Seja bem-vindo
Belo Horizonte,02/05/2026

  • A +
  • A -

À CNN, Arthur diz manter sonho por vaga na Copa após encurtar recuperação

cnnbrasil.com.br
À CNN, Arthur diz manter sonho por vaga na Copa após encurtar recuperação

A contagem regressiva para a Copa do Mundo já dita o ritmo de quem ainda busca um lugar na lista final. Arthur Augusto entrou nesse sprint decisivo com um trunfo difícil de ignorar. O lateral-direito do Bayer Leverkusen reapareceu antes do previsto após uma lesão na sindesmose do tornozelo esquerdo, sofrida contra o Mainz em 28 de fevereiro, e voltou a campo na vitória sobre o Colônia. Mais do que antecipar o retorno, ele recolocou seu nome na tentativa por uma vaga na lateral da Seleção.


Presente na primeira convocação do ciclo de 2026, Arthur realizava uma temporada que ajudava a sustentar essa candidatura. Antes da lesão, acumulava minutos, participações ofensivas e confiança em alta dentro de um elenco competitivo. A interrupção, no entanto, veio em um momento sensível do ciclo.


“Fico muito feliz por ter tido esse retorno tão breve, de ter quebrado as expectativas. Foi resultado de muito trabalho meu, do clube, do meu gestor de performance. Eu já vinha com um condicionamento físico muito bom antes da lesão, o corpo estava preparado. E mesmo durante esse processo, eu não deixei a peteca cair, continuei trabalhando firme”, afirma.




O protocolo inicial indicava até 12 semanas de recuperação. Ele voltou em seis, após transformar a rotina em um processo quase integral de reabilitação.


Sem espaço para atalhos, Arthur abriu mão da folga na Data Fifa e passou a dividir os dias em três períodos de trabalho. As sessões no clube eram complementadas por atividades em casa, com acompanhamento próximo de seu staff pessoal e integração com o departamento médico do Leverkusen. A ideia não era apenas acelerar o retorno, mas garantir condições reais de competir.


“Eu trabalhei três períodos, de manhã no clube, à tarde e à noite em casa. Eu abri mão da folga da Data Fifa para focar nisso. Foquei 100% do meu tempo na recuperação para voltar bem, não só voltar por voltar. Quando voltei a treinar com o grupo, me senti bem, confiante, e isso me deixou muito feliz”, explica.




Arthur Augusto em ação pelo Bayer Leverkusen
Arthur Augusto em ação pelo Bayer Leverkusen • Bayer Leverkusen – www.bayer04.de/

Mesmo durante o processo, conseguiu manter os níveis físicos sob controle, com baixo percentual de gordura e ganho de massa muscular, além de bons indicadores de velocidade e potência nos testes.


O retorno, porém, não se resume a números. A readaptação ao jogo traz desafios próprios, sobretudo após semanas afastado da intensidade competitiva.


“Agora é recuperar o ritmo de jogo, que é algo normal. Ficar um tempo fora faz você perder esse ritmo, porque o jogo é completamente diferente do treino. Mas eu me sinto bem, preparado, recuperando a confiança. Às vezes você ainda treina com dor, mas vai superando, se acostumando. É um processo natural”, resume.


Se o corpo respondeu, a parte mental precisou ser trabalhada com o mesmo rigor. Arthur recorre ao acompanhamento psicológico como parte da rotina e não esconde o impacto inicial da lesão.


“Foi um balde de água fria. Eu vinha numa sequência muito boa, com expectativa de ter uma nova oportunidade na Seleção. Mas são coisas que podem acontecer a qualquer momento. Eu busquei focar no que eu podia controlar, na recuperação, nas coisas boas, para voltar o quanto antes e bem preparado”, relata.


O cenário na lateral direita da Seleção segue aberto, especialmente em um ciclo marcado por testes e mudanças. Arthur acompanha, mas evita transformar isso em pressão externa.


“Meu sonho de estar na Seleção continua vivo. Eu vou trabalhar incansavelmente para isso. E se não acontecer agora, eu não vou me frustrar. Vou continuar me preparando para um próximo ciclo, porque é um grande sonho representar o Brasil”, diz.




Arthur Augusto em ação pelo Bayer Leverkusen
Arthur Augusto em ação pelo Bayer Leverkusen • Bayer Leverkusen – www.bayer04.de/

A experiência com a Seleção começou a ganhar forma em 2023, com participação em amistoso contra o Marrocos e presença em competições de base. Desde então, o objetivo passou a ser consolidar espaço em meio à concorrência.


A trajetória até o futebol europeu ajuda a explicar a consistência recente. Natural de Belo Horizonte, Arthur passou pelas bases de Cruzeiro e América-MG e viveu cedo a saída de casa ao atuar no Flamengo. A mudança trouxe responsabilidades fora de campo e acelerou o amadurecimento.


“Foi a primeira vez que eu saí de casa, fui morar em centro de treinamento, depois com outros atletas. Tinha responsabilidade de pagar aluguel, fazer compra, cuidar da casa. Eu era mais franzino, não tinha tanta força, mas nunca desisti, sempre tive a cabeça aberta para aprender e escutar”, relembra.




Arthur Augusto em ação pelo Bayer Leverkusen
Arthur Augusto em ação pelo Bayer Leverkusen • Bayer Leverkusen – www.bayer04.de/

O salto veio no Sul-Americano sub-20 de 2023, quando o desempenho chamou atenção de clubes europeus e abriu caminho para a transferência ao Leverkusen.


Na Alemanha, o impacto inicial foi absorvido com adaptação rápida. O jogo mais físico e intenso exigiu mudanças na forma de atuar e pensar o jogo. Arthur deixou de ser apenas um lateral de origem para atuar também como ala.


“É um futebol muito mais rápido, mais físico, você precisa pensar muito rápido. No começo eu senti essa diferença, mas fui me adaptando. No Brasil eu era lateral de ofício, aqui atuo mais como ala, e isso agrega ao meu jogo. Eu consigo jogar dos dois lados, sou ambidestro, então isso também ajuda”, explica.


Sobre a Seleção, o discurso é de respeito às decisões, mas com ambição clara.


“O Ancelotti é um treinador muito experiente, tem uma história incrível. Eu acredito que ele sabe o que está fazendo. O meu papel é continuar entregando o meu melhor, nos treinos, nos jogos, na alimentação, no descanso. Quando a oportunidade aparecer, eu quero estar preparado para fazer bem feito e conquistar meu espaço”, afirma.


Fora de campo, a adaptação à vida na Alemanha ainda reserva contrastes com o Brasil. A saudade aparece em detalhes simples do dia a dia.


“O principal é o pão de queijo. Um mineiro não vive sem”, brinca. “E tem o fato de que no domingo fica tudo fechado. Até hoje eu não me acostumei. Você pensa em fazer alguma coisa de última hora e não consegue. E o frio também, todo ano eu acho que estou preparado, mas nunca estou.”


Entre disciplina e expectativa, Arthur entra na reta final do ciclo tentando transformar um retorno improvável em argumento concreto por uma vaga.


Fifa está em negociações para aumentar a premiação da Copa de 2026





COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.