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Belo Horizonte,02/05/2026

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10 anos de Nōsu

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10 anos de Nōsu

Em uma São Paulo que ainda concentra boa parte do burburinho gastronômico em poucos quarteirões, o Nōsu segue em outra frequência. Instalado na Zona Norte, o restaurante construiu ao longo dos anos uma clientela fiel e um lugar de respeito sem depender do circuito mais previsível. Quando abriu, a aposta parecia arriscada. Hoje, olhando em retrospecto, faz mais sentido do que nunca. A casa chega aos dez anos com um tipo de maturidade que se percebe no detalhe. Não houve guinadas radicais nem reposicionamentos de ocasião. O que se vê é um ajuste contínuo, daqueles que passam quase despercebidos para quem chega pela primeira vez, mas que fazem diferença para quem volta. Em uma cidade que valoriza novidade, o Nōsu encontrou força justamente na regularidade.


Nōsu / Foto: Horst Kissmann

O espaço ajuda a contar essa história. O projeto de Otavio de Sanctis trabalha o bambu de forma marcante, criando um ambiente que equilibra imponência e acolhimento sem cair em cenografia gratuita. O pé-direito alto dá respiro e a luz é conduzida com cuidado, criando um salão que convida a ficar. Na cozinha, o discurso é direto. Matéria-prima tratada com rigor, cortes precisos e uma leitura contemporânea que não precisa de efeitos para se afirmar. O arroz, afinado ao longo do tempo, sustenta bem o restante do cardápio. Os peixes são trabalhados com respeito, sem excessos. Há técnica, mas ela aparece como ferramenta, não como espetáculo.


Nōsu / Foto: Horst Kissmann

O cardápio traduz esse caminho. Nos sashimis, cortes de atum, salmão e peixes sazonais chegam limpos, com foco em textura e temperatura. Entre os niguiris, aparecem combinações que equilibram intensidade e delicadeza, como o uso de wagyu levemente selado, vieiras com acidez bem colocada ou toques mais marcantes, como foie gras, sempre comedidos. Os combinados, longe de serem apenas uma solução prática, são montados com critério e ajudam a entender a proposta da casa. Nos pratos quentes, o Nōsu amplia o repertório sem perder o eixo. O black cod marinado em missô é um dos exemplos mais claros dessa fase, ao lado do polvo grelhado e de preparos vindos da robata, que trazem textura e profundidade à refeição. Entradas como carpaccios, tartares e guiozas funcionam como boas aberturas, criando ritmo antes de chegar ao cru.


Nōsu / Foto: Horst Kissmann

Há também um lado menos visível que ajuda a explicar a longevidade da casa. O Nōsu é um restaurante de hábito. Muita gente volta sempre e pede quase a mesma coisa, ajustando um detalhe aqui e outro ali. Esse tipo de relação, construída ao longo do tempo, não se cria por acaso. Vem da confiança. A carta de bebidas acompanha esse desenho. Os saquês são escolhidos com atenção e permitem diferentes leituras de harmonização, enquanto os whiskies japoneses reforçam a identidade da casa. Os vinhos entram como alternativa, sem tentar competir com o restante. Dez anos depois, o Nōsu não parece interessado em correr atrás de tendência. Segue fazendo o que sempre fez, talvez um pouco melhor a cada serviço.


@restaurantenosu


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