Premiação enaltece trabalho de ceramista sul-coreano que destaca a beleza das imperfeições

Com o intuito de celebrar o mérito artístico e a inovação no artesanato contemporâneo, a edição 2026 do Loewe Foundation Craft Prize premiou o ceramista sul-coreano Jongjin Park. O evento considerou a recente obra Strata of Illusion, na qual o criativo elaborou uma poltrona com aspecto escultórico e intrigante a partir de camadas frágeis de papel.
Os contornos instigantes do assento exploram a tensão entre controle e colapso. A peça foi construída como uma massa densa e retangular formada por milhares de folhas sobrepostas e revestidas com porcelana pigmentada, com base na sua técnica autoral de mille-feuille. Durante a queima no forno, o papel desaparece e a estrutura cede, deformando-se à medida que o calor e a gravidade moldam a forma final.
De modo geral, o conceito de seus projetos reside no equilíbrio entre controle humano rigoroso e a imprevisibilidade do contato com o fogo, resultando em peças que emanam força e fragilidade simultaneamente. Esse processo desconstrói a percepção tradicional do artesanato, transformando materiais cotidianos e frágeis em esculturas robustas de grande impacto tátil e tridimensional.
A premiação reuniu artistas de diferentes países para celebrar inovação, excelência técnica e experimentação no artesanato contemporâneo
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A premiação
Entre cerâmica, têxteis e joalheria, o evento destacou obras que expandem os limites entre arte, design e fazer manual
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O projeto do sul-coreano foi laureado com €50 mil após uma avaliação de 30 finalistas por um júri composto por profissionais relevantes do design, da arquitetura, da crítica e da curadoria de museus. Entre os examinadores: Frida Escobedo, Patricia Urquiola, Abraham Thomas e Olivier Gabet, ao lado dos diretores criativos da Loewe, Jack McCollough e Lazaro Hernandez.
O júri destacou o trabalho de Jongjin Park por desafiar as expectativas da cerâmica contemporânea ao transformar os materiais e as deformações naturais da queima em uma estética marcada pela imperfeição, experimentação e linhas artísticas. A escolha foi feita entre mais de 5.100 inscrições de artistas de 133 países e regiões, e os finalistas representam 20 territórios com trabalhos que atravessam diferentes técnicas, como marcenaria, têxteis, mobiliário, encadernação e joalheria.
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“A seleção deste ano foi uma das mais difíceis de considerar e ofereceu ao júri a oportunidade de discutir os limites do que o artesanato pode ser — e será no futuro. Sinto-me continuamente honrada por estar no centro de tanta descoberta, entusiasmo e habilidade neste meio e por testemunhar de perto o empenho criativo de artistas tão extraordinários”, afirmou Sheila Loewe, presidente da Fundação Loewe, idealizadora do prêmio anual.
Tapeçaria de Baba Tree Master Weavers e Álvaro Catalán de Ocón une tradição ancestral e linguagem contemporânea
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Além do destaque da edição, o Loewe Foundation Craft Prize teve menções especiais para obras que tratam o fazer manual como elemento essencial e preservam tradições culturais. Entre as iniciativas, o coletivo Baba Tree Master Weavers e Álvaro Catalán de Ocón foram reconhecidos pela tapeçaria Frafra (2024), que combina técnicas ancestrais de cestaria com referências arquitetônicas e tecnologia para preservar memórias culturais de Gana. Já Graziano Visintin recebeu destaque pela obra Collier (2025), composta por colares de ouro e niello que reinterpretam uma antiga técnica de ourivesaria em joias com aparência pictórica.
A obra de Graziano Visintin converteu pequenos cubos de ouro em uma joia singular
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As 30 obras finalistas serão exibidas na National Gallery Singapore até 14 de junho de 2026. A exposição também poderá ser visitada online e será documentada em um catálogo.




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