que acontece entre os dias 15 e 17 de maio, na Praça da Matriz, reunindo gastronomia, história, artesanato e uma programação que mostra como o café segue atravessando gerações de maneiras muito diferentes.
O grande nome desta edição é o chef confeiteiro Lucas Corazza, figura conhecida do público por transformar sobremesas em experiências cheias de técnica e memória afetiva. Em Mococa, ele apresenta um bolo de banana caramelizada com brigadeiro de chocolate e café, receita que conversa diretamente com o imaginário das cozinhas brasileiras, mas com acabamento refinado e olhar contemporâneo. A presença do confeiteiro ajuda a ampliar o alcance do evento e reforça algo curioso sobre o café hoje: ele deixou há muito tempo de ocupar apenas a xícara do café da manhã para se tornar ingrediente central da confeitaria, da coquetelaria e até da cozinha salgada.

Essa diversidade aparece de maneira clara na Arena Gastronômica, coração do festival. Ao longo do fim de semana, chefs convidados exploram o ingrediente em receitas que vão da pizza de tiramisu de Glauber Momo ao tagliatelle com café e shimeji apresentado por Marcelo Figueiredo Ferreira. Há ainda maminha defumada com rub de café, éclair, brigadeiro, soda gaseificada e até pão de queijo reinterpretado com o ingrediente. É uma programação que revela como o café brasileiro, tradicionalmente associado ao consumo puro, vem ganhando novas leituras dentro da gastronomia contemporânea.
O festival também evidencia o momento vivido pela cultura cafeeira no Brasil. Nos últimos anos, o avanço dos cafés especiais aproximou produtores, cozinheiros e consumidores de discussões sobre terroir, torra, variedades e métodos de preparo. O país, que segue como maior produtor e exportador mundial de café, também passou a desenvolver um mercado interno muito mais atento à qualidade e à origem do grão. Nesse contexto, eventos como o de Mococa ajudam a aproximar o público desse universo sem perder o caráter popular e acolhedor que sempre acompanhou o café no cotidiano brasileiro.
Além da gastronomia, a programação investe em memória e formação cultural. A oficina História do Café, conduzida pela professora Silvia Maria do Espírito Santo, da USP, propõe um olhar sobre os impactos sociais, econômicos e territoriais da cultura cafeeira no interior paulista. Já a palestra online sobre memória negra no museu amplia a conversa para temas ligados à construção histórica da cidade e às narrativas frequentemente apagadas da população negra dentro do ciclo do café.
Ao mesmo tempo em que celebra receitas, aromas e sobremesas, o Festival do Café de Mococa acaba revelando algo maior: a capacidade que o café brasileiro tem de reunir tradição, afeto, técnica e identidade regional numa mesma mesa. E talvez seja justamente isso que explique por que, mesmo depois de séculos, ele continua tão presente na vida do país.
3º Festival do Café de Mococa
Praça da Matriz
15, 16 e 17 de maio
Sexta-feira, das 19h às 21h
Sábado, das 11h às 21h
Domingo, das 11h às 21h
Entre as atrações estão aulas-show com chefs convidados, feira com mais de 40 expositores, artesanato local, barracas gastronômicas e rota de cafés e restaurantes pela cidade.
Oficina História do Café
Casa de Cultura Rogério Cardoso
15 de maio, das 15h às 17h
Palestra online
Memória Negra no Museu: novas narrativas para o Plano Museológico
18 de maio, às 9h, via Microsoft Teams
Entrada gratuita
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