Delegada casada com homem que matou gari em MG terá conduta investigada
A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) para investigar a conduta e possíveis infrações da delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, casada com o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar um gari em agosto de 2025.
O procedimento tramita sob sigilo. Segundo a corporação, o objetivo é garantir a devida apuração dos fatos e o direito ao contraditório e à ampla defesa.
A delegada segue afastada do cargo na polícia, após ter a licença médica prorrogada em mais 60 dias em 10 de abril.
Laudemir de Souza Fernandes foi morto a tiros com uma arma que pertencia à Ana Paula. De acordo com as investigações, Renê saiu de casa com o armamento da esposa e se envolveu em uma discussão de trânsito devido à coleta de lixo na região, que ocasionava breve retenção dos carros.
O MP aponta que o acusado portava ilegalmente a pistola no interior de seu veículo.
Posteriormente, ele teria tentado induzir a perícia a erro, orientando sua esposa – delegada da Polícia Civil – a entregar apenas uma das armas registradas em seu nome, ocultando a utilizada no homicídio. Em depoimento, Ana Paula afirmou que nunca autorizou que o marido portasse ou usasse suas armas.
Renê foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e fraude processual. Já a delegada foi afastada da corporação dois dias após o crime e foi indiciada pela prática de crimes de porte ilegal de arma de fogo, já que a arma utilizada no crime pertencia a ela.
Cronologia do caso
- Manhã de 11 de agosto: Laudemir foi morto a tiros por Renê enquanto trabalhava na coleta de resíduos em um bairro de Minas Gerais. O empresário alegou que o caminhão que o gari estava “atrapalhava o trânsito”;
- 11 de agosto: horas depois Renê foi encontrado em uma academia do bairro;
- 12 de agosto: A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito para investigar se a arma de Ana Paula, delegado e esposa de Renê, foi utilizada no crime;
- 13 de agosto: após audiência de custódia foi decretada a prisão preventiva do empresário (ele já possuía histórico criminal de violência doméstica e atropelamento com vítima fatal); imagens do momento do crime são divulgadas;
- 14 de agosto: gravação do interrogatório de Renê é divulgada; defesa solicitou remédio controlado e veto sobre registros fotográficos no sistema carcerário;
- 15 de agosto: Justiça de Minas Gerais autorizou a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos do empresário; polícia confirma que a arma pertencia à Ana Paula;
- 18 de agosto: defesa de empresário deixa o caso; Renê confessa ter assassinado Laudemir;
- 19 de agosto: MP pede bloqueio de bens de empresário e esposa; nova defesa assume o caso;
- 21 de agosto: Justiça nega bloqueio de bens;
- 26 de agosto: Carta escrita por Renê diz que crime foi “acidente”; terceira troca de defesas;
- 27 de agosto: Ana Paula é afastada do cargo de delegada por motivos de saúde;
- 29 de agosto: polícia conclui inquérito sobre o caso;
- 12 de setembro: MP denuncia e pede júri popular sobre o caso;
- 15 de setembro: Renê vira reú por assassinar Laudemir;
- 6 de novembro: Justiça nega anulação da confissão do empresário;
- 28 de janeiro de 2026: Justiça determina que Renê vá a júri popular.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo




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