Cortes de energia afetam imagem do Brasil no exterior, diz CEO da Spic
Os cortes na geração de energia renovável, conhecidos como “curtailment”, têm imposto novos desafios ao setor elétrico brasileiro e já começam a afetar a percepção do país entre investidores internacionais. A avaliação é da CEO da Spic Brasil, Adriana Waltrick, durante o evento “Veja Fórum de Energia”.
Segundo a executiva, os impactos financeiros e reputacionais desse fenômeno em um mercado altamente dependente de capital intensivo está afastando novos investimentos, já que o nível de restrição registrado no Brasil está muito acima do padrão global.
“O ‘curtailment’ é um fenômeno que afetou a todos. No Brasil chegou a 35% em 2025 e isso afeta qualquer ‘project finance’. O mundo trabalha com uma média de 5%. Precisamos trabalhar a governança disso”, afirmou.
Na prática, a diferença evidencia um desequilíbrio estrutural que compromete a previsibilidade dos projetos e aumenta o risco percebido por financiadores.
Os cortes ocorrem por três motivos: a falta de infraestrutura de transmissão, como linhas danificadas ou atrasadas, em que o gerador pode ser ressarcido por não ser responsável pelo problema; quando as linhas de transmissão atingem o limite de capacidade e a energia não pode ser escoada; e o excesso de oferta em relação à demanda. Nos dois últimos casos, não há direito a compensação.
Esse cenário tornou 2025 um dos anos mais desafiadores para o setor nas últimas décadas, na avaliação de Waltrick. “O investidor está num mercado de capital intensivo e não pode dar cavalo de pau”, disse, ao destacar a dificuldade de adaptação rápida diante de mudanças estruturais e incertezas regulatórias.
“Tivemos parques solares que ficaram mais de dois anos sem despachar por falta de linha de transmissão. Temos que alocar os custos para quem gerou os custos”, disse.
Apesar das dificuldades, a executiva aponta que o crescimento no setor deve favorecer empresas capazes de integrar diferentes soluções tecnológicas e comerciais. O futuro, segundo ela, passa pela combinação entre geração renovável, sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês), contratos mais flexíveis e estratégias de otimização do consumo.




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