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Belo Horizonte,27/04/2026

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Físicos assassinados e engenheiros sumidos: FBI investiga cientistas nos EUA

tecmundo.com.br
Físicos assassinados e engenheiros sumidos: FBI investiga cientistas nos EUA

Uma sequência de mortes e desaparecimentos tem chamado a atenção da mídia nos Estados Unidos: uma engenheira aeroespacial que nunca mais voltou de uma trilha, um professor do MIT morto perto de casa, e agora a suspeita de um acidente que causou a morte de um cientista nuclear da NASA. Separadamente, são episódios trágicos – juntos, formam uma sequência de vários casos que passou a chamar a atenção de autoridades nos Estados Unidos, incluindo o FBI, o Congresso e até o presidente Donald Trump.

Ao longo dos últimos quatro anos, pelo menos 12 profissionais ligados a áreas científicas importantes, como fusão nuclear e tecnologia aeroespacial, morreram ou desapareceram no país. O que dificulta qualquer conclusão é justamente a falta de padrão claro: há assassinatos ainda sem solução, sumiços sem indícios de crime e mortes cujas causas não foram tornadas públicas.

Casos que levantaram alerta

Um dos primeiros episódios ocorreu em julho de 2023, com a morte de Michael David Hicks. O cientista trabalhou por quase 25 anos no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, com foco em cometas e asteroides. Embora a causa oficial não tenha sido divulgada, familiares mencionaram questões de saúde.

Dois anos depois, em junho de 2025, a engenheira de materiais Monica Jacinto Reza desapareceu enquanto fazia uma trilha nas montanhas de San Gabriel, na Califórnia. Diretora de um grupo de pesquisa da NASA, ela nunca mais foi encontrada. No mês seguinte, o engenheiro elétrico da NASA, Joshua Leblanc, foi encontrado morto dentro de seu Tesla após bater o carro num acidente – ele tinha deixado celular e documentos em casa.

Monica Reza desapareceu durante uma trilha em Los Angeles. Imagem: Hom R. Haas.

Ainda em 2025, um caso mais violento ganhou destaque: o físico Nuno Loureiro, referência global em fusão nuclear e professor do MIT, foi morto a tiros na porta de casa, em Brookline, região de Boston. O suspeito também foi ligado a um ataque armado na Universidade de Brown, que deixou dois estudantes mortos.

Já em fevereiro de 2026, foi a vez de Carl Grillmair, astrofísico associado ao Caltech e colaborador da NASA, ser assassinado em sua residência próxima a Los Angeles.

Outro desaparecimento que intriga as autoridades é o do general reformado William Neil McCasland. Aos 68 anos, ele sumiu no Novo México após sair de casa, deixando para trás objetos pessoais como celular e óculos. McCasland já havia liderado o Laboratório de Pesquisa da Força Aérea e participou de projetos aeroespaciais altamente sensíveis.

Além deles, também estão entre os desaparecidos Melissa Casias e Anthony Chavez, ambos ligados ao Laboratório Nacional de Los Alamos, um dos centros mais importantes de pesquisa nuclear dos EUA.

Investigação federal em andamento

Diante do acúmulo de casos, o FBI assumiu a coordenação das investigações, trabalhando em conjunto com diferentes órgãos federais, como o Departamento de Energia, o Pentágono e a própria NASA.

No Congresso, a Comissão de Supervisão da Câmara também abriu uma apuração paralela. Parlamentares solicitaram informações formais a diversas agências, levantando a hipótese de que os episódios possam representar um risco à segurança nacional — chegando a mencionar a possibilidade de uma conexão mais preocupante entre eles.

Nuno Loureiro foi assassinado na porta de casa. Foto: Jake Belcher. 

O tema chegou até a Casa Branca. Questionado durante uma coletiva de imprensa, o presidente Donald Trump afirmou esperar que os casos sejam apenas coincidências isoladas, mas garantiu que as autoridades devem apresentar respostas.

Coincidência ou algo mais?

Apesar do tom alarmante, não há, até o momento, qualquer evidência concreta que conecte diretamente os episódios. Parte das autoridades pede cautela antes de tirar conclusões.

O deputado James Walkinshaw, membro do Comitê de Supervisão, por exemplo, afirmou não ver indícios claros de uma ação coordenada. Segundo ele, considerando o grande número de cientistas e especialistas nucleares nos Estados Unidos, atingir um grupo limitado de pessoas dificilmente teria impacto significativo em programas estratégicos do país.

Familiares de algumas das vítimas também apontam explicações mais individuais, como problemas de saúde ou questões pessoais. Em um dos casos, parentes afirmaram inclusive que não foram procurados por autoridades federais para prestar esclarecimentos.

Ainda assim, o perfil dos envolvidos chama atenção: especialistas em fusão nuclear, pesquisadores espaciais, engenheiros de alto nível e um general com acesso a projetos sigilosos. Profissionais com conhecimento altamente estratégicos, e que, por diferentes razões, agora fazem parte de uma mesma lista de mortes e desaparecimentos.

Cabe à investigação determinar se essa sequência é apenas uma coincidência incomum ou se existe, de fato, algo mais por trás desses casos.

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