Skincare coreano para pele brasileira: como seis irmãs criaram a Shincare e faturaram R$ 750 mil em menos de 1 ano

As irmãs Maria Catarina Furukawa Shin (32), Maria Renata Furukawa Shin (29), Maria Sophia Furukawa Shin (26), Maria Paula Furukawa Shin (25), Maria Fernanda Furukawa Shin (23) e Maria Isadora Furukawa Shin (21) fundaram a Shincare, marca de skincare coreano para pele brasileira, em 25 de abril de 2025. Em 11 meses de operação, faturaram R$ 750 mil somente no B2C.
A relação com os cuidados da pele, no entanto, veio muito antes. Filhas de pai coreano e mãe de descendência japonesa, as irmãs cresceram com a cultura do autocuidado asiático como parte do dia a dia. Todas, exceto a caçula Isadora, atuavam no setor bancário e, apesar de sempre terem o sonho de empreender, não imaginavam que isso aconteceria em família. "A gente abriu mão do nosso conforto e da nossa carteira assinada para empreender e viver esse sonho", relembra Renata a PEGN.
As irmãs Shin e a mãe Regina Shin
Divulgação
A marca surgiu no papel em 2024. Catarina e Renata, à frente do projeto, viajaram para a Coreia do Sul para participar da K-Beauty Fair em busca de tendências e referências, onde mapearam os ativos em alta no mercado asiático e traçaram o plano de adaptá-los para a pele brasileira.
De volta ao Brasil, colocaram a mão na massa: criaram o site, desenvolveram a identidade visual — a logo foi criada pela própria Renata — e estruturaram a operação inteiramente com capital próprio, no modelo de tentativa e erro. O desenvolvimento durou cerca de nove meses até o lançamento oficial dos primeiros três produtos: um sérum de tratamento, um de limpeza e um hidratante.
Com estoque inicial de mil unidades por item e receio de não vender, a surpresa foi grande: em três meses, já estavam solicitando um novo lote.
Aos poucos, cada irmã foi deixando o emprego para se dedicar integralmente ao negócio. Renata saiu primeiro, seguida por Catarina. Com o crescimento da demanda, vieram as demais. "À medida que entrava uma irmã, as coisas começavam a crescer", explica Catarina.
Por terem vindo do mundo corporativo, elas já tinham noção das áreas e funções necessárias para tocar uma empresa. A divisão ficou clara: Catarina lidera a pesquisa de tendências e desenvolvimento de produtos; Renata, além de apoiar nessa frente, cuida da expedição; Sophia e Paula ficam com o financeiro, o comercial B2B e os marketplaces; Fernanda e Isadora respondem pelo marketing, comunicação, análise de dados e design. O atendimento ao cliente é responsabilidade de todas; cada dia uma das irmãs assume o front, garantindo que todas conheçam de perto as necessidades do público.
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A estratégia de canais seguiu uma evolução gradual. A marca começou direcionando o público do Instagram para o site próprio e, com o tempo, expandiu para TikTok, YouTube e marketplaces. No ano passado, um vídeo de apresentação de todas as sócias viralizou.
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Em poucos meses, o perfil saltou de 50 mil para 200 mil seguidores. Conforme a demanda crescia, as clientes pediam mais, e a marca foi ampliando o portfólio. Aos três produtos iniciais, somaram-se mais dois séruns — um para o rosto e outro para a área dos olhos — e um body and hair mist, totalizando seis itens.
Paralelamente aos canais digitais, a Shincare passou a marcar presença em festivais de cultura asiática, onde os consumidores podiam conhecer os produtos pessoalmente. O primeiro evento fora de São Paulo aconteceu em Curitiba, em março de 2026. Em abril, a marca entrou no B2B, com presença em perfumarias e redes de farmácias no estado de São Paulo, com planos de expansão para todo o Brasil.
A marca marcou presença no Hallyu Korean Fest deste ano em Curitiba
Divulgação
Hoje, 75% do faturamento vem do site e 25% dos marketplaces. As vendas têm picos às sextas, sábados e domingos e nas datas duplas dos marketplaces — período em que o crescimento se estende tanto antes quanto depois das promoções. Janeiro é o mês em que as vendas caem. A operação já atingiu o ponto de equilíbrio e se sustenta com receita própria, com a margem sendo reinvestida para sustentar o crescimento. No Instagram, a Shincare já ultrapassou 400 mil seguidores e vendeu mais de 10 mil unidades de produtos. Para 2026, a projeção é de R$ 7 milhões em faturamento.
A marca foca na combinação de ativos asiáticos adaptados para a pele brasileira com a proposta de rotinas simples e completas. "Rotina com produtos simples, mas que fazem toda a diferença no dia a dia das mulheres", define Catarina. Os produtos variam de R$ 72,99 (Body & Hair Mist Águas de Jeju) a R$ 384,99 (Combo das Shins), e os carros-chefes são os kits com três ou quatro itens, que garantem um tíquete médio em torno de R$ 215.
Body & Hair Mist Águas de Jeju e o Combo Pele de Pêssego
Divulgação / Shincare
No que diz respeito à produção, no início de 2026, as seis irmãs viajaram juntas à Coreia do Sul para fechar parcerias com fornecedores que já atendem grandes marcas coreanas; além dos fornecedores em São Paulo e no interior do estado com quem trabalham desde o início, com fórmulas exclusivas desenvolvidas em parceria. Para o segundo semestre, a marca planeja importar e desenvolver produtos diretamente no país asiático. A proposta, no entanto, é manter a essência: tecnologia coreana formulada para as especificidades da pele brasileira.
Em cinco anos, a Shincare quer ser referência em skincare coreano para a pele brasileira, com presença em todo o B2B nacional e portfólio expandido para produtos de corpo e cabelo. A internacionalização também está nos planos: a marca já recebe pedidos de fora do Brasil e está em processo de registro na Coreia do Sul.
Para quem está começando, as irmãs Shin destacam que escolher bem os sócios é fundamental; pessoas com a mesma vontade de crescer e dispostas a colocar a mão na massa, já que capital sozinho não constrói uma marca.
Sobre empreender em família, Renata resume: "A gente se uniu muito mais". O conselho é estabelecer regras claras para separar desentendimentos pessoais do ambiente profissional. Por fim, ressaltam que constância e planejamento são inegociáveis: o crescimento nem sempre é percebido no dia a dia, mas sem visão de futuro e metas bem definidas, a empresa tende a estagnar.




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